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Você é : Workaholic ou Worklover?

Entrevista com Rafael Favil Santos
Publicado em 11.12.2012

Qual a diferença dos workaholics (viciados em trabalho) e worklovers (quem é apaixonado pelo trabalho)? Os worklovers se envolvem no que fazem, mas não trabalham excessivamente - só se for necessário, diferente dos workaholics.

Vale a pena ser workaholic? Todos nós conhecemos pessoas que não conseguem se desligar do trabalho quando não estão trabalhando, que passam finais de semanas checando e-mails, que levam trabalho para casa, que fazem horas extras quase todos os dias, não estão presentes nos momentos familiares, deixam de lado seus parceiros e filhos e tornam-se amigos apenas das pessoas com quem convivem no ambiente de trabalho.

Para refletirmos sobre a nossa relação com o trabalho e percebermos se temos sido workaholic ou woklover, o Instiuto Jetro entrevistou Rafael Favil Santos.

Rafael é Graduado em Relações Públicas, com especialização em Recursos Humanos, pela Universidade Estadual de Londrina e MBA em Gestão de Projetos pelo SENAI. Atuou por 6 anos como coordenador de desenvolvimento pessoal na Viação Garcia. É supervisor  de células do Ministério Jovem na Comunidade Nova Aliança e professor em Cursos de Graduação nas áreas de Gestão. Atua com Assessoria de RH pela FAVILRH. Confira, clicando na foto do autor, os artigos escritos para o Instituto Jetro.

 Rafael Favil Santos
Instituto Jetro - Você acredita que vivemos um tempo onde o trabalho está sendo desafetivado?

Rafael - Não. O trabalho ainda é algo que traz sentido as nossas vidas, pois a capacidade produtiva do indivíduo o inspira, o desafia e o torna melhor. O que percebo é que as pessoas estão confusas quanto ao significado de seu trabalho. Para muitos, não está claro o motivo pelo qual executam suas atividades todos os dias pois não conhecem os processos desenvolvidos por sua organização. É como se não vissem o resultado final de algo em que tiveram participação direta. E a perda do significado pode gerar esse distanciamento entre o trabalho e sentimentos de alegria, prazer e paixão que podemos encontrar nas organizações. Contudo, o trabalho ainda é algo que mexe e balança com as pessoas e seus sentimentos.

Instituto Jetro - Quais as diferenças de Workaholic e Worklover? Os objetivos para o trabalho são iguais?

Rafael -  O Workaholic é a pessoa viciada em trabalho. Dependente do seu trabalho. Investe muitas horas a mais do seu dia em sua atividade profissional. Não se importa em deixar de lado uma refeição ou compromisso social devido ao seu trabalho. Vive para ele (o trabalho), vive nele (ambiente de trabalho) e pouco usufrui dele (rendimentos) pois não há tempo para outra atividade além do trabalho. É estressado, ofegante, acelerado, geralmente atrasado e sobrecarregado. Além do workaholic, quem paga um alto preço por esse estilo de vida, é a sua família e amigos que sofrem com a ausência dessa pessoa. É tão envolvido com seu trabalho que atribui a ele a sua identidade pessoal. Trabalha muito bem e produz resultados acima do esperado, porém sofre com a falta de relacionamentos sociais, momentos de lazer e de vida com Deus.

Já o Worklover é um apaixonado pelo que faz. Identifica-se e entende o significado de seu trabalho. Desenvolve seu trabalho a cada dia como sendo único. Entrega-se ao trabalho, porém com uma diferença crucial do Workaholic: sabe que seu sucesso profissional depende dos relacionamentos sociais, momentos em família, boa condição física e mental. Assim desenvolve uma rotina de entrega ao seu trabalho e profissão, porém estabelecendo limites de horário no trabalho para desenvolver as demais atividades de sua vida.

Instituto Jetro - Você concorda que muitas horas de trabalho ou atividades em excesso não são sinônimos de competência?

Rafael - Sim. Porém ainda encontramos nas organizações a cultura da hora extra, do "ficar mais um pouco". E nesse ambiente, aqueles que produzem dentro do horário previsto e vão embora são vistos como descomprometidos. Assim é comum o horário de expediente acabar e as pessoas continuar trabalhando, mesmo aqueles que já concluíram suas tarefas diárias, porém sentem-se constrangidos de saírem e deixar os demais trabalhando.

O outro tópico mencionado, atividades em excesso, é na verdade uma evidência da falta de delegação. Como não confio em minha equipe ou motivo semelhante, acabo por centralizar grande quantidade de atividades e preciso sempre trabalhar mais, ficar depois do horário e torno-me em um dependente do trabalho.

Percebo que muitas pessoas inseguras em suas posições ou ambientes de trabalho tentam disfarçar com olhares tensos, respirações ofegantes, falas em alto volume ao telefone para que as pessoas ao redor vejam o quanto ela trabalha ou é indispensável. Os melhores profissionais gostam de trabalhar com pessoas competentes que geram os resultados esperados, em vez de serem sufocados por pessoas que fazem de tudo o dia todo e ao final entregam abaixo do esperado.

Instituto Jetro -  Os resultados do Worklover sempre serão melhores?

Rafael - Ambos produzirão resultados. Tanto os Workaholics como os Worklovers. A diferença está na forma como esses resultados serão alcançados. As pessoas querem produzir, porém o que é melhor: produzir debaixo de pressão ou dentro de um planejamento? Trabalhar em meio ao caos ou em um ambiente organizado? Ser o tempo todo cobrado por melhoria ou ser reconhecido pelo trabalho executado? Devido ao estilo do Worklover que sabe que suas realizações profissionais dependem diretamente de sua vida pessoal e relacionamento, o worklover procura com que sua equipe também desfrute de tempo de lazer, momentos com a família e amigos fora do trabalho. Portanto, ambos produzem resultados, porém os caminhos escolhidos pelo Worklover geram mais satisfação, alegria e prazer e consequentemente esses resultados podem ser melhor avaliados pelas equipes.

Instituto Jetro - Você acredita que há mais pastores e líderes worklovers ou workaholics? Comente.

Rafael - Na minha opinião, vivemos duas "neuras" em nossas organizações: A redução de custo e a cobrança por resultados. Cabe destacar que são duas situações positivas e que devem ser buscadas pelas organizações, porém a obsessão nessa busca, traz consequências desagradáveis às organizações. O primeiro fator, redução de custo, faz com que as equipes sejam "enxugadas" ao máximo. Nesse contexto, Líderes e Pastores precisam atentar-se para não fazer tudo em suas organizações. Quanto a cobrança por resultados excessiva, estimula uma comparação entre ministérios quanto aos números e realizações. Líderes e Pastores precisam avaliar periodicamente se estão realizando suas atividades de forma "apaixonada", onde, o cuidado com as pessoas e suas necessidades está sendo supridas, ou de forma "obcecada" no qual prevalecem os resultados maximizados com custos minimizados.

Eu quero acreditar que temos uma maioria de Worklovers entre Pastores e Líderes. Ou seja, homens e mulheres apaixonados pela grande comissão, comprometidos com a colheita, porém que sabem discernir os diferentes papéis que exercem na terra: ministros, pais e mães, filhos, que possuem familiares, que precisam de amigos, desfrutam de momentos de lazer, praticam esportes, estudam e por esses motivos, associados à graça de Deus podem ir além em seus ministérios.

Instituto Jetro -  Os Workaholics não conseguem se desligar do trabalho e geralmente sua vida familiar e demais relacionamentos estão em crise. O que fazer?

Rafael - Fazer uma auto-avaliação sincera e buscar o auxílio de um conselheiro espiritual mais maduro e comprometido com a verdade. Existem situações em nós que não conseguimos identificar. Para mim, o workaholic está levando essa vida na tentativa de preencher um vazio em sua vida ou de evitar alguma situação que precisa ser resolvida. E como consequência, aqueles que mais nos amam, são os que pagam o preço mais alto: família e amigos.

Para identificar se você está mais para Workaholic faça algumas perguntas para você mesmo: Quantas horas estou trabalhando por dia? Quanto tempo tenho investido em minha família? Qual é o nível e a profundidade das minhas conversas com meu cônjuge? Eu tenho amigos? Há quanto tempo não faço exercícios físicos? Por quê eu tenho que trabalhar tanto?

Essas perguntas serão seguidas de momentos de silêncio. Muitas vezes entramos nesse estilo de vida por falta de entendimento. Achamos que mais horas no trabalho, significa maior produção. Precisamos tomar cuidado. Após um breve momento de silêncio e reflexão, rabisque algumas atitudes que precisam mudar em sua vida. Compartilhe esse plano com um conselheiro. Execute ações práticas para que a mudança seja estabelecida em sua vida.

Instituto Jetro - Quais os conselhos para pastores e líderes quanto à sua relação com o trabalho?

Rafael - Amem seu trabalho! Se você é um líder sirva com intensidade e empenho. Se você é pastor ame o que você faz. Seja apaixonado. Mas saiba que o seu trabalho somente terá significado se ele envolver vidas. Vidas transformadas, vidas restauradas, vidas reconciliadas. E talvez a primeira vida que precisa ser transformada é a nossa própria vida. Não insista no erro, seja humilde, independente de sua posição, para reconhecer que cometeu equívocos e que está disposto a ser uma pessoa melhor, que busca refletir a imagem e semelhança de Deus.

O seu trabalho é o meio e não o fim. É o meio pelo qual as pessoas ouvirão, serão ministradas e tocadas. Porém o fim é a Salvação em Cristo Jesus e isso não depende em nada do nosso trabalho, pois já foi consumada na cruz de Cristo. Cuide-se pois seu trabalho é de alto nível, mas você não deve se tornar em um "Executivo de Vidas", antes, manter-se como servo que possui o privilégio de participar da grande obra de Deus para a humanidade.

Instituto Jetro - Por onde começar?

Rafael - Após a auto-avaliação e aconselhamento com uma pessoa que seja um referencial, líderes e pastores devem colocar em prática um plano de ação para que essas ideias saiam do papel e tornem-se realidade. Por exemplo, um Líder ou Pastor que está sobrecarregado e trabalhando muitas horas a mais por dia, deve avaliar a possibilidade de contratar alguém ou criar departamentos em sua igreja ou ministério.

Outro que talvez esteja acima do seu peso, sentindo-se cansado, pois não tem tempo para atividade física devido ao seu trabalho, deve estipular uma data para um check-up médico e após isso determinar uma rotina de treinamentos, começando devagar e com uma mudança em sua alimentação também.

Ou aquele que identificou que está desequilibrado, ficando muito no trabalho e pouco com a família e amigos, deve encarar os gigantes e determinar uma mudança radical em sua rotina. Ao perceber e conviver com essas pessoas, Deus colocará palavras e conceitos em seu coração que alimentarão muito melhor o seu rebanho. Deus abençoe a todos.

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Título do artigo: Você é : Workaholic ou Worklover?
Autor: Rafael Favil Santos


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