Redcliffe: Treinamento em Missões Interculturais - Entrevistas - Instituto Jetro

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Redcliffe: Treinamento em Missões Interculturais

Entrevista com Rosalee Velloso Ewell
Publicado em 23.05.2017

Redcliffe College anunciou que o Dr. C. Rosalee Velloso Ewell será a próxima diretora, juntando-se ao Colégio em setembro deste ano. Dr. Velloso Ewell é atualmente Diretor Executivo da Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial (WEA), tendo anteriormente desempenhado funções no Seminário Teológico da América do Sul e como editor do Novo Testamento para o projeto latino-americano Bible Commentary da Langham Partnership .

Rosalee nasceu e cresceu no Brasil, e é casada com Sam, um missionário americano trabalhando em Birmingham. Para a Redcliffe "a nomeação da Dr.ª Velloso Ewell ressoa especialmente bem com o patrimônio do Colégio, com o seu batimento cardíaco e com o seu compromisso contínuo de tornar a formação de alto nível acessível aos missionários e ministérios, onde quer que estejam". 

Drª. C. Rosalee Velloso Ewell é mestre em Teologia pelo Fuller Theological Seminary, Ph.D em Teologia e Ética pela Duke University, e Bacharel em Artes  e Ciências da Religião pela Westmont College. É Diretora Executiva da Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial e editora do Novo Testamento do Comentário Bíblico Contemporâneo Latino-Americano é ainda, autora e editora de vários livros e artigos. Seus outros projetos incluem um livro como co-autora sobre a história teológica global de missão e evangelismo, vários estudos em relações inter-religiosas e reconciliação, e pesquisa sobre a pobreza, riqueza e justiça. Ela atualmente vive e trabalha com sua família em um bairro multi-étnico em Birmingham, na Inglaterra.

Confira abaixo um pequeno bate-papo que o Instituto Jetro teve com Drª Rosalee sobre a Redcliffe.  

Rosalee Ewell

Instituto Jetro - O que significa esta oportunidade de servir a Deus na Redcliffe?

Rosalee - Redcliffe foi a primeira faculdade no Reino Unido treinando mulheres para a missão é uma herança irrefutável na formação de pessoas e formando pessoas para fazer missão em um lugar que nem todos podem querer ir. O que me excita no futuro da Redcliffe é fundamentalmente o quem somos como uma faculdade que está na vanguarda, a frente no pensamento missionário. Treinamos mulheres e homens de uma maneira que reconheçam as paisagens mutáveis do ensino superior, pois tudo está mudando tão rapidamente e também as paisagens mutáveis da missão e como a missão é feita. E é por isso que eu acho que a Redcliffe está em um lugar realmente na vanguarda desse treinamento, da pesquisa acadêmica séria que também tem seus pés no chão e seus ouvidos abertos para o que o Espírito está nos dizendo e como Deus está nos guiando. Para mim é um retorno à sala de aula e uma oportunidade para treinar mulheres e homens para o ministério, para o trabalho intercultural, e também pra aprender dos alunos e de outros professores sobre tudo que Deus está fazendo neste mundo.

Instituto Jetro - Poderia falar um pouco sobre os objetivos e a fundação da Redcliffe?

Rosalee - Redcliffe é um centro de treinamento em missão e ministério interculturais. A instituição tem 125 anos e começou como o 1º centro de treinamento para mulheres no Reino Unido. Os cursos focam 3 áreas: liderança, cuidado de missionários e suas famílias, e bíblia. Dentro das áreas existem ênfases, por exemplo, justiça e mediação de conflitos. Todos os cursos são convalidados por uma universidade na Inglaterra pois esta é a lei deste país, temos convênios com as Universidades de Gloucestershire e Trinity College . Temos também cursos oferecidos na Austrália e no futuro teremos também módulos na Índia, Estados Unidos e talvez, África do Sul. Estamos no começo destas conversas. Quem sabe a gente também consegue fazer algo no Brasil!

Instituto Jetro - Como disse, a Redcliffe foi a 1ª escola no Reino Unido com treinamento para mulheres. O que você poderia dizer sobre as mulheres em missões e na liderança? 

Rosalee - Uma das coisas mais interessantes na história da Redcliffe é que as mulheres treinadas foram para todos os cantos do mundo, ensinando, pregando, trabalhando como médicas ou enfermeiras, etc. Mas quando elas voltavam pra Inglaterra a maioria não podia nem dar um curto relato em suas igrejas no domingo pela manhã sobre o seu trabalho missionário. Creio que, historicamente, algumas mulheres se destacaram mais em missões porque no campo missionário as barreiras para o ministério não eram tantas quanto tiveram de enfrentar em suas terras natais. Este foi o caso, por exemplo, de muitas missionárias inglesas na Índia, no século 19. Lá, podiam ensinar a Palavra, pregar, participar e organizar os cultos, entre outras atividades. Mas os líderes das igrejas na Inglaterra tinham medo de permitir que as mulheres exercessem as mesmas funções em casa. Com o tempo isso foi mudando, apesar de ainda ser muito difícil para muitas mulheres terem seus dons reconhecidos pela igreja. 

Instituto Jetro - Relatórios apontam um total de 65,3 milhões de pessoas deslocadas por guerras e conflitos até o final de 2015. Desses 65,3 milhões, 12,4 milhões são novos deslocados por conflitos e perseguições apenas em 2015 e 51% são de crianças. As estatísticas mostram que 1 a cada 113 pessoas no mundo é uma deslocada interna ou refugiada. O deslocamento global é maior do que nunca, 10% de pessoas no mundo estão em movimento. Qual o objetivo do treinamento para trabalhadores com refugiados? Já há alunos trabalhando com refugiados?

Rosalee - Sim, temos alunos trabalhando na Grécia, no Iraque, Síria e outros lugares de muito conflito. Os objetivos dos cursos de treinamento são principalmente dois: (i) reconhecer que não existe uma metodologia só para cuidar ou ministrar entre os refugiados - o problema é bastante complexo e requer a cooperação de vários, como por exemplo missionários e psicólogos trabalhando juntos com crianças traumatizadas pelas guerras e violência; trabalho com a ONU e outras organizações mundiais em termos dos problemas econômicos e políticos que geram mais conflito, trabalhando com lideres já estabelecidos nos campos de refugiados e aprendendo a ouvir o que Deus já está fazendo naquele local. (ii) há também o aspecto de treinamento pastoral e de cuidado do próprio aluno ou missionário. Trabalho com refugiados pode levar rapidamente a um alto nível de stress e de "burnout," com altos índices de depressão e exaustão entre os trabalhadores. Por isso esta parte do treinamento tem a ver com cuidado próprio, com trabalho em equipe e a necessidade de sabáticos, de ter um tempo afastado para oração e revigorar a mente, alma e corpo.

Instituto Jetro - Não vemos nos cultos das igrejas brasileiras apelos para os vocacionados, como víamos antigamente. O que recebemos de informação é que o cristianismo na Europa está "apagado". O mundo clama! De onde virá os vocacionados, em sua opinião? Você acredita que este cenário está mudando?

Rosalee - Deus sempre tem mulheres e homens, crianças e jovens que trabalham para o reino, muitas vezes sem ninguém saber. O cenário do cristianismo mundial mudou muito nos últimos anos - todos sabem disso. Se Deus está chamando mais a pessoas do hemisfério sul para levar a boas novas para o resto do planeta, amém! O que todos nós precisamos é abrir a mente, abrir os olhos para vermos que muitas vezes o reino vem através daqueles que nós consideramos como os de fora, os "outros", ou até através do inimigo. Tal como Pedro e Cornélio (Atos 10), o Espírito de Deus age em quem quer, apesar de nossos protestos e preconceitos. Pedro teve que aprender esta lição. Demorou, mas enfim ele viu que Deus está presente e agindo através de gente que menos espera. Ainda bem!

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Título do artigo: Redcliffe: Treinamento em Missões Interculturais
Autor: Rosalee Velloso Ewell


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