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Elaboração de Projetos

Entrevista com Adriana Pasello
Publicado em 05.10.2007

Se buscarmos uma visão mais estruturada de projetos, podemos nos cansar menos e termos resultados bem melhores. É o que afirma nossa entrevistada Adriana Pasello, que ministra pelo Instituto Jetro o curso "Projetos e Planejamento na Igreja", sobre o qual recebemos constantes solicitações e perguntas.

Ela possui MBA em Gerência de Projetos pelo FGV/ISAE, com vários anos de experiência na área administrativa empresarial e eclesiástica, somados aos mais de cinco anos em que coordena o Instituto Jetro. 

Leia a entrevista e aprenda um pouco mais sobre projetos!

Projeto é um termo que remete a planos, idéias, assim como a perspectivas, sonhos, objetivos... No contexto das organizações, qual a melhor definição para projetos?

foto de Adriana Pasello
Adriana - Em uma frase, seria um empreendimento único com início e fim programados. De fato, o termo remete a idéias e sonhos, mas em termos práticos, subjetividade e falta de foco é o que menos combina com um projeto. Para falar das organizações, precisamos pensar de forma histórica. Basicamente, trabalhávamos com processos, ou seja, atividades contínuas e repetitivas realizadas para se manter a rotina. Ocorre que com a pressão econômica e a necessidade de qualidade que o mundo moderno nos impôs, os processos se tornaram, em muitos casos, incapazes de atender a demanda das organizações. Assim, temos os projetos como atividades programáveis que, se bem estruturados podem, de fato, transformar idéias e sonhos em algo concreto. Uma outra definição bem interessante é a que diz que são elementos de execução da estratégia da igreja ou ministério.

Em que consiste a gestão de projetos?  

Adriana - Pode consistir em várias realidades, dependendo do porte da organização. Pode significar desde um setor especializado para gerenciar todos os projetos em andamento, até uma única pessoa responsável por todos os projetos em andamento. Sendo ainda mais abrangente, podemos até pensar em gestão de projetos em nossas casas, em nossa vida particular. A gestão de projetos envolve todos os aspectos necessários para a existência dele, como por exemplo, comunicação, liderança, equipes, tempo, custo, qualidade. Lembrando que não podemos falar em gerir um projeto sem falarmos em um gestor de projetos, que pode ser chamado também de líder, gerente ou algo semelhante. Para cada projeto sempre haverá, ainda que de forma informal, um responsável.  

Nas nossas igrejas e ministérios somos constantemente envolvidos nos mais diversos projetos e às vezes desafiados a criá-los e desenvolvê-los. Você entende que gestão de projetos é um assunto interessante para as igrejas? Acredita que esta é uma área que necessita ser mais profissionalizada no contexto eclesiástico?

Adriana - Totalmente interessante. E de fato as igrejas vêm realizando projetos, mas muitas vezes sem ter consciência disso. Eventos evangelísticos, campanhas, acampamentos, encontros, jantares, enfim, todos estes eventos únicos são projetos. Se estivermos envolvidos com eles, por que não buscarmos as melhores práticas para realizarmos estes “eventos” com mais excelência? O amadorismo e o improviso com os quais muitas vezes são conduzidos levam a frustração, desânimo e até desistência. Se buscarmos uma visão mais estruturada de projetos podemos nos cansar menos e termos resultados bem melhores.

Recentemente, publicamos um artigo de Alberto Ruggiero que trata da lacuna existente entre boas idéias e resultados eficazes. Você acredita que o desenvolvimento e o sucesso de boas idéias dependem necessariamente de bons projetos?

Adriana - Interessante esta pergunta. Já trabalhei com pessoas que parecem ser movidas a idéias. Cada dia estão com uma nova na cabeça mas quase nenhuma delas acaba se concretizando. E se analisarmos, algumas são realmente boas idéias. Ocorre porém que o caminho até o resultado é árduo, muito árduo. Dá trabalho, gera cansaço e pode resultar até em problemas de relacionamento no ambiente onde está sendo implementado. E apesar disso tudo, nem sempre chegamos ao sucesso. Voltando à pergunta, eu diria que não necessariamente. Eventualmente se consegue estruturar um bom projeto mas não há engajamento da equipe. Ou então não há verbas. Enfim, no contexto das organizações cristãs os obstáculos podem ser os mais variados. 

Para muitos, colocar a idéia em um papel, planejar e construir um projeto parece algo extremamente difícil, complicado. Existem passos básicos que podem ser facilmente aprendidos e aplicados? Por onde começar?

Adriana - Sim. De fato, existe este sentimento mas somente o fato de esboçar a idéia por escrito já ajuda a estruturar melhor o que se pretende. Assim eu diria que o primeiro passo básico é responder a pergunta: O quê? A resposta vai nos trazer a descrição e as especificações do serviço que pretendemos realizar. O segundo passo básico é responder a pergunta: Quanto? Em tempos de orçamentos e verbas reduzidos não temos como fugir deste aspecto que pode, inclusive, inviabilizar qualquer idéia de sair do papel. O terceiro passo básico é responder: Quando? Como disse no início desta entrevista, se tem início e fim é porque estamos tratando de um projeto e por isso não se pode fugir de um cronograma.  

O curso que você ministra pelo Instituto Jetro se chama "Projetos e Planejamento na Igreja". Qual a importância do planejamento para uma boa gestão de projetos?

Adriana - O planejamento é uma das fases de um projeto, juntamente com a concepção, a execução, a conclusão e o monitoramento. Mas não é desta fase que trata o título do curso. Na introdução deste treinamento tratamos do planejamento maior, aquele que envolve pensar, conjecturar, considerar, avaliar, ponderar, decidir  e resolver sobre o futuro de uma organização. O que chamamos de planejamento estratégico. Ele nada mais é do que um mapa para alcançar a visão da igreja ou ministério. Sem ele, somos como um barco sem porto de destino. Muitos têm receio de investir nesta prática por entender que ela engessa a caminhada de uma organização mas é justamente o contrário. Se o mar está revolto, antes termos um mapa sujeito à revisões do que nenhum.

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Título do artigo: Elaboração de Projetos
Autor: Adriana Pasello


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