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Painéis com símbolos católicos e evangélicos provocam debate na Alba


Publicado em 29.08.2017

Dois painéis expostos no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) é alvo de discussão entre deputados. As obras exibidas no local colocam em questão a divulgação de símbolos religiosos e o debate foi batizado nos bastidores como "Guerra Santa".

No centro da discussão está a Constituição, que diz que o Brasil é laico e que nenhuma crença pode ter poder sobre as decisões do Estado.

Um dos painéis alvos da discussão já está na Alba há mais de 40 anos. Produzida pelo artista plástico Carlos Bastos, a obra retrata uma tradição católica, que é a procissão de Bom Jesus dos Navegantes seguida por políticos e artistas. O trabalho ainda traz símbolos de religiões de matrizes africanas, da mitologia grega e do folclore.

O segundo painel alvo da polêmica foi inaugurado na semana passada. Trata-se de obra do artista plástico Ivo Gato, que expõe uma Bíblia gigante, a pomba do Espírito Santo e a Arca da Aliança, que no Velho Testamento representa a presença de Deus entre os povos.

A obra, que foi encomendada pelo deputado pastor Sargento Isidório (PSC), custou R$ 30 mil e foi pago com dinheiro de caixa da Alba. Para o deputado, que é evangélico, a representação da Bíblia na Casa não confronta os demais credos. "Intolerante é quem está querendo impedir colocar um outro painel com símbolos cristãos. Inclusive, representa cristãos de outras matrizes", disse.

Para a deputada Fabíola Mansur, ambos os quadros representam interesses distintos. "O quadro de Carlos Bastos não tem intenção religiosa ou de sobrepujar uma religião à outra. Nós não podemos comparar com uma Bíblia com dimensões desproporcionais, que é o símbolo de algumas religiões e não é o símbolo de outras. Estamos aqui para garantir a nossa Bíblia, que é a Constituição".

O presidente da Alba, Ângelo Coronel (PSD), disse que a nova aquisição veio para fazer Justiça, já que já havia um painel na casa com referências católicas. "Era um grande pedido da bancada evangélica, que passou para essa casa e capitaneada agora pelo Sargento Isidório. Nós estamos fazendo Justiça e que também fiquem as outras religiões contempladas", concluiu.

Fonte: 29/ 08/ 2017

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