Por que o lado comportamental é valioso para os talentos - Entrevistas - Instituto Jetro

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Por que o lado comportamental é valioso para os talentos

Clarice Perrone
Publicado em 30.06.2015
Nunca se demitiu tanto por questões relacionadas ao comportamento dos profissionais. Essa tem sido uma realidade constatada por empresas que cada vez mais percebem que não basta apenas que o colaborador traga em sua bagagem uma ótima experiência técnica. Hoje, tornou-se fundamental contratar pessoas que saibam lidar com situações que exigem muito mais o "tato comportamental" do que o conhecimento comprovado via certificados. Consequentemente, isso tem levado os selecionadores a tentarem identificar competências comportamentais valiosas à rotina corporativa como, por exemplo, assertividade, espírito de equipe e de liderança. Contudo, essa não é uma tarefa nada fácil de ser realizada mesmo para quem aplicar as mais atuais ferramentas de seleção.

Segundo Clarice Perrone, especialista em competências comportamentais e que integra o Grupo Questão de Coaching, atualmente buscam-se profissionais que consigam lidar com ambientes de muita pressão e competição. "Diante dessas situações, os profissionais precisam manter o equilíbrio emocional, estabelecer bons relacionamentos e serem capazes de inovar, correr riscos e assumirem a responsabilidade por resultados cada vez mais desafiadores", complementa. Em entrevista concedida ao site RH.com.br, Clarice pontua quais são as competências comportamentais mais valorizadas pelas organizações, bem como de que maneira a área de Recursos Humanos pode dar suporte para que os líderes e os times possam estabelecer uma maturidade comportamental que influencie positivamente o clima organizacional. 

RH.com.br - Por que subiu tanto o número de desligamentos por causa de questões comportamentais?

Clarice Perrone - Os desligamentos por questões comportamentais sempre foram maiores do que os gerados por problemas técnicos. Já se diz faz algum tempo que as pessoas são contratadas por suas competências técnicas e formação, e demitidas por seus comportamentos. Isso se deve em grande parte porque é mais fácil avaliar a competência técnica dos candidatos durante o processo seletivo do que prever qual será seu comportamento no ambiente de trabalho, mesmo utilizando técnicas de dinâmicas de grupo ou entrevistas por competências. Por mais sofisticado que seja o processo seletivo, ele sempre envolve uma possibilidade de erro. Se, de fato, houve um aumento no número de desligamentos por questões comportamentais isto pode estar ligado a uma mudança no perfil dos profissionais de hoje, que tendem a falar mais o que pensam, a enfrentar seus superiores, a serem mais competitivos e menos submissos do que as gerações anteriores.

Clarice Perrone

RH - Em sua opinião, por que cada vez mais as pessoas sentem dificuldades para se relacionarem no ambiente de trabalho?

Clarice Perrone -
O ambiente de trabalho atual é bastante competitivo, valoriza conquistas individuais mais do que conquistas de grupo, as pessoas em geral querem galgar postos elevados cada vez mais rápido, querem se sobressair no grupo e isso tende a gerar conflitos e problemas de comunicação principalmente quando não compartilham informações como forma de exercer o poder e se tornar imprescindível para a organização.

RH - O individualismo gerado, em parte, pela tecnologia pode ser apontado como um dos fatores que contribuem para os conflitos de natureza comportamental?

Clarice Perrone -
Não acredito que a tecnologia gere o individualismo no ambiente de trabalho, a não ser que seja mal utilizada. O avanço tecnológico, pelo contrário, pode facilitar a interação entre as pessoas, gerar maior aproximação e agilidade na comunicação. Desde a utilização de e-mails até aplicativos de reuniões virtuais em aparelhos móveis, salas de teleconferências, encurtam distâncias e evitam desperdícios de tempo.

RH - Quais seriam as competências comportamentais mais valorizadas pelo mercado, porém mais difíceis de serem identificadas nos profissionais?

Clarice Perrone -
Atualmente buscam-se profissionais que consigam lidar com ambientes de muita pressão e competição e que consigam mesmo nessas situações manterem o equilíbrio emocional, estabelecer bons relacionamentos e serem capazes de inovar, correr riscos e assumirem a responsabilidade por resultados cada vez mais desafiadores. Dentro deste cenário a resiliência, entendida como a capacidade de resistir às adversidades e reagir diante de uma situação, tem sido a competência mais exigida pelo mercado.

RH - Quem deve trabalhar o lado comportamental dos profissionais: o talento ou a empresa?

Clarice Perrone -
A empresa tem sua responsabilidade na medida em que deve fornecer feedbacks construtivos quando percebe falta de alinhamento do funcionário em relação aos comportamentos que são esperados pela empresa, mas acredito que a responsabilidade maior é do próprio talento, pois a mudança de comportamento só acontecerá se ele assim o desejar e sentir que terá ganhos com essa mudança. A empresa pode criar programas que apoiem os funcionários na mudança de comportamentos, mas caberá a eles se comprometerem com isso e sentirem que é relevante para suas carreiras e que não fere seus valores.

RH - Qual o papel da liderança diante do desenvolvimento comportamental dos times?

Clarice Perrone -
O papel da liderança é fundamental para o desenvolvimento comportamental dos times desde deixar claro o que é esperado de cada funcionário, fornecer feedback constante e acompanhar de perto o desempenho de cada um. É importante saber como lidar com cada membro da equipe uma vez que as pessoas são diferentes, portanto o líder tem que ter flexibilidade e saber como lidar com o perfil de cada funcionário. Alguns vão necessitar de mais direcionamento, outros de mais participação e delegação para se sentirem motivados e apresentarem um bom desempenho. O líder deve ser coach da equipe no sentindo de apoiar os funcionários na busca de soluções para o seu próprio desenvolvimento e aprimoramento de suas competências.

RH - Um líder sempre influencia o lado comportamental da equipe?

Clarice Perrone -
Sim, o líder sempre influencia o comportamento da equipe. Aliás, faz parte do papel do líder influenciar pessoas e a forma com que faz isso pode despertar reações positivas ou negativas por parte da equipe. O líder representa a empresa e é visto, em geral, como um modelo por seus liderados. Portanto, seu discurso e suas ações terão grande impacto na motivação e comprometimento da equipe.

RH - De que forma a área de RH pode dar suporte ao desenvolvimento comportament

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