Respeitando as diferenças!
“Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.” (Ef 4.3)
“Trato todos os meus filhos de maneira igual”, disse-me um amigo durante uma conversa. Ora, se eles são diferentes, logo seu tratamento produzirá efeitos incompletos e indesejáveis. Certo dia, estava em um shopping quando vi uma mãe caminhando com seus filhos gêmeos. Adivinhe como estavam vestidos? Acertou: com roupas iguais. Apesar de terem semelhanças físicas, são duas crianças diferentes tentando ser moldadas de forma igual.
Este comportamento é comum no dia-a-dia de nossos relacionamentos interpessoais. Como pais, líderes nas atividades profissionais, na igreja ou em outra posição, temos a tendência de conhecer muito pouco os outros. Isso explica o grande número de conflitos. Porque não conhecemos uns aos outros, não discernimos as diferenças, não aceitamos a diversidade, não respeitamos as individualidades. Queremos padronizar todos segundo nossas preferências. Estamos acomodados na maneira como tratamos os outros por termos somente um estilo de tratamento. Assim, quando insistimos no mesmo estilo, produzimos efeitos diferentes do desejado. Não estamos falando de valores e caráter, mas apenas de características de personalidade. Não estamos falando de respeito e educação, mas de estilos de abordagem.
Tenho tido a experiência de ser analista de uma ferramenta que ajuda a detectar as principais características de comportamento e necessidades de pessoas. Nesses 15 anos analisando pessoas, temos percebido uma grande variedade de características. Passamos a descrever alguns perfis para ajudar os leitores a perceber a riqueza de diversidade.
Líderes e autoconfiantes
Gostam de desafios, têm muita iniciativa e amam empreender. Por isso, precisam de liberdade para agir individualmente, espaço para avançar seguindo suas próprias idéias, resolvendo os problemas do seu jeito. Correm o risco de se tornarem extremamente competitivos, valorizando resultados e coisas materiais em detrimento das pessoas, atropelando tudo e todos e nunca delegando sua autoridade.
Agradáveis e cooperadores
São marcados pela grande aceitação da liderança de outros. Estão sempre em busca de harmonia, não apresentam iniciativa para mudanças, até porque aceitam muito bem as coisas como estão. Precisam sempre de encorajamento e um ambiente que não apresente riscos e atritos. Devem cuidar para não se tornarem omissos diante dos problemas, pois podem fugir de enfrentamentos que a vida naturalmente traz.
Otimistas e entusiasmados
Em geral relacionam-se facilmente com pessoas, pois são excelentes comunicadores, empáticos e extrovertidos. São muito amados e sempre estão cercados de amigos. Necessitam de reconhecimento e aceitação social, assim como oportunidade para trabalho em grupo na direção da construção de consenso. Devem se precaver para não perseguir demasiadamente seu prestígio e status. Também devem atentar para não serem superficiais e pouco pensativos, daqueles que primeiro falam e depois pensam.
Reservados e introspectivos
Em geral, são mais profundos pensadores e analíticos, imaginativos e criativos. Gostam de privacidade e detestam politicagem. Por serem mais sérios e de poucas palavras, podem ser interpretados como desinteressados e ausentes. Mas o que realmente precisam é de oportunidade para estarem sozinhos, quietos, e terem tempo para pensar. Devem cuidar para não se isolarem demasiadamente, vivendo em seu próprio mundo e deixando os relacionamentos interpessoais.
Impacientes e hiperativos
Apresentam um forte ritmo acelerado e elevado senso de urgência. Podem fazer várias coisas ao mesmo tempo de maneira natural. Precisam, por conseqüência, de uma variedade de atividades e liberdade de movimento. Podem ficar entediados com tarefas repetidas. Devem cuidar para não ficarem impacientes com rotinas e nervosos quando o ambiente não responde no tempo que esperam. Podem ficar facilmente estressados.
Pacientes e metódicos
Amam a estabilidade e agem sempre com muita calma e serenidade. Sentem-se confortáveis com o constante e familiar. Sua necessidade, portanto, é um ambiente estável, seguro e previsível. Resistem muito a mudanças e não gostam de receber pressão de tempo. Correm o risco de se tornarem indesejáveis pela lentidão com que processam os episódios da vida, ainda mais em um mundo acelerado que vivemos.
Informais e flexíveis
São mais tolerantes a riscos e incertezas, e com facilidade delegam tarefas e atividades. Rejeitam, em diferentes graus de intensidade, qualquer tipo de norma e regra. Demandam um ambiente sem controles rígidos, com liberdade de expressão, descentralizado e com liberdade para as exceções. Ao extremo, podem se tornam desorganizados, bagunçados em demasia e muito agressivos quando criticados.
Formais e conservadores
Em geral, são muito diligentes e aplicados, organizados e autodisciplinados, atentos aos detalhes e precisos no que fazem. Necessitam de clareza na exposição das regras vigentes e de ausência de riscos e erros. Devem tomar cuidados para não serem tão conservadores (resistentes ao novo e detalhistas) a ponto de perderem a visão do todo e, por conta disso, tornarem-se intolerantes a erros e exatidões.
Esses exemplos são apenas alguns dos perfis com os quais nos deparamos. E esses perfis têm inúmeras variações e combinações entre si. Para cada um deles, devemos observar uma forma de interagir, de conversar, de abordar, de exigir, de incentivar, pois, como podemos notar, são muito diferentes.
Não é a toa que o apóstolo Paulo nos orienta a nos esforçarmos a fim de conservar a unidade. Que grande esforço é necessário! Somente no amor de Cristo e na direção do Espírito Santo, isso será possível.
Assim, tratemos de forma diferente as pessoas, pois elas são diferentes.
Artigo de Rodolfo Montosa
Publicado em: set 2009
Veículo: Revista Saber e Fé (Número 3, pág 34 e 35)