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Qual é a religião da Coreia do Norte?


Publicado em 31.07.2017

A capital da Coreia do Norte, Pyongyang, já foi conhecida como a "Jerusalém do Oriente" até Kim Il Sung, o avô do ditador Kim Jong-un, tomar o poder.

Desde meados do século XIX, vários missionários americanos foram para a Coreia, que ainda era um único país, para tentar converter seus habitantes. Até então, eles seguiam o budismo, o confucionismo e o xamanismo. Além de levar a sua crença, os americanos também influenciaram bastante a educação, por meio de colégios religiosos, e a vida intelectual.

Ainda que os americanos tenham chegado primeiro em Seul, atual capital da Coreia do Sul, eles se deram melhor no norte do país, principalmente em Pyongyang, onde abriram várias igrejas.

Esses cristãos missionários tiveram um papel importantíssimo na Coreia, pois participaram ativamente dos movimentos de independência, depois que a península entrou sob domínio do Japão, em 1905.

Dos 33 integrantes do movimento de independência Primeiro de Março, dezesseis eram cristãos, sendo que dez deles eram do norte do país.

Nos anos 1940, quando uma guerra entre os países aliados contra o Eixo (Japão, Alemanha e Itália) era iminente, os Estados Unidos retiraram seus religiosos da Coreia dominada pelos japoneses.

Kim Il-Sung, o avô do atual ditador, é de uma família cristã, mas entendeu que precisava eliminar essa influência do cristianismo para governar soberano. Quando ele assumiu o poder nos anos 1940, com a ajuda da União Soviética, todas as religiões foram banidas, assim como em outros países socialistas. Templos e igrejas foram fechados. Livros sagrados foram destruídos.

Os cristãos americanos então foram perseguidos e amaldiçoados pela propaganda oficial. Eles passaram a ser vistos como símbolo do Ocidente e da influência externa. Entre os quase 1,5 milhão de refugiados que fugiram da recém-criada Coreia do Norte, muitos eram cristãos.

Em 1955, em um discurso público, Kim Il-Sung começou a propagandear sua própria ideologia, a juche. A julgar pelo seu caráter personalista, pela exigência de fidelidade total e pela execução de rituais, a juche constitui outra religião.

Kim Il Sung, que hoje aparece em 40 000 estátuas no país, é considerado como um ser divino e infalível. Mesmo depois de ter morrido, ele continua sendo considerado como o "eterno presidente" do país. Lá, os anos são contados a partir do seu nascimento. O ano de 2017, por exemplo, é o Juche 106, porque o avô Kim estaria fazendo 106 anos.

A narrativa oficial conta que, quando seu filho Kim Jong Il nasceu, em 1942, um arco-íris duplo apareceu no céu e uma nova estrela surgiu. É quase que uma reedição do nascimento de Jesus Cristo.

Todas as casas obrigatoriamente precisam ter uma foto de Kim Il Sung e de seu filho, Kim Jong-il. Patrulhas policiais costumam invadir a casa das pessoas para ver se a regra está sendo respeitada. Os retratos precisam estar sempre limpos e bem localizados. "Se um incêndio começa em um prédio, as pessoas devem mostrar a sua fidelidade correndo em direção para pegar os retratos", disse um exilado norte-coreano para o livro Persecuted, de global assault on christians, de Paul Marshall, Lela Gilbert e Nina Shea (Thomas Nelson, 2013). Também é preciso depositar flores em frente as estátuas de Kim Il-Sung no início de cada ano.

Para os que seguem à risca as normas governamentais, é prometida a vida eterna. Quem for pego rezando para outro deus, fora da linhagem sagrada oficial, ou for flagrado com uma Bíblia pode ser mandado para os campos de trabalhos forçados ou ser executado. Seus familiares também podem desaparecer e podem ser punidos por três gerações.

Impedidos de se reunir em igrejas, cristãos rezam sozinhos ou com alguns poucos familiares, secretamente em suas casas.

Na constituição da Coreia do Norte, está escrito que a liberdade de religião é permitida. Pura mentira. Há cinco igrejas no país, mas elas existem apenas para enganar turistas. Não há padres e, portanto, não se pode dar a comunhão. O país é o que mais persegue cristãos em todo o mundo, segundo a ONG Open Doors.

Fonte: Veja, 31/ 07/ 2017

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