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Menina cristã ainda está sob poder do Boko Haram?


Publicado em 21.03.2018

Extremistas islâmicos do Boko Haram libertaram 76 meninas sequestradas, anunciou o governo da Nigéria nesta manhã. O grupo radical islâmico havia sequestrado 110 meninas de um internato em Dapchi, no nordeste da Nigéria, no dia 19 de fevereiro, como informamos. O ministro da informação, Lai Mohammed, disse que a liberação foi resultado de um esforço conjunto e foi incondicional, ou seja, sem pagamento de resgate, mas não deu maiores explicações. Ele informou que as meninas foram libertas às 3h da manhã e que 76 haviam sido documentadas, mas que uma contagem completa estava em andamento.

Semana passada, o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, disse que o governo havia "escolhido a negociação" ao invés de uma ação militar para garantir a libertação e a vida das meninas. A presidência também informou que as meninas estão sob a custódia da agência nacional de inteligência. Elas foram levadas para o hospital de Dapchi e os pais não têm permissão para vê-las.

Aisha Alhaji Deri, uma estudante de 16 anos que estava entre as meninas sequestradas, testemunha: "Eles nos trouxeram de volta esta manhã e disseram que deveríamos ir direto para casa e não para o exército, se não eles alegariam que nos resgataram". Uma testemunha de Dapchi contou que os extremistas disseram aos moradores que libertaram as meninas por dó e deixaram um aviso aos pais: "Não coloquem suas filhas na escola de novo". Boko Haram significa "a educação ocidental é pecaminosa".

Menina cristã
Aisha contou aos repórteres que elas não foram maltratadas durante o tempo de cativeiro. Mas acrescentou: "Quando estávamos sendo transportadas, cinco meninas morreram no caminho". A morte delas foi confirmada pelo tio de uma das meninas sequestradas. Usman Mataba disse que conversou com os membros do Boko Haram que trouxeram as meninas de volta e eles disseram que trouxeram todas, exceto seis, sendo que cinco morreram no mesmo dia do sequestro. "Eles disseram que só viram que as meninas estavam mortas quando chegaram ao destino, então as enterraram", afirma.

Assim, ainda há ao menos uma menina que não foi libertada. Seu nome é Leah Sharibu. Mataba disse que os radicais islâmicos disseram que ela teria que "conquistar sua libertação". "Eles disseram que Leah se recusou a cooperar com eles, mas que assim que o fizesse, eles a libertariam. Mas não explicaram o que isso significava", afirma o tio. Hafsat Abdullahi - irmã de Fatima, 16 anos, uma das meninas libertadas - disse que conhece Leah e que ela não era a única cristã da escola, mas a única cristã que foi sequestrada. "Eu ouvi dizer que o Boko Haram disse que não vai libertá-la até que ela se converta ao islã", afirma Hafsat.

Alguns pais relataram que as meninas foram transportadas em nove veículos do Boko Haram. Mohammed Mdada, um vigilante da cidade, descreveu que os radicais islâmicos se desculparam dizendo que pegaram as meninas porque pensaram que elas eram cristãs, e não muçulmanas, informou o jornal norte americano The Guardian. "Eles disseram que se soubessem que elas eram muçulmanas não as teriam sequestrado. Eles usavam turbantes pretos e vestiram as meninas com hijabs (véu islâmico) na cor creme. Eles também avisaram as meninas que elas deveriam ficar longe da escola e juraram que se voltassem e encontrassem qualquer menina na escola iriam sequestrá-las e não devolver nunca mais", afirmou o vigilante.

Fonte: CPAD News, 21/ 03/ 2018

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