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Ruanda fecha 700 igrejas cristãs alegando reuniões ilegais


Publicado em 17.04.2018

Governo alega que os estabelecimentos religiosos não têm as mínimas condições de segurança e higiene para receber os fiéis. Para especialista, medida visa conter a influência das igrejas. 

Em Ruanda, pelo menos 714 igrejas foram encerradas, esta quinta-feira (01.03), na capital Kigali. A medida, que afeta principalmente as igrejas Pentecostais, foi executada pelas Forças de Segurança, funcionários do Governo e da administração municipal. Os estabelecimentos foram inspecionados e fechados sob a alegação de não apresentarem padrões de segurança e higiene mínimos.

Para uma cidadã ruandesa, que preferiu não se identificar, a decisão do Governo foi acertada. "Finalmente as autoridades fizeram algo. Eu sou pentecostal, mas desejava isso há muito tempo, porque muitos de nossos pastores são criminosos. Eles criam igrejas apenas para ganhar dinheiro".

Infraestrutura precária
Não são poucos os casos de "autodenominados" pregadores que enriquecem com o dinheiro dos fiéis em países africanos. E também há críticas à poluição sonora: muitas vezes os pregadores transmitem suas mensagens com megafones. Em Ruanda, especialmente, critica-se a infraestrutura.

"As igrejas não cumprem os padrões de higiene e espaço", disse Shyaka Anastase, funcionária da administração ruandesa, acrescentando que em "alguns locais as igrejas reúnem centenas de fiéis, mas não têm sequer saneamento, e as pessoas rezam em barracas ou até mesmo porões".De acordo com outro cidadão ruandês, "os pastores violam os direitos de seus fiéis, sufocando-os nessas pequenas igrejas sem espaço".

O poder das igrejas
Entretanto, por trás da medida do Governo ruandês, acredita-se haver mais motivos do que a mera "proteção dos fiéis". Trata-se do medo de que o poder crescente dos religiosos possa influenciar a política, relata Phil Clark, pesquisador do Centro de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres (SOAS), que está no Ruanda.

"O encerramento dessas igrejas é um ato muito mais político do que o Governo diz. Ele está sinalizando às igrejas, e outras organizações sociais de Ruanda, que elas estão sendo vigiadas. Eu interpreto o ato como um claro aviso", pondera.

Até agora, as comunidades pentecostais de Ruanda têm relutado em falar sobre assuntos políticos, diz o especialista. Em outros países, contudo, grupos religiosos já estão influenciando ativamente eventos políticos. Na vizinha República Democrática do Congo, grupos católicos estão organizando manifestações contra o Presidente Joseph Kabila, exigindo que ele deixe o cargo.

Fonte: DW (Deutsche Welle), 02/ 03/ 2018

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