Entrevistas

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Liderança na vida pública e na vida privada


Deve-se diferenciar entre o que é público e o que é privado na liderança? Quais são os caminhos para se estabelecer consistência entre o público e o íntimo? Essas foram as perguntas que deram o tom na palestra do pastor Luciano Vilaça durante a 3ª Conferência Cristã de Gestão Ministerial promovida pelo Instituto Jetro em 2005.

Luciano Vilaça é pastor e escritor, co-fundador e membro da diretoria do Seminário Teológico Escola de Pastores, do Rio de Janeiro. Desenvolve estudos nas áreas de liderança, família e sexualidade. Nesta entrevista ele fala um pouco mais sobre a interação da imagem pública e da realidade íntima na liderança cristã.

foto de Luciano VilaçaÉ possível ser bom líder na igreja e ainda assim ser um péssimo líder em casa?
Luciano Vilaça - O apóstolo Paulo já dizia que aquele que não governa bem sua própria casa não pode liderar na igreja. Mas é claro que sabemos que há pessoas que aparentemente tem uma liderança eficaz – porque só vemos o que é público, o crescimento numérico – mas não tem uma liderança sadia, que é aquela que se estende para o privado. O melhor pai, em geral, será também o melhor líder, porque liderar é também uma forma de exercer a paternidade. Além disso, é amar, e aquele que ama sua esposa e filhos tem mais capacidade de amar os de fora.

O senhor vê diferença entre homens e mulheres no exercício dessa liderança sadia? Quem tem mais dificuldades?Luciano Vilaça - O princípio é para os dois, homem e mulher. O valor é um só. Mas há diferenças porque homens e mulheres enxergam a vida de forma diferente.

Como a liderança na vida pública e vida privada afeta a autoridade do líder?
Luciano Vilaça - Creio que os líderes devem se policiar. A vida pública não pode ser desassociada da vida privada para não virar uma máscara. Se os meus atos públicos não condizem com aquilo que eu faço em casa ou sozinho, eles não farão sentido. Não terei autoridade para falar publicamente se não viver aquilo no meu lar.

O senhor percebe, em sua caminhada, que essa incoerência ocorre com os pastores?
Luciano Vilaça - Infelizmente nenhum líder está livre da hipocrisia dos fariseus. Mas eu insisto: não é difícil ser o mesmo na vida pública e na vida privada. Se você é bom líder em casa, com certeza será um bom pastor, embora a recíproca não seja verdade.

Seus livros tratam bastante do relacionamento entre homens e mulheres, sobre a liderança de cada um. Qual sua visão sobre o papel do homem e da mulher nos dias de hoje?
Luciano Vilaça - Eu acho que os homens precisam reassumir seu papel de cabeça, mas isso não significa dizer que a mulher estará à margem. Pelo contrário. Elas devem também assumir seu ministério, sua potencialidade feminina. E isso é mais fácil quando cada um está cumprindo seu papel: o homem, sua “hombridade” e a mulher, sua “feminilidade”. É preciso deixar claro que quando falamos em “papel” do homem e da mulher, não estamos falando da divisão de tarefas para um e outro. Creio que liderança saudável do lar e do ministério inclui a colaboração do marido e da esposa tanto em um como no outro.

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