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Entenda o que é ansiedade


A ansiedade rouba a paz, a saúde, diminui a qualidade de vida e prejudica os relacionamentos. Como reconhecer os sintomas da ansiedade? Quando a ansiedade é normal e quando se torna patológica?

O Instituto Jetro entrevistou Ana Lúcia Sanches, psicóloga clínica com especialização em Clínica Psicanalítica pela UEL e Psicologia Breve pelo IPPESP- São Paulo.

Ana Lúcia SanchesO que é ansiedade?
Ana Lúcia - 
Ansiedade é um sentimento importante para manutenção da nossa vida. Pode ser positivo no sentido de motivar o individuo a superar seus próprios limites ou negativo se causa prejuízos à saúde e à vida social, afetiva e profissional. As causas podem ser externa, exemplo, esperar por um resultado de biopsia, prova de vestibular, e etc, ou interna, sem causa aparente que se manifesta de repente. 
O excesso de atividades ou não ter o que fazer por um período longo, pode gerar ansiedade. 
Quais os seus sinais?
 Preocupações, tensões ou medos exagerados 
 Sensação contínua de que um desastre ou algo muito ruim vai acontecer.
 Preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho.
 Medo extremo de algum objeto ou situação em particular. 
 Medo exagerado de ser humilhado publicamente. 
 Falta de controle sobre pensamentos, imagens ou atitudes, que se repetem independentemente da vontade.

A ansiedade sempre leva à depressão?
Ana Lúcia - 
Não, porém, é possível ter ansiedade e depressão ao mesmo tempo, o que agrava consideravelmente o quadro clinico.
No transtorno de Ansiedade a sensação de nervosismo toma grandes proporções e passa assim, a controlar a vida do indivíduo. Na depressão as mudanças de humor vêm acompanhadas de sintomas de tristeza, falta de esperança em relação a tudo e a todos, desespero constante e raiva, consumindo o emocional fazendo com que o nível de energia do individuo, fiquem muito baixos.

Quais os transtornos relacionados à ansiedade? Poderia falar resumidamente sobre eles? ( TAG, pânico, fobia social, TOC, Transtorno de estresse pós-traumático, fobia específica)
Ana Lúcia - 
Os transtornos relacionados são vários, vamos mencionar alguns: No Transtorno de Ansiedade Generalizada - TAG, a ansiedade é excessiva, difícil de ser controlada e freqüente, vem acompanhada por três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

O ataque de pânico é um período de medo de forma súbita, parece não ter sido provocado e é geralmente incapacitante. Os sintomas variam de pessoa para pessoa e são no mínimo cinco para ser considerada uma crise, incluem tremores, calafrios, sensação de desespero, desrealização ou despersonalização, ondas de calor, dificuldade em respirar, palpitações do coração, náuseas e tontura.

A Fobia Social é bem comum nos transtornos de ansiedade. O indivíduo com Fobia Social fica apavorado só em pensar na possibilidade de viver situações nas quais precise interagir com o meio, chega ao extremo de evitar qualquer contato social.

A fobia específica é o medo persistente e recorrente à exposição a objetos específicos ou situações. As pessoas afetadas tendem a evitar o contato direto com os objetos ou situações, e em casos severos qualquer menção ou retrato deles. Qualquer objeto desde que suscite uma resposta fóbica típica pode enquadrar os critérios de fobia específica. Os mais comuns são de sangue, de águas rasas ou profundas, trovões e tempestades, alturas, elevadores, aviões.

Transtorno Obsessivo Compulsivo- TOC é um distúrbio psiquiátrico. As queixas comuns dos pacientes com TOC são pensamentos obsessivos, rituais envolvendo verificação e limpeza. Alguns portadores dessa desordem acham que, se não agirem assim, algo terrível pode acontecer-lhes. No entanto, a ocorrência dos pensamentos obsessivos tende a agravar-se à medida que são realizados os rituais e pode transformar-se num obstáculo não só para a rotina diária da pessoa como para a vida da família inteira.

O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é um distúrbio da ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais em decorrência de o portador ter sido vítima ou testemunha de atos violentos ou de situações traumáticas que, em geral, representaram ameaça à sua vida ou à vida de terceiros. Quando se recorda do fato, ele revive o episódio, como se estivesse ocorrendo naquele momento e com a mesma sensação de dor e sofrimento que o agente estressor provocou. Essa recordação, conhecida como revivescência, desencadeia alterações neurofisiológicas e mentais.

Quais os tratamentos para os transtornos de ansiedade?
Ana Lúcia - 
O tratamento para o transtorno de ansiedade é tanto por meio de medicamentos (sempre com acompanhamento e receita médica), como psicoterapia com psicólogo ou médico psiquiatra, sendo que às vezes, a combinação dos dois tratamentos (medicamentos e psicoterapia) se faz necessário.

O que diz do aumento do uso de medicamentos controlados?
Ana Lúcia -
 Na minha experiência em clinica observo que há uma busca da felicidade a qualquer preço e obtê-la se tornou obsessão. Nos dias de angústia no lugar de buscar a causa do problema algumas pessoas preferem uma solução rápida e de certo modo acessível. É comum paciente relatar que "pede" um ansiolítico ou antidepressivo a seu médico e, se o pedido for recusado, troca-se de médico sem hesitaçao.

Os pesquisadores da Duke Divinity School no relatório da Clergy Health Initiative (CHI), uma pesquisa realizada com pastores da Igreja Metodista Unida na Carolina do Norte (EUA), constataram que 8,7% do total de entrevistados eram pastores com depressão, e os casos de ansiedade 11,1%. A média das demais profissões para ambos os casos nos Estados Unidos é de 5,5%. Podemos dizer que esses dados que revelam a depressão e ansiedade ligados à função clerical se aplicam ao clero brasileiro?
Ana Lúcia - 
Acredito que sim, pois a função é a mesma. A atividade pastoral exige envolvimento emocional e em alguns momentos torna-se difícil a caminhada. A RCP (Rede de Cuidados Pessoais) pode ajudar!

O importante, porém, é o reconhecimento dos sintomas, buscar ajuda profissional se necessário, diminuir algumas tarefas e rever os alvos, com intuito de retomar o equilíbrio emocional.

As muitas atividades, o alto nível de exigência e expectativas frustradas gera ansiedade e sentimentos de fracasso. A prevenção ainda é o melhor remédio. Da mesma forma que se procura um medico para saúde física deve-se procurar para saúde emocional. Afinal de contas, somos o templo do Espirito Santo.

A palavra-chave para o ansioso é "controle". Querer controlar todas as situações e se "pré-ocupar" com problemas futuros, mesmo sabendo que 70% deles não acontecerão de fato. Podemos afirmar que a autoimagem e a imagem de Deus distorcida causam a ansiedade?
Ana Lúcia - 
Evidente que sim. Se o individuo sente-se impotente e sozinho (por exemplo, surge pensamentos que Deus não liga pra ele, está ocupado com outras pessoas mais importantes) terá dificuldades de enfrentar situações conflitantes e provavelmente se desestabilizará emocionalmente.

Devemos olhar que o "controle" externo é uma maneira que a pessoa encontra de tentar controlar seu mundo interno que naquele momento encontra-se um caos.

Diante de um processo de ajuda, é mais produtivo compreender a causa da ansiedade, discriminando entre a fantasia e a reali