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O conflito de gerações na Igreja

Entrevista com Wellington Moreira
Publicado em 19.03.2013

Um dos maiores desafios da Igreja está em atender as necessidades e expectativas de gerações tão diversas. Como promover um clima harmonioso com 4 gerações dentro da Igreja, cada qual achando que seu pensamento e modo de agir é o mais correto?

O Instituto Jetro buscou a expertise de Wellington Moreira para responder questões sobre este conflito de gerações vivenciado tanto por empresas privadas como igrejas e demais organizações.

Wellington Moreira é Mestre em Administração de Empresas, com MBA em Gestão Estratégica de Pessoas (Fundação Getúlio Vargas). Atua como palestrante e consultor empresarial nas áreas de Planejamento Estratégico e Desenvolvimento Gerencial, também é professor universitário. Autor de três livros: "O gerente intermediário", "Como superar o medo de falar em público na Igreja", "Aprendendo a falar em público". Editor do site http://www.wellingtonmoreira.com.br/ . Diretor-executivo da Caput Consultoria

 Foto de Wellington Moreira
Temos 4 gerações distintas trabalhando juntas nas organizações. Poderia falar um pouco sobre as características destas e o desafio que isto representa?
Wellington - Os tradicionais são aqueles nascidos até 1950, que se dedicam integralmente ao trabalho, dão grande valor a todo tipo de sacrifício necessário para alcançarem seus propósitos, cultuam a hierarquia e compreendem que as recompensas muitas vezes demoram pra chegar. Seu lema preferido é: o dever vem antes do prazer.

Já os chamados Baby-boomers são os profissionais que nasceram após a Segunda Guerra Mundial (de 1951 a 1964), tem por característica trabalharem com foco no curto prazo, são independentes, acreditam num mundo altamente competitivo e são revolucionários por natureza.

A Geração X, que nasceu entre 1965 e 1983 é formada por pessoas mais céticas, empreendedoras, que buscam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, acreditam na liderança por meio da competência e trazem consigo o pragmatismo. Além disso, trata-se de um grupo marcado pela inserção das mulheres no mercado e que transformou muitos dos costumes da sociedade contemporânea.

Por sua vez, os integrantes da Geração Y, que vieram ao mundo entre 1984 e 1990, são otimistas, multifuncionais e aprenderam desde cedo a aceitarem a diversidade em suas relações cotidianas. Decididos e autoconfiantes, não pensam duas vezes em mudar de emprego quando já não consideram enfrentar desafios que os impulsionem e ainda têm pressa por galgarem novas posições.

A comunicação é o maior problema? Quais as estratégias para assegurar um clima harmonioso?
Wellington - Sim, as dissonâncias existentes na comunicação entre os membros de diferentes gerações é algo que preocupa as organizações, pois tem provocado uma série de conflitos interpessoais desnecessários. Quanto às estratégias, é difícil afirmar quais são as mais eficazes, mas sem dúvida alguma o interesse acerca deste assunto tem tornado as pessoas mais conscientes sobre as particularidades de cada uma delas e melhorado consideravelmente o ambiente de trabalho em algumas empresas. Ou seja, é preciso trazer o problema à tona a fim de que as pessoas o conheçam e aprendam a tratá-lo.

Foi a revolução tecnológica que tornou mais significativas e evidentes as diferenças entre as gerações?
Wellington -
Creio que as inovações tecnológicas aceleraram o processo, mas o principal fator foi a melhoria da qualidade de vida que proporcionou um aumento significativo da expectativa de vida das pessoas e de suas carreiras. Resultado: as pessoas estão trabalhando um tempo muito maior de suas vidas, o que leva as organizações a terem pessoas de 18 anos em seus quadros, mas também gente que está chegando aos 70. Portanto, um problema que só surgiu agora, já que é a primeira vez na história das empresas que isto ocorre.

Quais os preconceitos que devem ser evitados nestas relações entre gerações diferentes?
Wellington -
O rótulo e a falsa ideia de que a minha geração é a melhor. Quando alguém diz, por exemplo, que os profissionais Y são apressados demais e pouco comprometidos com a empresa, esquece que também está reforçando o olhar de desconfiança de um monte de pessoas que serão responsáveis por formar estes profissionais. Em vez de olhar as diferenças, é preciso perceber a riqueza da complementariedade entre cada uma delas.

Na Igreja, como o líder pode agradar os antigos que cobram o retorno dos "marcos antigos" e os mais jovens que pedem o avanço das "novas conquistas"?
Wellington -
Criando ações que valorizam exatamente aquilo que é importante para cada uma destas gerações. Ninguém pode liderar uma igreja pensando apenas em atender as necessidades de um único grupo preponderante. Aliás, muitos jovens simplesmente desapareceram das igrejas cristãs porque não se sentiram acolhidos por elas. Não encontraram o aconchego que esperavam.

Quais os seus conselhos para que pastores e líderes das Igrejas obtenham o melhor de cada geração?
Wellington -
Mais do que conselhos, deixarei duas perguntas para refletirem: Você tem reservado um precioso tempo para conhecer profundamente os diferentes grupos que congregam em sua igreja e as particularidades que carregam dentro de si? E o que tem feito, na prática, para atender os anseios de cada um deles?

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Título do artigo: O conflito de gerações na Igreja
Autor: Wellington Moreira


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