Ministério de Integração nas Igrejas - Entrevistas - Instituto Jetro

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Ministério de Integração nas Igrejas

Entrevista com Gerson Avena da Silva
Publicado em 10.09.2013

Qual é a responsabilidade do pastor apascentador? Conhecer suas ovelhas!

De certo não é uma tarefa fácil, principalmente, nas grandes igrejas. Pessoas podem entrar e sair da Igreja sem serem "notadas" .

Por isto, um projeto/ministério de integração é tão relevante. O ministério de integração tem a importante missão de acolher os visitantes em um clima de simpatia, aceitação, espontaneidade, e autêntico interesse por suas necessidades, contribuindo para a volta dos mesmos, favorecendo um encontro com Deus, a posterior integração ao Corpo de Cristo, e especificamente, à Igreja Local.

O Instituto Jetro  entrevistou Gerson Avena da Silva, pastor da Área Ministerial de Integração da Primeira Igreja Batista de Curitiba.

Pr. Gerson possui graduação em Teologia pelo Seminário Teológico Batista Bíblico de São Paulo, e em Psicologia pela FEPAR. É pós-graduado em Aconselhamento Bíblico na Faculdade Batista do Paraná. Autor do livro: "Eu vos declaro...marido e mulher". 

Gerson Avena

Paulo nos exorta ao acolhimento em sua carta aos Romanos: Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus. Romanos 15:7. Como proporcionar aos que visitam a nossa Igreja pela primeira vez uma genuína atmosfera de aceitação?

O sonho de toda igreja é ter uma liderança forte, eficiente, firmada na Palavra de Deus e dirigida pelo Espírito Santo, membros comprometidos com a fé, com a visão do trabalho e com os projetos de expansão do Reino de Deus; igrejas cujos membros se amam de verdade e se fortalecem reciprocamente, crescendo "na comunhão, no partir do pão e nas orações".
E justamente para atingir esta meta do crescimento que existe a área Ministerial de Integração.
As pessoas que chegam à igreja, querem ser integradas, querem sentir-se parte efetiva do corpo de Cristo, querem se sentir acolhidas, respeitadas e amadas.
É dever da liderança ajudar para que todos estes desejos sejam plenamente atendidos por cada pessoa que vir à igreja.

Rick Warren, pastor da Saddleback Valley Comunity Church, na Califórnia, afirma: "Se uma pessoa não fizer pelo menos seis amigos na congregação dentro de um período de seis meses, essa pessoa não irá permanecer um ano nela". Como desenvolver a cultura da hospitalidade e gerar comunhão entre os irmãos e visitantes, para que se tornem parte integrante da nossa Igreja?

Hospitalidade é o ato de receber alguém em nossas igrejas, e é isso o que mais ocorre.
A pergunta é como você tem recebido as pessoas em sua igreja? Sendo a primeira vez ou não? Você tem sido hospitaleiro com elas?

Quando recebemos as pessoas com um sorriso, um cumprimento, com carinho e educação, podemos mudar a vida de alguém. A pessoa perceberá que ali ele encontrará alguém que se importa e está pronta a ajuda-la no que for necessário. Por isso quando identificamos um visitante, os próprios introdutores encaminham-no à pessoas da mesma faixa etária a fim de que ela se sinta mais à vontade.

Em nossa igreja temos recebido muitas pessoas que nos ouvem pelo rádio, assistem pela televisão e a imagem que eles formam em suas mentes é que a igreja é um lugar onde encontrarão refugio e ajuda para suas vicissitudes. Muitas destas pessoas se sentem deslocadas, perdidas e se forem recebidas com hospitalidade e alegria, com certeza se sentirão mais à vontade e retornarão e se tornarão membros da igreja. As pessoas vão onde são convidadas e ficam onde são bem tratadas.

Como atrair um número maior de visitantes? 

Muitas vezes a igreja é referência em uma cidade devido às suas celebrações dominicais inspirativas, louvor alegre que conduz o ouvinte à presença de Deus, campanhas evangelísticas. Mas a melhor maneira de se atrair pessoas à igreja é mediante convite de seus próprios membros. Por isso é necessário que a sua igreja tenha uma mensagem que atenda às necessidades de seus membros e que os motive a convidar os amigos. 

Como mobilizar pessoas e líderes para compor o "ministério de integração" ?

A primeira coisa que devemos fazer para mobilizar pessoas e líderes para compor o ministério de integração como qualquer outro é a oração. Devemos seguir as orientações de Jesus quando disse que a seara é grande mas os ceifeiros são poucos e que devemos orar para que Ele nos mande os ceifeiros. Em segundo lugar, observar as pessoas com as quais nos relacionamos verificando se tem qualidades para compor a equipe. E quais são estas qualidades? Ser atencioso, alegre, ser pontual, ter controle emocional, ser compreensivo, simpático e tolerante. E em terceiro lugar, mentoreamento. Temos desenvolvido junto à equipe de integração um acompanhamento pastoral individual visando o fortalecimento de cada um na fé no Senhor Jesus.  

Como é desenvolvido o ministério da Integração na 1ª Igreja Batista de Curitiba? Quais são os frutos após a criação deste ministério?
O ministério de integração é como um guarda-chuva e embaixo dele os demais ministérios se desenvolvem. Por isso, temos equipes treinadas no ministério infantil no ministério de casais, missões, congregações, jovens e adolescentes. Este trabalho é desenvolvido através do atendimento individual àqueles que respondem aos apelos nos diversos cultos dos diversos ministérios. É neste atendimento que identifica-se as necessidades da pessoa que respondeu ao apelo e dar os encaminhamentos necessários. Esta abordagem é feita pelos pastores do ministério, ministros, diáconos, discipuladores e líderes de pequenos grupos ocorrendo em um ambiente previamente estabelecido em um clima acolhedor oferecendo-lhes um café receptivo.

Nestes encontros é preenchida uma ficha que será enviada à secretária do ministério que terá um prazo máximo de 48 horas para entrar em contato por telefone ou e-mail. Conheça o processo:

a) Reconhecer e identificar os visitantes por meio do serviço de recepção e de chamamento do púlpito, oferecendo-lhes uma pequena lembrança, a ser entregue no stand próprio.
b) Conhecer e integrar todo aquele frequentador assíduo que por algum motivo não é membro da igreja, ajudando-o a sanar todas as suas dúvidas.
c) Identificar aqueles membros que ainda não estão participando de nenhuma organização, ministério ou célula, ajudando-os na busca de um grupo de sua preferência.
d) Dar atenção especial ao novo convertido, encaminhando-o a uma célula, discipulador ou a uma classe na EBD ( Escola Bíblica Dominical).
e) Estimular todas as áreas ministeriais a tornarem-se integradores, proporcionando comunhão e fraternidade entre as pessoas que frequentam a igreja. 


Quais são os erros mais comuns no recebimento ao culto e/ou nas atividades de acolhimento após a visita?

Os erros mais comuns cometidos pelas igrejas com relação aos visitantes é não dar a atenção que eles merecem. Claro que há visitantes que querem o anonimato. São os últimos a chegar ao culto e os primeiros a sair. Mas há um grande número de pessoas que querem e tem necessidades de acolhimento, de atenção, de afeto e de uma palavra amiga, uma oração, etc.
Uma área importantíssima do ministério de integração é a recepção. Quando pessoas visitantes chegam ao templo necessitam de uma orientação e é justamente neste momento que uma pessoa o receba com um sorriso, elegantemente vestido (mesmo com simplicidade), dando as boas vindas a todos os que vêm louvar ao Senhor.
Em nossa igreja o grupo é dividido em quatro equipes que atuam nos cultos dominicais entregando a revista, envelope de dízimos, encaminhando as pessoas aos lugares vagos, encaminhando as mães com seus pequenos aos berçários ou ministério infantil.
Este trabalho é apoiado pelo corpo diaconal que atuam em situações que exigem cuidados especiais.

Quais os conselhos para pastores e líderes que desejam criar um Ministério de Integração ou revigorar o já existente?
Qual a responsabilidade do pastor apascentador?


Enxergar entre a multidão que frequenta os cultos e participa das atividades semanais, que muitos estão como ovelhas sem pastor; ele não sabe o seu nome, a sua origem.
O projeto de integração nasceu no coração de Deus. Podemos entender isso ao recordarmos que Deus usou de todos os meios para unir, integrar e fazer do seu povo uma unidade, um só coração e propósito. Na criação podemos reconhecer a integração, uma só raça, uma só língua, uma só origem - Adão e Eva. No entanto como houve uma diversidade de pensamento, personalidade e caráter somados ao pecado da soberba humana levaram a uma desintegração no episódio da Torre de Babel. Mas, no dia de pentecostes, embora houvessem várias línguas, povos e nações diferentes, Deus volta a fazer do seu povo uma unidade em Cristo Jesus. Creio que o texto em Efésios 4:13-16, tem sido a visão que Deus tem colocado em muitos corações para integrar os que estão chegando à igreja e também os que já são membros mas por motivos diversos ainda não estão integrados plenamente. Assim, todo esforço é válido a que todos venham a ser um em Cristo, cada um assumindo o seu lugar, segundo o dom que recebeu.

Demais considerações.
Há que se considerar a realidade de cada igreja e a filosofia que ela adota. Acreditamos que estas palavras servirão para trazer um pouco de luz sobre o tema e provocar novos debates com o intuito de promover a integração dos novos membros a fim de que haja unidade na diversidade. O sonho é que cada membro da igreja de Jesus se sinta acolhido, respeitado e amado para poder se sentir motivado a também fazer o que lhe compete, conforme a oração sacerdotal de Jesus: "para que todos sejam um, Pai, como tu estás e mim e eu em ti". Este é o objetivo principal do Ministério de Integração.

Bibliografia: ANDRADE, E.M. Integração. Saiba como receber e manter quem chega à igreja. Curitiba. A.D.Santos Editora, 2009.

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Título do artigo: Ministério de Integração nas Igrejas
Autor: Gerson Avena da Silva


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