Renovar, revigorar e revitalizar - Entrevistas - Instituto Jetro

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Renovar, revigorar e revitalizar

Entrevista com Rodolfo Garcia Montosa
Publicado em 05.02.2004

Os princípios de Deus para a implantação do Seu Reino são eternos e imutáveis. Mas nós, aqueles que trabalhamos pela causa de Jesus, montamos estruturas, sistemas e métodos para tentar cumprir a missão que Ele nos confiou mais eficazmente. Como humanos é evidente que, à certa altura, vamos falhar ou nossa produtividade vai decrescer. Quando isso ocorre, é hora de parar e avaliar se os meios empregados estão realmente conseguindo nos conduzir com êxito aos fins propostos. Para falar sobre o tema, entrevistamos o diretor do Instituto Jetro, Rodolfo Montosa, graduado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas, MBA pela USP, com extensão na Universidade de Vanderbilt (USA) e École de Management du Lyon (França), e Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana (FTSA).

foto de Rodolfo Garcia Montosa

 Quando é hora de renovar, revitalizar e reorganizar o ministério e/ou a Igreja?

Rodolfo Montosa – Em primeiro lugar é preciso estabelecer um parâmetro entre forma e essência para verificarmos como está a relação entre os dois. Um dos textos bíblicos que trata dessa relação mais claramente está em Marcos 2:18 a 22. Ao analisarmos esse texto, vemos que os fariseus valorizavam a forma - "cumprimento da lei" - sem maior preocupação com a essência. Já Jesus resgatou a essência ao afirmar a "lei foi feita para os homens e não os homens para a lei". E isso sem deixar de cumprir a Lei (forma). Devemos olhar para a forma e essência como a vasilha e o vinho. As duas devem ter um relacionamento dinâmico e harmonioso. Quando a relação entre as duas não está em equilíbrio, aí sim podemos concluir que está na hora de renovar, revitalizar e reorganizar.

Uma dificuldade em perceber a existência do equilíbrio entre forma e essência não seria a conceituação das duas palavras? Você acha que os líderes sabem a diferença entre uma e outra?

Rodolfo Montosa – Na verdade, todos nós temos uma grande dificuldade para discernir forma de essência. Pense a respeito dos cultos dominicais; pense a respeito das finanças da Igreja; pense a respeito do Louvor; pense a respeito do discipulado – você consegue definir com clareza onde está a forma a essência?

Em termos práticos, qual é, então, a diferença entre as duas?

Rodolfo Montosa – A forma relaciona-se com estrutura, organização, estratégia e tecnologia. A essência relaciona-se com missão, propósito e visão. A forma é criada a partir da essência. Já a essência é vivenciada de alguma forma. Um exemplo prático: a Terra era sem forma e vazia até que Deus deu forma e essência (sopro de vida). 

O que pode acontecer quando a forma interfere na essência e vice-versa?

Rodolfo Montosa – A forma pode: sufocar a essência, confundir-se com a essência, tornar-se a própria essência. A essência pode: romper a forma e perder-se, confundir-se com a forma, tornar-se a própria forma.

Como se dá a reorganização?

Rodolfo Montosa – Na prática, reorganizar é reformar. Mas, para fazer isso, precisamos questionar tudo a partir da essência. Isso inclui perguntar o porquê de tudo o que fazemos e como fazemos. Também importa analisar se estamos sendo criativos na forma para o cumprimento da essência.

O que é preciso reorganizar dentro da Igreja?

Rodolfo Montosa – Reorganizar implica em reformar uma série de coisas. Entre elas estão organogramas, serviços, atividades, agenda, prioridades, finanças, comunicação, nossas próprias regras.

Quais são os principais desafios quando partimos para reorganizar a Igreja?

Rodolfo Montosa – É preciso pensar sistemicamente, isso quer dizer, liderar e conectar sistemas. Para isso, devemos nos esforçar para conseguir compreender pessoas em suas expectativas e capacidades. Como conseqüência, é claro, implica em solucionar problemas. E, finalmente, para atingir nossos objetivos, é necessário dotar a Igreja (ou a organização) de visão, significado, direcionamento e foco.

Como fazer isso?

Rodolfo Montosa – Existem algumas etapas que, se seguidas, podem facilitar a reorganização. Ao reorganizarmos os processos, temos que estar focados no propósito. Quando formos lidar com as pessoas (equipes), não podemos esquecer que elas trabalham ao redor dos processos. Na hora de interferirmos nos sistemas de informação, qualquer que seja a mudança, é imprescindível que os sistemas sempre orbitem ao redor dos resultados. Já as finanças da igreja, ministério ou organização têm que ser planejadas e direcionadas a partir das atividades fim. E, permeando todo os passos anteriores e instâncias já trabalhadas, está a comunicação que, como a própria palavra diz, tem como função tornar as informações comuns a todos, o tempo inteiro durante o processo, além de dar significado, direcionamento e foco.

GLOSSÁRIO

Sistema: refere-se a relações e interdependências em grande escala. Constituem-se em vários subsistemas e inúmeros processos

Processos: referem -se a componentes de um sistema ou subsistema. Tem propósitos e funções próprios, mas como processos não podem realizar o propósito de um sistema

Atividades: referem-se a componentes de um processo. Uma ocorrência em uma seqüência que interage com outros passos ou atividades para servir ao propósito do processo

DIVISÕES

Sistema

Macrosistema: reino de Deus

Sistema: igreja invisível

Processo

Subistema: igreja localMacroprocesso: ajuntamentos da congregação

Processo: culto dominical

Microprocesso: recepção e integração de visitantes

Atividades

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Título do artigo: Renovar, revigorar e revitalizar
Autor: Rodolfo Garcia Montosa


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