Conselhos para os endividados - Entrevistas - Instituto Jetro

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Conselhos para os endividados

Entrevista com José Roberto Luppi
Publicado em 09.06.2016
Larry Burkett no seu livro "Negócios à luz da Bíblia" nos fala sobre alguns princípios sobre empréstimos e dívidas. Os quais ele chama de "princípios do não": 1) Não faça empréstimos sem necessidade, 2) Não seja fiador e 3) Não faça dívidas de longo prazo.
 
As famílias endividadas aumentaram conforme notícia publicada no dia 28/01/2016 da Agência Brasil: "O ano de 2016 começou com um aumento das famílias endividadas e inadimplentes no país. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias com dívidas cresceu de 61,1%, em dezembro de 2015, para 61,6%, em janeiro deste ano. Em janeiro de 2015, o percentual era 57,5%. Já o percentual de famílias inadimplentes, ou seja, que têm dívidas ou contas em atraso, chegou a 23,7% em janeiro deste ano, taxa superior aos 23,3% do mês anterior e aos 17,8% de janeiro de 2015. O percentual de famílias que não terão condições de pagar suas contas também subiu: 9%, ante os 8,7% de dezembro e os 6,4% de janeiro de 2015."
 
Para falar sobre este assunto "espinhoso", o Instituto Jetro  entrevistou José Roberto Luppi. Luppi  é graduado em Administração de Empresas, pós-graduado em Marketing pela Universidade Estadual de Londrina e com MBA Executivo pela FGV. É diretor operacional da BR Consórcios e ministra aulas de finanças pessoais na 1ªIgreja Presbiteriana Independente de Londrina, onde também atua como líder de célula.  

José Roberto Luppi

Instituto Jetro - A maioria dos endividados sente vergonha pela sua situação, independentemente se a crise foi gerada pela inabilidade financeira ou por perda de emprego, doença, etc. Você acredita que falar sobre a situação é um dos primeiros passos para resolver o problema? Luppi - Quando iniciamos ou nos damos conta de um processo de endividamento, uma das primeiras reações é a negação ou desprezo da gravidade do problema, este comportamento é uma defesa em forma de fuga. Primeiro fuga de si mesmo e das pessoas mais próximas, quando se torna insustentável, fuga dos credores. Este comportamento faz com que o problema aumente e principalmente o custo, uma vez que o tempo e os juros possuem pesada influência no custo do dinheiro. Para sair de uma vida descontrolada ou endividada, o melhor caminho é uma conversa franca com toda a família, para que todos estejam alinhados e envolvidos para juntos buscarem uma solução para a situação.

Normalmente, para se consertar esta situação, haverá um período de privações e o envolvimento de todos que são afetados pelo problema será essencial. Outro ponto muito relevante é que a Bíblia nos ensina a buscar conselho nas decisões que devemos tomar em nossas vidas, isto vale para todos os aspectos e momentos da vida, no caso de endividamento precisamos dividir o fardo para que possamos tomar atitudes alinhadas com a vontade de Deus.

Veja uma sugestão de ordem para conversar e se aconselhar sobre o problema:
1) Busque conselho no SENHOR: "Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado MARAVILHOSO CONSELHEIRO, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.
2) Busque conselho nas Escrituras: "Com efeito os seus testemunhos são o meu prazer, são os meus conselheiros." Salmos 119:24
3) Busque conselho no Cônjuge: "Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão, o cordão de três dobras não se rebenta facilmente" Eclesiastes 4:12
4) Busque conselho com Pessoas Justas: "A boca do justo profere sabedoria e a sua língua fala o que é justo. No coração, tem ele a lei do seu Deus, o seus passos não vacilarão" Salmos 37:30-31
5) Busque conselho com os pais, pessoas mais velhas e experientes: " Filho meu, guarda o mandamento de teu pai, e não deixes a instrução da tua mãe, ata-os perpetuamente ao teu coração, pendura-os ao pescoço. Quando caminhares isso te guiará, quando te deitares te guardará, quando acordares falará contigo" Provérbios 6:20-22

Instituto Jetro - Fingir que o problema não existe é uma atitude da maioria. Não abre as cartas de cobrança, não verifica o valor dos juros no cartão ou cheque especial, como se por uma "mágica" eles fossem desaparecer. Poderia listar as atitudes corretas dos endividados que desejam pôr a "casa " em ordem? 
Luppi - Para que se possa colocar a casa em ordem é muito importante identificar a verdadeira causa do problema e agir de forma pontual para eliminá-la , no entanto na maior parte das vezes, apesar de conseguir se identificar uma causa raiz do problema, a solução deverá envolver todos os aspectos da vida financeira. Sugiro os seguintes passos:

a) Elabore um orçamento mensal de forma que possa identificar quais gastos poderão ou deverão ser reduzidos, o orçamento deverá fechar com saldo positivo, caso contrário apenas aumentará as dívidas.
b) Faça um levantamento de todas as dívidas, considerando o valor total devido, o % de juros cobrados, o valor dos juros mensais
c) Comece a executar o orçamento imediatamente, cortando profundamente as despesas. Em momentos de crise as decisões devem ser firmes e rápidas.
d) Levante os ativos que podem ser vendidos de forma que se possa antecipar o pagamento das dívidas
e) Com a sobra de orçamento e a venda de ativos, elabore um plano de redução das dívidas
e) Negocie desconto nas dividas demonstrando que está reorganizando as finanças
f) Faça acompanhamento sistemático do orçamento e da redução das dívidas, corrigindo distorções em relação ao planejado.
Lembre-se que sempre haverá grande dose de sacrifício para se colocar as finanças em ordem, mas vale a pena, pois haverá crescimento pessoal, emocional e financeiro ao final do processo.

Instituto Jetro - No livro "Negócios à Luz da Bíblia", Larry Burkett cita 3 princípios bíblicos sobre empréstimos: 1) Evitar a menos que seja extremamente necessário, 2) Evitar ser fiador de dívidas, 3) Evitar dividas de longo prazo. Você concorda? Acrescentaria mais algum? O que tem a dizer sobre eles?
Luppi -
Meu entendimento sobre o que a Bíblia fala sobre empréstimos e dívidas vem dos seguintes textos:
A) "Pagai a todos o que lhes é devido: a quem imposto, imposto; a quem honra, honra. A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor..." Romanos 13:7-8  Este texto deixa muito claro que não devemos dever coisa alguma, se estamos endividados precisamos pedir perdão e trabalhar arduamente para quitar todos os débitos e voltar a crescer regularmente.
B) "O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta." Provérbios 22:7  Precisamos estar atentos à servidão imposta aos endividados, pois a obra de Cristo foi completa para nos dar liberdade, como servos de Cristo somos livres, absolutamente livres, assim precisamos tomar todos os cuidados para que nossas atitudes em relação às finanças não nos leve a uma posição de escravos.

Quanto a questão de aceitar ou não ser fiador, existem vários textos Bíblicos que refutam esta atitude, gosto muito do seguinte texto que fala por si só: "Meu filho, se você serviu de fiador do seu próximo, se, com um aperto de mãos, empenhou-se por um estranho e caiu na armadilha das palavras que você mesmo disse, está prisioneiro do que falou. Então, meu filho, uma vez que você caiu nas mãos do seu próximo, vá e humilhe-se, insista, incomode o seu próximo! Não se entregue ao sono, não procure descansar. Livre-se como a gazela se livra do caçador, como a ave do laço que a pode prender." Provérbios 6:1-5

Instituto Jetro - Ele também fala sobre os perigos do crédito: 1) perder a direção de Deus, 2) Protelar decisões importantes, 3) Causar pressões desnecessárias. Quais os outros perigos não listados? Comente.
Luppi - É muito importante ter crédito, mas igualmente importante não precisar utiliza-lo. Uma vida ordenada financeiramente evita as armadilhas do crédito que antecipam o prazer do consumo e postergam o pagamento, toda vez que procedemos desta forma pagamos algum custo financeiro, seja pela cobrança de juros ou simplesmente pela perda do desconto à vista. O melhor caminho é poupar e comprar à vista, negociando bons descontos, além do que, quando poupamos recebemos juros aumentando nosso patrimônio.

Instituto Jetro - Como cobrar dívidas? Acordo ou processos? E quando o processado é você?
Luppi -
Entendo que a melhor forma de acertar dívida é por acordos entre o devedor e o credor, mas isto deve ser precedido por uma revisão profunda das atitudes em relação às finanças e elaboração de um plano de saneamento financeiro que promova o pagamento da dívida em tempo razoável.

Instituto Jetro - Qual a melhor solução para quitar as contas? Começar pelas pequenas dívidas ou pelas que têm juros maiores?
Luppi - Penso que não existe uma regra universal para isto, pois existem vários fatores que podem influenciar ou até mesmo determinar a decisão, mas o mais prudente é começar pelas dividas que apresentem juros mais caros, de forma que possa potencializar a redução do endividamento.

Instituto Jetro - Qual seria a sua mensagem para os endividados? E quando o endividado é o pastor?

Luppi - Para os que estão endividados deixo a mensagem que toda dívida pode ser paga por quem a contraiu, afinal conseguimos nos endividar baseado na capacidade de pagamento ou de recebimentos que possuímos, assim, em tese, todo endividado tem condições de pagar suas dívidas. O que ocorre é que dependendo profundidade, intensidade e tempo que está endividado, deverá incorrer em mais sacrifícios por um período mais longo até que consiga restabelecer a saúde financeira. Para quem trabalha na obra do Senhor, como pastor ou missionário, servem os mesmos avisos, a Bíblia fala para todos.

Instituto Jetro - Como a Igreja poderia ajudar? Qual o papel de pastores e líderes quando sabem das dificuldades dos seus liderados com as finanças?
Luppi - A igreja, pastores e liderança como um todo devem estar atentos e ensinar a palavra de Deus em relação a finanças continuamente, caso a igreja do Senhor não se posicione o mundo o fará, e assumirá o controle das finanças do povo de Deus. O melhor caminho parece-me que é o da instrução na palavra de Deus e de rápida exortação quando percebermos os sintomas dos desvios. Veja que há 1.565 versículos bíblicos que falam de dinheiro, dos 107 versículos do sermão do monte 28 se referem a dinheiro, 13 parábolas de Jesus falam em dinheiro, riquezas, etc. Se o Senhor atentou para este assunto e o tratou com esta intensidade na sua palavra, significa que devemos nos aprofundar no tema de forma que mantenhamos o dinheiro como um excelente servo, nunca como senhor de nossas vidas.

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Título do artigo: Conselhos para os endividados
Autor: José Roberto Luppi


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