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Motivação

Entrevista com Paulo Angelim
Publicado em 25.09.2006

Motivação "nasce de dentro" e por si só não é suficiente, mas é fator diferencial e impulsionador para o desempenho, produtividade e qualidade das equipes. É o que afirma o consultor e conferencista Paulo Angelim. Cristão, especialista em Gestão de Marketing e empresário do ramo imobiliário, Angelim é conhecido no meio empresarial e evangélico por seus livros, artigos e palestras sobre Motivação, Marketing e Vendas.

Existem diferentes formas de pensar e definir a motivação. Alguns acreditam que ela é um fator intrínseco e outros a vêem como algo que precisa receber estímulos externos. Qual a sua opinião sobre isso?

foto de Paulo Angelim
Paulo Angelim - A verdadeira e consistente motivação é a que nasce de dentro e que independe de circunstâncias e fatores externos. Os que precisam de estímulos externos ficam dependentes e reféns do mundo.

Motivação é quase sempre relacionada à produtividade e desempenho positivo. Você concorda que isso é verdade?

Angelim - Sem sombra de dúvida que pessoas motivadas produzem mais, fazem mais, e melhor. Mas isso não é tudo. É fundamental o conhecimento, a prática, a habilidade, a expertise. Um ignorante motivado, nada mais é do que alguém que não sabe fazer, querendo fazer a qualquer custo. Não basta querer, tem que saber o que e como.

Qual o impacto de ações ou uma palavra motivacional em um único evento, ou em eventos esporádicos? Até que ponto palestras e eventos são capazes de mover as pessoas? 

Angelim - Só muda se as pessoas estiverem abertas para aprender e mudar. Não duvide: às vezes, uma palavra ou um argumento bastam para que a pessoa acorde de seu sono letárgico. Mas precisa existir dentro dela uma inquietação para se mover. Sem isso, palavras e idéias chegam e, como na párabola, são como sementes lançadas em terreno ruim.

As pessoas possuem motivações diferentes, isto é, motivações diferentes movem pessoas diferentes. É necessário trabalhar os fatores motivacionais individualmente? Na prática isso é possível?

Angelim - É exatamente isso. Todos vivemos realidades distintas e particulares. Despertar pessoas à motivação é um trabalho um a um. Veja que não estou dizendo "motivar alguém", pois motivação é uma porta que só se abre por dentro. Lógico que os trabalhos em equipe, as palestras, são válidas. Mas na hora de nutrir as sementes, o trabalho é pessoal.

Motivação é também um dos principais componentes para o desenvolvimento profissional. Seria também essencial ao desenvolvimento espiritual e ministerial?

Angelim - Nosso maior motivo para agir por Cristo é nossa gratidão a Deus, nosso amor por Ele, e nosso temor também (não falo medo). Está certo quem acredita nisso, mas há que se ter muito cuidado para não transformar as igrejas em organizações, onde valem as técnicas corporativas de indução e lavagem cerebral. Nada disso, nada de auto-ajuda. Como cristãos, cremos em ajuda do alto.

Motivação está diretamente ligada à forma de gestão e liderança?

Angelim - Na verdade, tudo para acontecer na vida depende de motivação. Basta olhar para ela como "motivo para agir" (motivo + ação). Portanto, gestão e liderança com excelência, só se for auto-motivado.

Que fatores são capazes de desmotivar uma equipe de trabalho? 

Angelim - Injustiça, desamor, falta de respeito, de companheirismo, baixa capacidade da liderança em ouvir, falta de reconhecimento e recompensas, falta de diálogo. Ou seja, os maiores fatores para a desmotivação estão relacionados aos problemas de relacionamento.

Que recursos ou instrumentos você indica para que líderes identifiquem o nível de motivação dos membros de equipes nas igrejas?

Angelim - O mais eficiente é olhar para os resultados pessoais.Eles revelam duas coisas: motivação e capacidade (técnica, inteligência, habilidade). Além disso, é trabalhar a conversa pessoal. Desempenho requer relacionamento.

Que sintomas e conseqüências apresentam uma equipe ou pessoa desmotivada, e que atitude um líder deve ter diante dessa situação?

Angelim - Como já disse, os resultados demonstram o grau de motivação de alguém em relação ao seu trabalho. Muitas vezes alguém está desmotivado não por questões relacionadas ao trabalho, mas relacionadas à vida familiar, ou pessoal. Nestes casos, é necessário de imediato que a liderança se aproxime e converse sobre o assunto. É lógico que se isso não for peculiar ao estilo da liderança, o problema não será resolvido, mesmo sendo delegado para algum auxiliar.

Parece que em nossas igrejas, ter o desejo primeiro de servir ao Senhor e amá-Lo de todo o coração são considerados fatores suficientes para a motivação ao serviço. Diante disso, vê-se pouco estímulo ou empenho das lideranças em identificar o nível de motivação de suas equipes e em trabalhar fatores essenciais para a produtividade e excelência em suas equipes. O que você pensa sobre isso?

Angelim - É indiscutível que as razões apontadas em sua pergunta são as prioritárias. Mas não vivemos somente a relação transcedente, vertical, lógico que também vivemos para os lados (interelacional) e para dentro (intrarelacional), e assim, precisamos cuidar para que exista um ambiente satisfatório, fora e dentro de nós, com o intúito de desenvolvermos nossas habilidades, e assim brilharmos.

Que estratégias você poderia apontar como exemplos para que os líderes cristãos que nos lêem trabalhem o fator motivação e “energizem” suas equipes?

Angelim - Na minha opinião, não existe melhor manual de liderança do que a vida de Jesus, encontrada na Palavra Santa. Quem melhor o "traduziu" e o transportou para nossa realidade de gestão foi James Hunter, através do livro "O monge e o executivo". Por favor leiam. Lógico que não poderia deixar de indicar também meu livro, "Desenvolvimento Profissional: Alcance o sucesso sem vender a alma", que apresenta lições práticas para o trabalho em equipe, para a liderança, para a obtenção de resultados, e muitos outros temas correlatos, todas estas lições baseadas nas parábolas de Jesus. Quem leu aprova e indica.

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Título do artigo: Motivação
Autor: Paulo Angelim


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