Cresce nos EUA número de fiéis que abandonam o rótulo de evangélico - Notícias - Instituto Jetro

carregando...

Cresce nos EUA número de fiéis que abandonam o rótulo de evangélico


Publicado em 03.11.2017

Boz Tchividjian é neto do conhecido reverendo Billy Graham - conselheiro espiritual de vários presidentes americanos e um dos principais responsáveis pela popularização do movimento evangélicos nos EUA -, mas decidiu não mais se referir como sendo evangélico. Ele faz parte de um crescente número de religiosos americanos que está abandonando o rótulo para se distanciar de setores de extrema-direita da sociedade cristã, mas mantendo os seus princípios.

- Eu não me identifico mais com esse termo - disse Tchividjian ao "Guardian". - As palavras importam. E "evangélico" não é como "batista" ou "episcopal", que podem ser claramente definidos. Quando você usa esse termo para uma pessoa, é definido pela forma que ela interpreta.

Esse foi o mesmo motivo para a Sociedade Evangélica da Universidade de Princeton remover o "evangélica" do nome. Fundada há oito décadas, a associação foi rebatizada como Sociedade Cristã de Princeton. Segundo William Boyce, atual secretário-executivo do grupo, a mudança foi necessária porque "nos últimos anos estamos vendo mais estudantes que não se reconhecem ou não compreendem corretamente o termo ‘evangélico'".

Tony Campolo, pastor e fundador do movimento "Red Letter Christians", também tomou a mesma decisão. Em entrevista recente ao site Premier Christianity, o conselheiro espiritual do expresidente Bill Clinton afirmou que muitas conotações negativas foram atribuídas ao termo, principalmente entre não cristãos.

- Nos sentimos desconfortáveis em nos chamarmos como evangélicos, porque o público em geral supõe coisas sobre nós que não são verdadeiras - afirmou Campolo. - Não somos favoráveis à pena de morte, não somos a favor da guerra, não odiamos gays e não somos antifeministas.

Originalmente, o termo "evangélico" se refere a indivíduos ou grupos que seguem os Evangelhos da tradição cristã, e isso inclui não apenas novas denominações, mas religiões centenárias, como os metodistas e protestantes. Porém, nos EUA, o termo é normalmente atribuído apenas a grupos conservadores de extrema-direita.

- Como temos uma definição tão ampla e vaga do evangélico, uma pessoa pode assumir automaticamente que todo evangélico é defensor do Trump - comentou Tchividjian. - Estamos olhando a fé através de uma lente política, e isso é perigoso.

Para Christopher Stroop, um ex-evangélico que agora critica o movimento religioso, a eleição de Donald Trump e as políticas implementadas após sua posse estão contribuindo para as pessoas abandonarem o rótulo "evangélico". Existe até mesmo o grupo "Exvangelical" no Facebook. Contudo, critica os líderes que estão abandonando o termo, mas mantêm a defesa de posições controversas associadas.

- Eles apenas querem escapar das associações negativas, mas continuam votando contra os direitos LGBT ou das mulheres - criticou Stroop. - Eu lembro que nos anos 1990 o termo "religião" tinha associações negativas, e então os evangélicos diziam: "não é sobre religião, é sobre o relacionamento com Deus. Eles são muito bons em marketing e esta é uma nova tentativa de "rebranding".

Fonte: O Globo, 03/ 10/ 2017

O conteúdo das notícias é de responsabilidade de seus respectivos autores e veículo de comunicação, não refletindo necessariamente a opinião do Instituto Jetro.