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Inovando na comunicação do Evangelho

Marina Narciso Dias
Publicado em 31.08.2009
Como lidar com os avanços tecnológicos sem perder a essência do conteúdo do Evangelho? É possível ficar fora da Internet? O que pode ser oferecido para aproximar a igreja dos membros? E quanto aos que ainda não crêem?
 
São muitos os questionamentos quando o assunto é a "igreja eletrônica". Parte deles foi abordada nesta entrevista que fizemos com a coordenadora de Comunicação da Igreja Batista do Morumbi, uma igreja que pode ser considerada de "vanguarda" em gestão ministerial, sendo uma das primeiras no Brasil a criar o cargo de gestor.
 
Marina Narciso Dias atua na área de comunicação há 6 anos, sendo os 3 últimos anos na igreja. É graduada em Marketing pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada em Gestão da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).
 
Além do tradicional boletim dominical, de que formas a IBMorumbi se comunica com seus membros? E com aqueles que não conhecem o evangelho?
 
Marina:
A IBMorumbi está sempre atenta ao contexto que está inserida. Atualmente contamos com várias ferramentas de comunicação impressa (boletim informativo, folhetos, murais e banners) e eletrônica (site - www.ibmorumbi.com.br, e-marketing, newsletter, estudo on-line à distância, grupos de estudos via e-mail e publicações em mídias sociais - blogs, Twitter, Facebook e Youtube). Essas ferramentas são de alto impacto na vida da igreja e abrangem os membros, visitantes virtuais e pessoas não convertidas.
 
O site da igreja é bem visitado. Quem faz parte do público que regularmente acessa? Que ações de divulgação são feitas para aumento do número de visitantes?
 
Marina: Nosso site é acessado por diversos públicos. Os membros e frequentadores da IBMorumbi procuram no site informações sobre os acontecimentos da igreja, bem como os meios de interação: inscrições para eventos, cultos on-line, estudos para pequenos grupos e pedidos de oração. Já os visitantes virtuais preferem a transmissão dos cultos, a livraria virtual e conhecer o modelo de gestão ministerial adotado pela igreja. Muitos visitam para dar sugestões, críticas e até desabafos. Nosso site é visitado por diversas pessoas de vários cantos do mundo, portanto precisamos estar atentos para que a linguagem e a tecnologia sejam compatíveis. Ficamos muito contentes ao saber que a Palavra está chegando a lugares nunca antes imaginados e que pessoas têm descoberto o poder do Evangelho. Não há divulgação específica do nosso site. Porém, em todos os meios associamos o site como fonte de informação. Por isso é necessária a atualização diária da página.
 
Como os pastores da igreja lidam com os avanços tecnológicos?
 
Marina: Os pastores da IBMorumbi são bem receptivos aos avanços tecnológicos. Muitos são usuários de smartphones, possuem perfil no Facebook, "twittam" com suas "ovelhas" e fazem ligações via Skype. O uso de tecnologia e novas mídias para a divulgação do Evangelho apresenta dois cenários distintos: O primeiro é que o mundo utiliza a tecnologia para se comunicar, portanto se a igreja continuar com meios ultrapassados criará uma barreira para a mensagem ser transmitida. Do outro lado, a comunicação do Evangelho não depende da tecnologia e dos meios. Ela é sempre obra de Deus no coração das pessoas, usando tanto a tecnologia de vanguarda quanto a passada. Para o Pr. Lisânias, pastor sênior, o risco de utilizar a tecnologia de comunicação no contexto de igreja é transformar a tecnologia em mensagem. Para ele a tecnologia é meio de se chegar a mensagem. Utilizando ou não os recursos, a mensagem será transmitida, pois o conteúdo é o mais importante e não o meio empregado.
 
Muitos pastores ainda acreditam que tendo um e-mail pessoal e um site com informações básicas sobre a igreja eles já estão preenchendo a lacuna do atraso nessa área. O que você pensa sobre isso?
 
Marina: Acredito que esses sejam apenas os primeiros passos. Se a igreja não estiver na Internet, ela ficará de fora da história e recusando, assim, sua missão de comunicar o evangelho e estar em comunhão universal. É relevante ressaltar que as tecnologias eletrônicas de comunicação quebraram as barreiras geográficas, políticas e físicas criando uma "aldeia global" onde cada indivíduo é convidado a deixar seu país permanecendo em sua terra. As mensagens transmitidas por essas tecnologias ultrapassam as fronteiras do mundo. Precisamos enfrentar o desafio deste novo contexto cultural e utilizar os novos meios de comunicação como um campo de troca de ideias e fé. A Igreja no cenário contemporâneo precisa assumir a identidade de Igreja Eletrônica para continuar dialogando com o próximo.
 
Segundo pesquisas, o internauta brasileiro é o que mais tempo passa em frente do computador. Que tipo de inovações na comunicação esta estatística deveria gerar por parte das igrejas?
 
Marina: A internet tem sido a ferramenta de comunicação do futuro. A Web 2.0[i] proporciona ao internauta gerar o próprio conteúdo no site, interagir com outros usuários por meio das mídias sociais e estar em constante conectividade com a rede. Para isto, sugere-se a criação de blogs, onde pastores e líderes poderão publicar avisos e mensagens e os membros postarem seus comentários. Outra forma de interação é a criação de um canal para publicação de fotos e vídeos feitos por frequentadores da igreja, claro que com a autorização prévia da liderança da igreja. Outra sugestão é a criação de grupos de interesses para discussão de certos assuntos previamente estabelecidos. Por último, poderá ser criada uma Web TV, onde serão dados os avisos da semana de maneira audiovisual, além da transmissão das celebrações e eventos. Com a igreja conectada virtualmente aos frequentadores, a comunicação será mais rápida e assertiva.
 
Que inovações já fazem parte da rotina da IBMorumbi?
 
Marina: No cenário tecnológico a IBMorumbi está presente nas principais mídias sociais: Twitter, Facebook, Orkut e Youtube. Informações sobre eventos, série de mensagens e novidades são publicados nesses sites. Já os blogs são alimentados pelos usuários, mas com a permissão dos líderes. Através do nosso site, transmitimos os cultos ao vivo pela internet, além de disponibilizá-los para posteriores consultas. São inovações com as quais os frequentadores se identificam com a igreja no mundo virtual, podendo interagir com outros membros da comunidade virtual e com a própria igreja. Importante ressaltar que todos esses recursos estão sob a responsabilidade do ministério de comunicação, dando assim a legitimidade às informações publicadas.
 
Vocês tem um ministério de mídia ou alguém contratado exclusivamente para cuidar da parte de softwares, vídeos e web? Qual a estrutura disponível nessa área?
 
Marina: Com a ideia de criar uma agência de comunicação "in house", foi concebido o ministério de comunicação. A equipe é formada por profissionais contratados, onde cada um é responsável por uma mídia de comunicação: áudio, design gráfico, web design e vídeo. Os produtos confeccionados pelo departamento de comunicação resumem-se em artes impressas (folder, flyer, banner, boletim, etc), em artes em áudio (gravação dos cultos, vinhetas, musicais), em artes audiovisuais (vídeo institucionais e promocionais, clips, apresentação de slides, gravação dos cultos), por último em artes para internet (site, blog, e-marketing e hotsite). O ministério de comunicação apoia todos os ministérios da igreja - do ministério infantil até o grupo da Maior Idade, além de ser responsável pela comunicação institucional da IBMorumbi. Atualmente está sob a liderança do gestor administrativo Marco Aurélio Cruz e minha coordenação.
 
Que conselhos daria a pastores e líderes de igrejas em relação aos possíveis novos canais de comunicação?

Marina: A comunicação pode ser um fator decisivo para a criação de comunidades participativas que transformarão a igreja em associações que dialogam, criam laços e se preocupam com o próximo. Assim, não é a mensagem que está fora de forma, mas o modo de comunicá-la. Primeiro é preciso definir o foco e o público que se quer alcançar. Um profissional da área de comunicação poderá ajudar no planejamento de ações para tornar a igreja mais próxima do público virtual. A internet exige atualizações constantes, tanto de informações quanto de tecnologias, por isso é importante o auxilio de um web-designer. Devemos utilizar os novos meios para comunicar o evangelho, mas também integrar o evangelho na nova cultura contemporânea colocando-se a serviço das grandes carências da sociedade.

[i] Web 2.0 é chamada a segunda geração de serviços e comunidades da internet, onde os internautas geram o próprio conteúdo e tem como características as mídias sociais e a tecnologia da informação.

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