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Pregação e a arte de pregar bem

Jilton Moraes
Publicado em 03.09.2012

"De um lado o apego cada vez maior ao espetáculo; do outro, o sentimento inquietante de que precisamos voltar a ter sermões e pregadores mais comprometidos com a  verdade bíblica e menos interessados em agradar a audiência ou comover a platéia. O sermão dominical tem que alimentar a alma"!

Pregar é uma das mais árduas tarefas que podemos desempenhar: Não se trata de apenas elaborar e desenvolver um sermão, mas envolve uma série de cuidados não só com o que vai ser proferido, mas, de igual modo, com quem vai proferi-lo.

Como é possível pregar bem? Quais os fatores que estão envolvidos na pregação excelente?

O Instituto Jetro entrevistou o Pr. Jilton Moraes para falar sobre este assunto tão importante na vida e ministério dos pastores.

Jilton Moraes é pastor com vasta experiência na área da pregação. Durante quatro décadas, dirigiu igrejas em Fortaleza, Belém, Teresina e Recife. É doutor em Teologia, pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil e professor de Homilética, Prática de Pregação e outras disciplinas teológicas em faculdades e seminários há mais de trinta e cinco anos. É autor do romance "A riqueza maior"  e dos livros: "Homilética: da pesquisa ao púlpito" , "Homilética: do púlpito ao ouvinte"  e  Aventuras de um Pregador Iniciante publicados pela Editora Vida, "O clamor da Igreja: em busca de excelência no púlpito" pela Mundo Cristão.

Jilton Moraes 
O Sr. é autor de vários livros sobre pregação. Qual o objetivo maior destes livros e os motivos para sua existência?

Jilton: O objetivo maior dos meus livros é o de ver a pregação evangélica se tornar mais bíblica e cristocêntrica. Eles existem com o objetivo de equipar e atualizar pregadores a um melhor desempenho no púlpito.

O que é a homilética e quais são os seus aspectos essenciais?

Jilton:  Homilética é a ciência que nos ajuda a amar a Palavra de Deus para, assimilando os seus princípios, sermos edificados e capacitados a construir uma pregação com base bíblica, capaz de falar presente, e lançar desafios ao futuro, objetivando apresentar Jesus, poder e sabedoria de Deus.     

Quais são as ferramentas básicas para o preparo de um sermão por um pregador iniciante?

Jilton: Para qualquer pregador, a ferramenta indispensável é a Bíblia Sagrada. Uma vez que ela é a Palavra de Deus e o pregador se apresenta como porta-voz de Deus. Pregadores iniciantes e antigos necessitam das mesmas ferramentas: tudo quanto for útil para melhor compreensão do texto e dos ouvintes.

Temos à disposição na Internet inúmeros sermões prontos. Em sua opinião, podemos usar o esboço de outro pregador?

Jilton:  Às vezes o esboço de outro pregador é tentação, como o melhor a ser pregado. Mas nenhum sermão será melhor a um pregador do que aquele que ele mesmo preparou. Sermão não é uma mercadoria, é vida e vida diante de Deus. O pregador o recebe de Deus, com a responsabilidade de comunicá-lo aos ouvintes. Não é usando recursos alheios que o pregador se capacita, mas quando se dispõe a colocar os seus recursos nas mãos do Senhor. O melhor esboço não é o que foi preparado por um professor de Homilética ou por um notável pregador, mas o que custou tempo e capacidade de quem vai pregá-lo. Pregar é, não apenas uma tarefa abençoada, mas, de igual modo, bem suada.  

Como usar a criatividade no uso das ilustrações e na escolha apropriada da introdução e conclusão do sermão?

Jilton:  As melhores ilustrações vêm da Bíblia e da experiência pessoal. Precisamos estudar a palavra e do mesmo modo estudar os nossos ouvintes; conhecer a Bíblia e conhecer o povo. Quanto à criatividade, em qualquer parte do sermão, creio que a ocasião, os recursos disponíveis e o bom senso do pregador são determinantes. 

Quais os erros mais comuns dos pregadores? Como vencê-los?

Jilton:  Tenho um livro intitulado: O clamor da igreja: em busca de excelência no púlpito. Os ouvintes clamam contra a ausência de Bíblia, atualização, atração, desafios, unidade, carisma, síntese. Há outras queixas, mas creio que devemos nos ater mais ao anúncio do que à denúncia. É importante que ajudemos os pregadores a encontrar o caminho para um sermão bíblico, atual, atraente e desafiador; pregado com unidade, carisma e síntese.

Como lidar com o nervosismo, a timidez e insegurança no púlpito?

Jilton:  Pregando. Quanto mais pregamos, estudamos a Palavra e conhecemos os nossos ouvintes, mais vamos perdendo o nervosismo no púlpito.

Como identificar e interpretar o feedback do público ouvinte?

Jilton:  Com toda humildade. O melhor parâmetro é através dos frutos: pregamos objetivando mudanças comportamentais; não apenas mãos que se levantam, pessoas que vão à frente, elogios de porta de templo, mas a mudança nos ouvintes, a começar da própria igreja. Mais importante do que número de decisões é a qualidade de vida.

Quais os conselhos para pastores e líderes que desejam pregar melhor?

Jilton:  Priorizem a pregação. Nada é mais honroso e exigente do que pregar.

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