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Superar ou não os famosos paradigmas?

Entrevista com Tom Coelho
Publicado em 03.08.2016

Muitas pessoas sentem uma extrema dificuldade de aceitar determinados processos inovadores em suas rotinas, principalmente quando se encontram no contexto organizacional. Na maioria dos casos, esses indivíduos até tentam aceitar as inovações, mas existe algo que os "impede" de dizer sim ao "novo" e precisam de um "tempo" para se adaptarem à realidade que parece ser inevitável. Isso acontece porque cada indivíduo carrega consigo uma bagagem de aprendizado e determinados padrões de comportamentos que são mais conhecidos por paradigmas.

De acordo com o educador, escritor e consultor organizacional, Tom Coelho, um novo paradigma apenas é capaz de influenciar o surgimento de comportamentos, quando comprovada sua eficácia. "A partir da disseminação, o conceito se expande, recebendo adesão gradual, ampliando-se no meio. Normalmente, um novo paradigma surge a partir de uma iniciativa inovadora introduzida por uma pessoa ou um grupo que decidiu ousar, rompendo um padrão anterior", argumenta.
Em entrevista concedida ao RH.com.br, Tom Coelho faz uma abordagem objetiva sobre como velhos paradigmas podem ser "quebrados".

Tom Coelho é um Graduado em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP. É Consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA.

Tom CoelhoRH.com.br - O que são paradigmas? Tom Coelho - Paradigmas são padrões, modelos, métodos que, uma vez colocados em prática e demonstrada sua efetividade, passam a ser utilizados por todos e seguidos como referência.
RH - De que maneira os paradigmas surgem e passam a influenciar o comportamento das pessoas? 
Tom Coelho - Normalmente, um novo paradigma surge a partir de uma iniciativa inovadora introduzida por uma pessoa ou um grupo que decidiu ousar, rompendo um padrão anterior. Todavia, o novo paradigma apenas é capaz de influenciar novos comportamentos quando comprovada sua eficácia. A partir da disseminação, o conceito se expande, recebendo adesão gradual, ampliando-se.


RH - Ao chegar à empresa, para o profissional o que mais pesará no dia a dia: os paradigmas que ele formou ao longo da vida ou os aqueles que encontrará dentro da organização? Tom Coelho - Em princípio, os estabelecidos na organização, em especial se a empresa tiver uma cultura corporativa sólida, com valores consistentes, disseminados e efetivamente praticados. Todavia, isso não significa que tais princípios não possam ser alterados. Assim, se o profissional em questão observa que mudanças devem ser feitas, baseado em sua experiência anterior, caberá a ele propor os novos paradigmas, utilizando da persuasão e de uma comunicação assertiva para sensibilizar os demais sobre os benefícios de sua proposição.

RH - Existe uma afirmação no meio organizacional: "Para mudar, é preciso vencer velhos paradigmas". Isso é uma regra para se chegar ao desenvolvimento?
Tom Coelho - É necessário cuidado com este tipo de colocação. Primeiro, porque não se deve tomar os velhos paradigmas como necessariamente ruins ou ultrapassados. Segundo, porque paradigmas diferentes podem coexistir. Assim, muitas vezes o desenvolvimento pode decorrer da evolução do paradigma anterior e não necessariamente pela introdução de um novo conceito.

RH - Quais os caminhos ou recursos mais utilizados para se vencer paradigmas?
Tom Coelho - Estimular a inovação, envolvendo toda a organização e não apenas áreas ou departamentos específicos. Isso por ser feito mediante reuniões de alinhamento ou brainstorming ou simplesmente através da implementação de caixas de sugestões para angariar ideias. Também é importante disseminar o conceito de que o erro é inerente ao processo, o que não significa estimulá-lo, mas entendê-lo, aprender a lidar com ele e, evidentemente, evitar a ocorrência dos "mesmos erros". Importante também uma atenção especial a pessoas mais tímidas ou introspectivas, pois podem se sentir constrangidas para apresentar sugestões, motivo pelo qual devem ser apoiadas e estimuladas.

RH - Superar paradigmas que se carrega há anos, é sinal significativo de que o profissional deseja sair da zona de conforto?
Tom Coelho - Certamente. As pessoas têm uma resistência natural à mudança. É mais fácil permanecer onde está, fazendo as coisas como sempre foram feitas. Por isso, além de sair da zona de conforto, também é necessário enfrentar o medo. Você faz o que te dá medo e ganha coragem depois, não antes.

RH - A superação de paradigmas, por parte dos colaboradores, é essencial para que uma empresa apresente uma Gestão de Pessoas diferenciada?
Tom Coelho - A verdade é que na maioria das empresas não há "Gestão de Pessoas", mas tão somente um "departamento pessoal". Uma área voltada a questões burocráticas, preocupadas em cumprir a legislação, monitorar o cartão de ponto, os períodos de férias... Quando há, de fato, uma Gestão de Pessoas, o foco está no indivíduo e acaba sendo natural o desenvolvimento e valorização da equipe e, por conseguinte, da própria organização.

RH - Quais os benefícios que a quebra de paradigmas traz a uma empresa, a partir de uma visão holística?
Tom Coelho - A possibilidade de repensar o negócio, vislumbrar novos consumidores e mercados de atuação, identificar os principais talentos da equipe, desenvolver um planejamento de longo prazo e integrar os departamentos da organização de forma sinérgica.

Entrevista cedida gentilmente pelo Rh.com.br, leia a entrevista na íntegra.
Para reprodução solicitar autorização pelo fale conosco do Rh.com.br.

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Título do artigo: Superar ou não os famosos paradigmas?
Autor: Tom Coelho


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