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Luteranos vão se reunir a céu aberto após destruição da igreja


Publicado em 08.05.2018

Os luteranos que tiveram sua igreja destruída pelos escombros do prédio que desabou em São Paulo vão fazer cultos ao ar livre agora que só restaram em pé a torre e o altar do templo. A Igreja Martin Luther, filiada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), fica na avenida Rio Branco, no centro de São Paulo, ao lado do prédio ocupado por movimentos de moradia que ruiu após um incêndio da madrugada de terça-feira (1º)

A Arquidiocese de São Paulo e a Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo disponibilizaram seus templos para que os luteranos se reúnam.

- Nos próximos domingos, nós vamos nos reunir na Igreja Luterana da Paz, em Santo Amaro (bairro da Zona Sul de São Paulo), e na nossa comunidade em Vila Ema - afirmou Frederico Carlos Ludwig, pastor da igreja. - Vai levar entre 10 e 15 dias para remover os escombros, segundo os bombeiros. Depois, vamos entrar num processo de limpeza. E aí vamos passar a nos reunir a céu aberto.

A Igreja Martin Luther foi inaugurada no dia de Natal de 1908. É uma das igrejas evangélicas mais antigas da cidade de São Paulo e foi o primeiro templo neogótico a ser erguido na capital, antes mesmo da Catedral da Sé e da Catedral Evangélica (Presbiteriana). O projeto da igreja foi assinado pelo arquiteto Guilherme von Eÿe, que também foi responsável pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.

A igreja ainda contava com um centenário órgão de tubos alemão e vitrais confeccionados por Conrado Sorgenicht, que também é autor das peças que decoram o Theatro Municipal de São Paulo e o Mercado Municipal.

A igreja foi tombada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) em 1992, e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat), órgão ligado ao governo estadual, em 2012. O templo passou por reformas entre 2012 e 2013. O pastor Ludwig estima que cerca de 80% da igreja foi destruída pelos escombros.

Ludwig contou ter recebido várias manifestações de solidariedade e apoio de pessoas e entidades do Brasil e do mundo. A Prefeitura de São Paulo ainda não entrou em contato com a igreja.

O pastor estima que em três semanas poderá retomar o trabalho de assistência aos moradores de rua mantido pela comunidade luterana, que conta com mais de 500 famílias. Às sextas-feiras, a igreja abria suas portas para moradores de rua, que recebiam alimentação, acolhida espiritual e espaços adequados para realizar a higiene pessoal.

- São Paulo é uma metrópole que não tem banheiros para os moradores de rua. Aqui, eles podiam usar o banheiro. Às sextas-feiras, havia um momento de oração na Igreja e um lanche para eles - conta Ludwig. - Eles faziam artesanato, que depois era vendido e o dinheiro repartido entre eles. Eles deixavam os documentos deles com a gente e pegavam quando precisavam. Nós cuidávamos de documentos de mais de 200 moradores de rua.

Muitos moradores que viviam no prédio que desabou frequentavam a igreja às sextas-feiras e tinham contato com o pastor, que frequentava a ocupação.

A prioridade dos luteranos agora é retomar a vida comunitária que acontecia e pensar na reconstrução do templo.

- Vamos tentar retomar e reconstruir nossa vida comunitária: os estudos bíblicos, os encontros de jovens e de mulheres, o trabalho com os moradores de sua, os cultos no pátio da igreja - afirma o pastor. - E vamos começar a pensar no restauro da igreja. Ainda não tenho ideia do que fazer. Os órgãos governamentais deverão fazer perícias e laudos. Depois os engenheiros e arquitetos vão fazer projetos e vamos dimensionar os custos, de tempo e dinheiro. O dinheiro que temos é curto, não dá nem pra fazer cócegas.

Fonte: O Globo, 02/ 05/ 2018

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