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Conectados em oração

Entrevista com Cezar Andrade Marques de Azevedo
Publicado em 21.11.2017

Um membro da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Londrina desenvolveu um método que tem servido para auxiliar na vida devocional estimulando a regularidade e a disciplina na prática da oração. Ele tem compartilhado esse recurso com um grupo de oração por uma rede social. Cezar Andrade Marques de Azevedo é graduado em Administração de Empresas, Ciências Contábeis e Teologia, com mestrado em Administração de Empresas pela PUC/PR. Destaque na atuação, por onze anos, como secretário municipal na área de desenvolvimento econômico, planejamento, administração e finanças. Atualmente exerce o cargo de auditor de software para a área pública. Editor do site www.cezarazevedo.com.br. Confira a entrevista com ele pela IPILON  e Instituto Jetro:


Cezar Azevedo

IPILON - Quando e como você introduziu a tecnologia/uso de aplicativos e redes sociais em sua vida devocional/tempo de oração?  Cezar: Tenho usado aplicativos para me ajudarem a formar um estilo de vida permeado por oração. Permita-me uma breve contextualização: leio diariamente a Bíblia por um plano que desenvolvi baseado quantidade de linhas, com 12 minuto/dia. Contudo, estava insatisfeito com a oração. Ano passado entrei em um grupo de oração no Facebook me tornei administrador, então busquei criar um programa de oração que pudesse envolver todo o grupo. Neste ínterim, eu vim a conhecer dois aplicativos para celular. Então, para que o uso dos aplicativos pudesse ser respaldados pelo ensino da palavra de Deus, elaborei quatro pilares para dar sustentação ao projeto: 1° - Conhecer a palavra de Deus no tópico oração; 2° - Disciplinar-se na oração; 3° - Ser transformado enquanto ora; 4° - Orar em si mesmo. O ensino é transmitido em telas de Power Point.

 IPILON - Quais as principais mudanças que o aplicativo e redes sociais trouxeram em sua rotina de oração?

Cezar: Com o aplicativo BZ Lembretes eu distribuo as orações ao longo do dia e, com o Bloco de Notas e Lembretes crio pastas segundo áreas de interesses, nas quais anoto as petições e pedidos de intercessões. Por exemplo, no meu caso, eu abri pastas com os seguintes tópicos: lar, família, amigos, trabalho, igreja, etc. Como as orações são feitas por escrito, com o tempo elas vão se ajustando a luz da palavra de Deus e de acordo com as necessidades. No projeto, eu sugestiono que se inicie com uma oração a cada hora, de minha parte, distribui as orações a cada 15 minutos, iniciando às quatro da manhã, prosseguindo até às 23 h. Ao longo do dia tenho duas metas: orar todas as orações propostas a cada dia, e não deixar acumular mais que 12 orações. Esta disciplina tem provocado uma pequena revolução em minha intimidade com o Senhor.

Instituto Jetro - Qual o endereço do Facebook para participar? Como baixar o aplicativo?
Cezar: O link do Facebook é: https://www.facebook.com/groups/209006295964624/. Para baixar o aplicativo é preciso entrar no Play Store e buscar pelos seguintes aplicativos: BZ LEMBRETE para anotar as orações que serão feitas ao longo do dia; BLOCO DE NOTAS para anotar os pedidos de orações e DIÁRIO PRIVADO COM SENHAS para o caso de desejar fazer suas observações e anotações pessoais dos insights que venha a ter.

IPILON - Como tem sido a experiência do grupo de oração no Facebook? Como tem sido a interação entre os membros? Qual o critério para participar desse grupo?

Cezar: Quanto ao grupo, é da política do Facebook que quando um grupo ultrapassa 5.000 membros, ele automaticamente se torna um grupo fechado, contudo o critério para entrada envolve apenas manifestar o interesse de participar do grupo por meio da rede. Por meio das manifestações do grupo em rede já recebi retorno de uma pessoa que disse: "-Sempre tive dificuldades nesse sentido e o aplicativo tem me ajudado bastante." Outra testemunhou: "-Tenho seguido os ensinamentos deste grupo e aprendi que orar é muito importante em nossas vidas. Além de importante, é um exercício diário de disciplina e perseverança. Dou imensas graças por esta tarefa diária que me faz muito mais íntima de Deus!"

IPILON - Em nossos dias temos várias ferramentas que facilitam a comunicação, proporcionando rapidez e facilidades para o nosso dia a dia em várias áreas. Se por um lado, isso também pode contribuir para a nossa vida devocional, corremos o risco de ficar dependentes dessas ferramentas, deixando em segundo plano nosso relacionamento com Deus em nosso tempo devocional. Como lidar com o desafio de focar na essência da vida de oração e não no método?

Cezar: O objetivo do uso dos aplicativos é nos levar a orar com disciplina. Eles são apenas uma ferramenta no processo, cabe a nós o trabalho de formular as orações, de abrir o aplicativo e orar o que definimos para aquele momento. Temos inumeráveis exemplos de orações repetidas na Bíblia, como é o caso de Elias (I Rs 18.43) e o do próprio Senhor Jesus (Mt 26:44). O Senhor ensina da persistência na oração, Jesus faz menção da necessidade de orarmos noite e dia até que ela seja respondida (Lc 18.7). Assim, o aplicativo nos ajuda neste contexto de mantermos diante do Senhor o que lhe temos pedido até alcançarmos a resposta. A meta final é orar sem cessar (I Ts 5.17). A meta adequada é orar uma hora por dia (Mt 26.40). Os primeiros passos são orações curtas de até 15 segundos em intervalos regulares, pois está escrito: "o pão nosso de cada dia dá-nos hoje" (Mt 6.11). Que possamos continuar orando até que Jesus venha.

Instituto Jetro - Embora a oração envolva disciplina ela não pode ser vista como um sacrifício ou um esforço para se obter um prêmio, devemos compreender que a oração é o desenvolvimento de um relacionamento natural com Deus. Como você vê o desafio de orar num tempo tão recheado da Teologia da Prosperidade?

Cezar: Esta pergunta traz várias questões que lhe são implícitas, desde que olhadas em conexão com as escrituras. Sacrificar-se deve ser visto à luz de Rm 12.1. Neste texto é declarado que devemos apresentar nossos corpos em sacrifício santo, vivo e agradável a Deus, portanto não há como desenvolver uma vida espiritual sem o exercício de determinadas disciplinas, seja no estudo e meditação da palavra, oração e jejum, entre outros. O esforçar-se para obter um prêmio deve ser visto à luz do que Paulo nos conclama em I Co 9.24,25 e diz respeito a alcançar uma coroa incorruptível, portanto esta busca pelo prêmio deve estar ajustada a perspectiva bíblica e não nos termos da busca pelos prazeres, que militam em nossa carne (Tg 4.1-4). De fato, a oração visa aprofundar nosso relacionamento com Deus, que não é nada natural, porquanto, em que pese o fato de o fazermos orando, a nossa natureza humana rejeita em si a ideia de estar na dependência de Deus. Spurgeon disse em uma de suas pregações: "Há uma idéia popular de que a oração é uma coisa muito fácil, uma espécie de atividade comum que pode ser feita de qualquer forma, sem nenhum cuidado ou esforço".

Então, depois de combater orações pegas aleatoriamente em um livro, ele conclui dizendo que "como um peticionário não vai a uma corte impulsivamente, sem antes pensar no que vai dizer, mas entra na sala de audiências com seu processo bem preparado, tendo também aprendido como deve se comportar diante da grande autoridade a quem vai apelar". É isso que faço neste modo de orar, vou ajustando o escrito do que peço até conseguir focar nas minhas reais necessidades, que apresento diante de Deus e, dai em diante, vou insistir com as mesmas palavras, como fez Jesus no Getsemani, até que a petição seja alcançada. Por fim, quanto à teologia da prosperidade, esta é uma questão que seria necessário uma análise à parte. Antes de comentar a respeito dela trago a memória o que Paulo escreveu: "Porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade" (II Co 13.8), com isso quero dizer que não há como aprender a verdade a partir de um erro e a teologia da prosperidade é uma gravíssima distorção da teologia da generosidade, principalmente, à luz do Novo Testamento, em especial II Co 8 e 9. A teologia da prosperidade, nos termos que é apresentada no meio cristão alcança duas coisas principais: gera acumulação de riqueza desprovida do amor cristão e induz os peticionários do Senhor a murmurar contra Deus naquilo que o Senhor já respondeu por aquele que teve aumento de riqueza. Isto tudo pode ser observado em II Co 8 e 9.

Instituto Jetro - Quais os conselhos para pastores e líderes quanto a oração?
Cezar: O que mais ouço das instruções de muitos líderes é que orar é uma atividade simples, que basta tão somente aproximar de Deus e conversar como se faz com um amigo. O problema desta simplificação está em que aquele que ora, necessariamente, precisa receber o que pediu. É o que Jesus disse em Jo 14.13: "E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho". Quando adotamos este critério e levamos em conta que os discípulos pediram que Jesus os ensinasse a orar (Lc 11.1), então descobrimos que precisamos rever o que sabemos acerca da oração à luz das escrituras. Aprender a orar é um processo de amadurecimento. James McContey, por exemplo, apresenta cinco níveis de maturidade no orar: a) pedir dá direito a receber, mas não necessariamente o que se pediu; b) pedir dá direito a receber alguma coisa; c) pedir dá direito a receber boas coisas: Mt 7:11; d) pedir dá direito a receber o que necessitamos: Mt 6;8 e, por fim, e) pedir conforme a vontade de Deus dá direito a receber justamente o que se pede: I Jo 5:14,15. Chegar neste último nível exige, necessariamente, conhecimento da palavra de Deus, renovação de mente e consequente transformação e permanência em Cristo. Agora, particularmente entendo que não há como orar verdadeiramente, à luz da palavra de Deus, sem um estudo profundo sobre o tabernáculo de Moisés aplicado ao nosso viver diário. Este tabernáculo é o verdadeiro mapa de como nos aproximarmos da presença de Deus, ensino este expresso no Novo Testamento na carta aos Hebreus.

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Título do artigo: Conectados em oração
Autor: Cezar Andrade Marques de Azevedo


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