Conquistando e-leitores
Entrevista com Laila Vanetti
Publicado em 09.09.2009
Quem tem um site preocupa-se constantemente em divulgá-lo e fazer com que cada vez mais, as pessoas o acessem e o recomendem aos amigos. Mas como conquistar a atenção dos internautas a ponto de fazer com que eles voltem e, até mesmo, se tornem assíduos? Quais as técnicas que podemos utilizar?
Uma forma de atrair este público é através do conteúdo disponibilizado. E é exatamente sobre este assunto que procuramos a entrevistada deste informativo, para que ela pudesse sanar estas dúvidas e nos ajudar a melhorar a liguagem dos websites.
Laila Vanetti é bacharel e mestre em Lingüística pela
Unicamp, especialista em Retórica, Argumentação, Lingüística Textual e Análise do Discurso. É professora, revisora, escritora e administradora da
Scritta Cursos e Consultoria em Linguagem há mais de cinco anos. Ela também mantém um
blog, através do qual se comunica com pessoas interessadas pela língua portuguesa e disponibiliza informações sobre o seu trabalho.
Por que os textos utilizados em websites são diferentes daqueles que usamos em outras formas de comunicação?
Laila – Esta é uma pergunta muito importante, porque hoje a internet pode ser o principal meio de comunicação de uma empresa com seus públicos. Assim, os textos desenvolvidos para a internet têm que ter um formato adequado. Eles devem ser bem mais concisos e objetivos do que um texto impresso. Devem ter parágrafos curtos e separados por espaço e contar, ainda, com ferramentas de intertexto, ou seja, links para explicar melhor algum termo em outra página de conteúdo. Outro aspecto importante é que na internet, como em todas as comunicações feitas pela empresa, o cuidado com o bom português é imprescindível, pois os textos podem ser copiados e replicados além do controle de seus autores, portanto, a empresa deve sempre zelar por conteúdos bem redigidos!
Os e-leitores geralmente têm um perfil diferente dos leitores de outros meios como livros, jornais e revistas? Quais as características que mais os diferenciam?
Laila – Muitas pessoas falam que as novas gerações lêem menos, no entanto, pesquisas comprovam que atualmente as pessoas lêem muito mais. Não há dados que pontuem exatamente a diferença qualitativa desses leitores, mas eu arriscaria dizer que na internet os leitores são bastante exigentes, frente a uma quantidade infinita de informações. Os internautas sabem buscar a informação de que necessitam, portanto, as empresas têm que sempre buscar conquistar a atenção desses leitores na web.
O perfil dos e-leitores pode ser bem diversificado. É possível fazer uma adequação na linguagem de um website, de forma que seja compreendido por grande parte deles?
Laila – A linguagem na internet deve ser sempre clara, objetiva e mais concisa. No entanto, deve sempre considerar o público a que se destina. Um portal de uma revista de economia trará uma linguagem diferente daquela de uma emissora de TV voltada ao público jovem. Em comum elas terão um português cuidado, mas nem por isso será a mesma linguagem. Na internet podemos utilizar uma linguagem mais amigável, em blogs, mais direta, como uma conversa, por exemplo. Em sites institucionais, a linguagem sempre será mais séria, porque deve refletir a credibilidade da instituição.
Existem técnicas específicas de persuasão para textos publicados na internet? Que tipo de ênfase deve ser dado para aquilo que se deseja reforçar?
Laila – Essas ferramentas devem ser sempre estudadas para dar um destaque ao conteúdo, mas não incomodar os usuários. São técnicas do que chamamos de marketing digital e para conhecê-las é preciso um estudo mais aprofundado. O que posso dar de dica é que nunca devemos utilizar palavras escritas inteiramente com letras maiúsculas, por exemplo, pois isso dificulta a leitura das frases e costumeiramente representa “falar gritando”, nas redes sociais. Algumas expressões em negrito no texto são interessantes, desde que sejam aquelas as quais o texto se refere, o assunto principal. Uma busca sobre marketing digital no Google pode trazer mais informações sobre este tema!
Muitos sites são bem produzidos em termos de layout, mas fracos em termos de conteúdo. A ausência de gente especializada para desenvolver conteúdo com a linguagem adequada seria a fonte do problema? Quem deve se responsabilizar pelos textos inseridos em um site?
Laila – Como já citei anteriormente, a linguagem de internet deve ser tão cuidada como a linguagem utilizada em qualquer outro veículo de comunicação, portanto, ter profissionais experientes na produção de conteúdo, revisores e um planejamento, sempre fará a diferença para a qualidade do resultado final dessa comunicação.
Que erros básicos de linguagem não podem ser cometidos em um website, independentemente da área de atuação da organização?
Laila – Os erros de linguagem refletem a mente humana e vão ocorrer em todos os ambientes, por isso é tão importante a revisão de texto. Os erros de linguagem se enquadram em duas esferas: forma e conteúdo. O conteúdo abrange questões de qualidade do texto, como a escolha das palavras (que devem ser adequadas ao público e ao objetivo do texto), coerência, coesão, clareza e objetividade. Já a forma diz respeito à ortografia e a uma pontuação que facilite a leitura e o entendimento do texto, ou seja, que facilite a comunicação.
Outra dica é a de que textos muito longos ou muito técnicos devem ser evitados, a menos que estejam em um local apropriado para sua divulgação, como uma área própria de artigos.
Dizem que os e-leitores se distraem facilmente e que muitos não ficam nem 1 minuto em uma página. Como conquistar a atenção e o interesse deles?
Laila – O que chama a atenção dos leitores é sempre a qualidade do conteúdo, que se traduz em um bom título, seguido de bom conteúdo. É sempre importante se questionar ao produzir um conteúdo para a web se esse conteúdo interessa aos leitores? Ele está claro? As pessoas terão vontade de continuar lendo? Eu leria este conteúdo? Alguns desses filtros já ajudam muito a não cometer erros comuns na internet hoje.
Muitas igrejas têm desenvolvido sites, hot sites e blogs para ter maior contato com seus membros. Quais as dicas práticas que você daria para as igrejas em relação aos textos utilizados nestas formas de comunicação?
Laila – Essas iniciativas de comunicação são muito interessantes e eficientes. Hoje os jovens, especialmente, estão online grande parte do seu dia. Por isso, é importante que as igrejas surfem nessa onda de web 2.0, que significa interatividade e colaboratividade. Assim, além de buscar uma linguagem que seduza esse público, que seja pensada para conversar com cada público que se deseja atingir, é importante desenvolver ações de relacionamento, estar nas redes sociais interagindo com esse público, para que ele possa ser um agente ativo da comunicação, criando conteúdo. Um bom exemplo disso são as redes sociais como Orkut e Facebook, que não existiriam sem os usuários gerando todo o seu conteúdo.
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