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Mudanças: mulheres e drogas

Entrevista com Priscila Lhewicheski das Dores
Publicado em 01.12.2015

O Livro "Mulheres que precisam de mudança" traz um relato de vida de uma mulher que aprendeu, com o passar do tempo, que as verdadeiras e sólidas transformações começam quando intimamente há o convencimento de quem somos. Tudo depende do que cremos e quem pensamos que somos. Difícil ajudar o ser humano, quase impossível quando ele se nega a olhar no espelho. A trajetória não é curta, nem fácil. 

A autora, Priscila Lhewicheski questiona em seu livro: Porque as mulheres estão infelizes?  Onde está a sua alegria? No álcool? Nas drogas? Nos filhos? Na carreira? Com sua experiência de vida revela como é possível vencer o uso de drogas e os sentimentos que destroem a identidade de Filhos de Deus.Também revela o quão difícil foi sua jornada cristã e relacionamentos na Igreja.

Priscila é Técnica em Reabilitação de Dependentes Químicos pelo Instituto Federal do Paraná, com curso de Agente Comunitário e Líder de Grupo de apoio pela Cruz Azul do Brasil. Trabalhou 4 anos na Associação Água Pura(Londrina-PR), onde atende um grupo de mulheres, trabalhou por 3 anos no Projeto Mãos Amigas(Arapongas-PR). É supervisora e líder de célula a 10 anos.Trabalha com Aconselhamento e Discipulado e auxilia o Grupo de Mulheres Vitoriosas na IPI.

Priscila Lhewicheski

Instituto Jetro - O que os leitores de "Mulheres que precisam de mudanças" podem esperar do livro?

Priscila - Podem esperar o testemunho verídico de uma mulher que superou grandes lutas pessoais, familiares e sociais. Que com a graça de Deus, muita ajuda e oração, aprendeu a viver em liberdade. O livro também ensina a mulher dos nossos dias a buscar o verdadeiro amor- na fonte certa. E aborda a co-dependência, uma doença emocional que atinge a maioria dos nossos lares.

Instituto Jetro - No livro, você narra sua história de vida e conversão e das dificuldades para se sentir parte da Igreja. Poderia, em pouca palavras dizer o que foi sua vida antes do encontro com Cristo e suas maiores dificuldades na igreja? Como você acha que sua narrativa pode ajudar os leitores do livro?
Priscila - Antes de Cristo, eu era extremamente rebelde, usava drogas, álcool, vivia nas noites de Londrina, era atriz, hippie, sem rédeas, vivia numa família com muitos problemas de vício e também espirituais, estava perdida.
Minhas maiores dificuldades na igreja foi: aceitar os "diferentes" de mim, eu considerava o povo de Deus muito estranho e chato(desculpa a sinceridade), sentia-me bastante discriminada por minhas roupas e aparência extravagante. Na verdade, era eu que precisava de mudanças, mas no início, não pensamos assim. É um choque de realidade. As vezes eu falava coisas que chocava e assustava as pessoas da igreja, eu tinha comportamentos vulgares, demorei para compreender o que era pecado e o que era aceitável a Deus. Confesso que dei um pouco de trabalho para os meus líderes espirituais, mas Deus me aceitou daquela forma e eu não desistia de buscar o Senhor. Creio que o livro pode ajudar tanto os novos convertidos que estão chegando na igreja a perseverarem, quanto os líderes que estão cuidando das ovelhas, para que não desistam, mesmo diante das quedas e dos erros cometidos.

Instituto Jetro - Em um determinado momento você se pergunta "O que está acontecendo com a felicidade das mulheres? " Você acredita que as mulheres na Igreja também estão sendo influenciadas por essa "infelicidade" moderna?
Priscila -  Sim, acredito. Pois atendi e atendo muitas cristãs na minha caminhada que estão contaminadas por inúmeras propostas mundanas, mas não percebem isso. Principalmente as que nasceram num berço evangélico, têm muita dificuldade de aceitar "mudanças" no seu caráter por se considerarem "justas" ou " não tão pecadoras" em relação à aquelas que estão no fundo do poço. A mulher de hoje sofre muito por se comparar às outras, e isso desagrada a Deus, que nos fez únicas. E conseqüentemente nunca se sente adequada ou completa.
A mulher também está atarefada demais, sufocada com tantas exigências e compromissos e se esquece de cultivar seu tempo com o seu Senhor. Isso à levará à queda espiritual, que conseqüentemente, prejudicará outras áreas de sua vida.

Instituto Jetro - Poderia compartilhar as lições da transformação do barro em vaso quando comparada ao nosso processo de santificação?
Priscila - Na minha vida, todo processo do barro(eu) para se transformar num vaso(instrumento de Deus) foi dolorido. O processo que Deus usa para nos moldar, é Dele. Ele não nos avisa como vai fazer ou o que vai permitir, Ele simplesmente move sobre você inúmeros golpes que à luz da Palavra te ajudam a ser como Ele- santo. Em todos os meus "processos" eu queria correr, fugir e escapar de suas mãos. Mas agradeço todos os dias, por Ele não desistir de querer me usar. Podemos colocar 4 passos para se fazer um vaso: 1) A escolha do barro (de aproximadamente 200 tipos de barro, apenas 8 tipos podem ser usados na confecção de vasos. Sabe o que isso significa? se você foi escolhido pro Deus, é um barro especial. 2) O curtimento e pisamento. Momento o qual pensamos que Deus se esqueceu de nós.3) O molde. Quando Deus mexe por fora e por dentro, tira as impurezas, toca no profundo da alma. 4) O Fogo. É o momento em que o oleiro coloca o vaso no fogo, pois através do fogo ele fica resistente e pronto para ser usado.

Instituto Jetro - Parece-nos que as mulheres estão tendo mais envolvimento com drogas e álcool do que em décadas atrás. Você tem percebido isso no seu trabalho voluntário na Associação Água Pura? Quais as causas e como ajudar estas mulheres?
Priscila - Na verdade, essa é a geração mais consumidora de substâncias psicoativas que já houve na história. Hoje, a busca pelo prazer imediato e as influências opressoras da mídia, dos amigos e da própria família tem devastado multidões. Quando você inicia nas drogas, você decreta a sua morte. Pois todo o resto perde o valor. Trabalho na Associação Água Pura como voluntária com muita alegria e gratidão por ser o lugar que me acolheu quando comecei meu tratamento 15 anos atrás. Na tentativa de resgatar o dependente químico ou o co-dependente(familiar) deste caminho de morte. A dificuldade é que a mulher é mais vulnerável, fisicamente mais fragilizada, e emocionalmente mais resistente ao tratamento. As causas são inúmeras, mas quero levantar a principal: Família disfuncional, gera dependentes químicos.

Instituto Jetro - Um dos motivos para uma recaída é o fato das pessoas se isolarem, ainda que continuem na Igreja. Por que você acha que isso acontece e como cuidar das pessoas para que não caiam nesse isolamento? O que você tem a dizer àquelas "mulheres que precisam de mudanças"?
Priscila - Na verdade, o dependente recai porque é um doente (Adicto) e sempre será enquanto viver nessa terra, pois você se desintoxica fisicamente em alguns meses, mas a doença se torna incurável, segundo a OMS(Organização Mundial de Saúde), porque sempre teremos a dependência psicológica.A memória do prazer te leva a recair toda vez que você está frágil ou vulnerável- então essa é uma luta diária.

O isolamento é um dos sinais da recaída, porque faz parte do processo você não compartilhar com ninguém seus desejos, se culpar, se envergonhar, agir por conta própria, manipular os outros. Penso que a maior luta é mudar a forma de pensar do que seu caráter. Acontece que nem todos os dependentes querem pagar o preço da mudança(que é alto), exige muito esforço de si mesmo. Quem cuida desse pessoal tem que jogar limpo, falar sempre a verdade, mesmo que doa e orar muito para que Deus os convença dos seus erros. Digo à todas as mulheres que precisam de mudanças: Creia no poder de Deus, Aceite ajuda e Faça a sua parte.

Instituto Jetro - . Como a Igreja, os pastores e líderes podem ajudar as mulheres que têm maridos, pais ou filhos com dependência de álcool ou drogas?
A igreja precisa:
1- Identificar essas pessoas- um a um.
2- Orar por elas,
3- Chamar para uma conversa (deixar elas desabafarem suas dores e anotar os detalhes da entrevista)
4-Ter uma equipe multidisciplinar para ouvir e cuidar de toda a família ( Assistente social, psicólogo, Clínico Geral, Psiquiatra, Técnicos em reabilitação em dependentes químicos, Pastores(que tenham chamado), Advogado.
5-Fazer discussão de caso ouvindo a equipe (pois cada caso é único e nem sempre o que funciona com um funciona com o outro)
6- Trabalhar executando o que foi decidido pela equipe.

A família sofre muito com a dependência, seus integrantes precisam ser trabalhados para se libertar da co-dependência (viciado no problema do outro), elas deixam de viver para tentar salvar o outro. O que quase nunca funciona.

Essa doença emocional foi descoberta recentemente pela psicologia, por isso é tão difícil o tratamento com a família. Eles não conseguem perceber que estão afundando junto com o viciado. E que suas estratégias são impulsos emocionais e não racionais. A família precisa ser trabalhada com afinco e sob orientação profissional.

Meu pai foi viciado e eu também. Ele está à 18 anos limpo e eu à 15 anos para testemunhar à todos os povos que é possível uma família ser transformada pelo poder de Deus e alcançar uma vida abundante. Hoje somos felizes!!!! E Deus nos deixou a missão de alcançar os perdidos!

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Título do artigo: Mudanças: mulheres e drogas
Autor: Priscila Lhewicheski das Dores


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