Entrevistas

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Formando líderes de dentro para fora


Ebenézer Bittencourt, diretor executivo do Instituto Haggai no Brasil, fala sobre a importância das igrejas investirem na formação e treinamento de uma liderança referencial, capaz de dar bom testemunho não só dentro da igreja, mas onde estiverem, especialmente no local de trabalho.

foto de Ebenézer Bittencourt

 

Podemos perceber no meio cristão um despertar para a importância de uma liderança capacitada e a valorização de programas de treinamento e aperfeiçoamento. Mas, de fato, as igrejas têm se preocupado com a capacitação dos líderes leigos para exercerem influência dentro e fora da igreja?
Ebenézer - 
Acredito que uma boa parte das igrejas reconhece o valor e desenvolve algum tipo de treinamento de líderes. Geralmente oferecem um treinamento mais informal e funcional. Ou seja, não há um programa de desenvolvimento de líderes tecnicamente estabelecido. E o que existe tem o objetivo de preparar as pessoas para exercerem seus ministérios dentro da comunidade cristã. São raros os treinamentos mais generalistas, que ajudam no desenvolvimento do cristão como líder em qualquer área de atuação.

O ambiente de trabalho é um importante campo onde os cristãos são levados a exercerem a sua fé. Na sua visão, de que forma as igrejas podem prepará-los para isso?
Ebenézer -
 Um conceito bíblico que precisa ser restaurado é o conceito do "Mandato Cultural", ou seja, a ordem dada por Deus em Gn 1:26-28, a todos os seres humanos, para que dominassem todas as coisas. Esta ordem divina contém o desafio da conquista da ciência. Ao homem é ordenado que conquiste cada setor do conhecimento, desenvolva suas habilidades e exerça sua profissão com excelência. Baseado nesta doutrina, podemos dizer que o cristão precisa se considerar um agente estratégico de Deus no mercado de trabalho e assim proclamar a sua fé apoiado nas asas do exercício de sua profissão com excelência. O profissional medíocre não tem autoridade para testemunhar. Infelizmente, no desejo de enfatizar missões, as igrejas têm esquecido que o exercício da profissão é uma vocação bíblica. Quando a igreja tiver este conceito inicial, aí então ela pode desenvolver um programa que ajude os profissionais cristãos a exercerem sua fé no mercado de trabalho.

De forma geral, como um líder leigo pode causar impacto nos seus relacionamentos fora do ambiente de igreja?
Ebenézer -
 Um líder será bem sucedido em causar impacto cristão através de seus relacionamentos se ele fizer o seguinte: (a) crescer continuamente em sua integridade pessoal para ter poder espiritual interior; (b) cuidar de sua família e exercer sua profissão com excelência para manter sua autoridade; (c) zelar por relacionamentos saudáveis que provoquem naturalmente um testemunho de vida; (d) buscar criatividade para semear doses homeopáticas da fé cristã em todas as suas conversas, ou seja, fazer o pré-evangelismo; (e) alimentar uma ousadia inteligente e sensível para verbalizar sua fé conforme a direção do Espírito Santo; (f) ter conhecimento e convicções pessoais para explicar o evangelho da cruz a todos que pedirem a razão de sua fé.

Uma das estratégias do Instituto Haggai é colocar uma ênfase no “como” evangelizar. Eventualmente este “como” não entra em choque com o “como” da igreja local na qual o líder congrega? De que forma o “aluno Haggai” deve ligar com isso?
Ebenézer -
 Não acredito que haja choque com a igreja local. Um líder cristão que desenvolva sua criatividade para verbalizar sua fé no contexto profissional, certamente será um elemento de influência positiva também dentro da igreja.

Sabemos de casos em que líderes leigos são mais eficazes do que pastores na evangelização. Por que isso ocorre e que estratégia as igrejas devem ter neste sentido?
Ebenézer - 
Um líder leigo pode ser mais eficaz no evangelismo quando (a) ele tem o dom de evangelista; (b) mantém mais contato com pessoas que não conhecem a Cristo do que o próprio pastor; (c) e quando ele se aprimora na comunicação com o não-cristão. Igrejas devem motivar este tipo de ação dos líderes leigos e abandonar o paradigma de que o púlpito é único local da conversão a Cristo. Uma igreja será mais relevante na proporção em que mobiliza seus membros no evangelismo no mercado de trabalho.

Se a “seara é grande mas são poucos os trabalhadores” as igrejas não deveriam entender a capacitação e treinamento de líderes como prioridade?
Ebenézer -
 Certamente. Treinamento de líderes é o ponto culminante do discipulado. Quando alguém desenvolve as qualidades de Jesus em sua vida e busca a maturidade espiritual, naturalmente chegará o momento de ser desafiado a um trabalho de liderança. Esta liderança será exercida não só no Corpo de Cristo como também na sociedade. A igreja que priorizar o treinamento de líderes estará investindo o futuro.

O senhor escreveu um livro onde lança um desafio aos cristãos para que usem sua influência na sociedade para evangelizar. Poderia nos falar um pouco sobre como usar esta influência?
Ebenézer -
 Dr. John Edmund Haggai, o fundador do Instituto Haggai, usa uma expressão curta e preciosa. Ele diz que devemos sempre usar a estratégia "de cima para baixo". Ou seja, se treinarmos líderes, eles usarão sua influência para atingir as pessoas que estão abaixo dele. É verdade que existe influência lateral e até de baixo para cima no processo de liderança. Mas é inquestionável o poder vertical do líder de cima para baixo. Se o líder cristão for criativo para usar esta influência, em nome de Jesus, para comunicar o evangelho transformador de Cristo, ele trará muitas glórias a Deus e muitas pessoas serão salvas.

O que o Instituto Haggai oferece que pode contribuir com as igrejas para a formação de líderes efetivamente capacitados para o evangelismo?
Ebenézer - 
O Instituto promove seminários internacionais, nacionais e locais, cursos e palestras nas áreas de Liderança, Comunicação, Visão e Metas, Criatividade no Evangelismo, Prioridades e Família, Captação de Recursos, Motivação e Mobilização de Colaboradores, Inteligência Financeira para Vencer na Vida, etc. Vale a pena conferir nosso site para descobrir o curso mais próximo de sua cidade ou para pedir um curso para sua igreja.

Que conselhos o senhor daria para pastores a respeito do treinamento da liderança? E a respeito do treinamento para aqueles que ainda não são líderes?
Ebenézer -
 Crie um grupo inicial que será sua sementeira de futuros líderes. (a) comece estudando os conteúdos de discipulado e vida cristã; (b) incentive todos a se envolverem no serviço cristão e monitore o desenvolvimento de cada um; (c) escolha eventualmente um grupo ainda menor para estudar com você e compartilhe seus segredos na área de liderança; (d) traga palestrantes de fora e permita que ele fale a todos os membros da igreja, para que isto incentive o surgimento de novos líderes; (e) disponibilize livros, sugira sites e artigos, coloque toda literatura possível ao alcance de todos; (f) leve seus líderes para outros eventos e permita que aprendam sob a ministração de outros professores; (g) dê responsabilidades de acordo com a capacidade e perfil; (h) quando delegar grandes tarefas ou projetos, aprenda a sair da frente e confiar que eles farão um bom trabalho; monitore à distância; (i) acima de tudo, saiba reconhecer o progresso de todos, cada um na sua proporção.

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