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História das filhas de Jerusalém


Publicado em 02.05.2017
Seguia-o numerosa multidão de povo, e também mulheres que batiam no peito e o lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos! (Lucas 23.27-28).

Após a tremenda experiência de Jesus ter subido aos céus, estávamos todos reunidos conversando a respeito dos acontecimentos ocorridos no dia da crucificação. Lembrávamos nossos medos e angústias ao vermos aquela cena horrenda e hostil contra nosso amado Mestre. Além dos discípulos e muita gente que amava a Jesus, estavam conosco o centurião responsável pela guarda, algumas mulheres que tinham chorado amargamente ao longo da caminhada para a cruz. Uma daquelas mulheres levantou-se e começou a relatar sua experiência: - "Estávamos no meio da multidão que acompanhou Jesus em seu caminho da cruz. Batíamos no peito e lamentávamos em alta voz. Olhávamos umas para as outras, alimentando nosso desespero. Nosso grito ardido foi interrompido pelas palavras de Jesus quando disse: Filhas de Jerusalém, não chorem por mim".

Naquele momento aquelas mulheres trocavam olhares entre si em concordância e alegria. Outra delas continuou: - "Como alguém em meio a tanta dor poderia pedir que não chorássemos? Quem estava sofrendo era Jesus. Mas seu olhar e suas palavras transmitiam como ele estava completamente consolado. Seu conforto nos reconfortou. Começamos a engolir o choro lentamente, uma após a outra. Não sabíamos, mas estávamos sendo assistidas pelo Espírito Santo. Aquele que viria a habitar permanentemente em nossas vidas já estava em nosso meio para cumprir sua missão de ministrar às nossas almas, assistir nossa fraqueza, ajudar os joelhos trôpegos, arrancar o desespero e nos encorajar e animar".

Todas tinham pleno discernimento de como haviam sido tocadas pelas palavras de Jesus. As filhas de Jerusalém costumavam chorar e lamentar publicamente. Muitas daquelas mulheres eram carpideiras, profissionais contratadas para chorar nos enterros. Mais do que interessadas no dinheiro que poderiam ganhar pelo choro, achavam culturalmente relevante viver o lamento e dramatizar a dor. Tornaram-se pranteadeiras por vocação, choradeiras por ocupação.

- "As palavras proferidas por Jesus no caminho da cruz quebraram o efeito do choro desesperado, despedaçaram o jugo do sentimento inconsolável, quebraram a resistência que havia em nossa alma à obra do Espírito Santo - continuaram a falar as filhas de Jerusalém - O trabalho que o Espírito faz nos corações para promover a paz interior excede todo entendimento. Exceder o entendimento quer dizer que não se consegue explicar. Talvez, por isso, muitos, ao depararem com alguém profundamente consolado diante da morte, o consideram totalmente louco ou, no mínimo, desprovido de suas melhores faculdades mentais. Outros ainda consideram que os consolados não amam tanto quanto os que choram copiosamente. Olhar para Jesus em meio à aflição é caminho para consolo. Quando olhamos somente para nós, somente existe espaço para choro amargo."

Aquelas mulheres não somente compreenderam e foram libertas, mas tornaram-se instrumentos de Deus em sua geração para proclamar o Deus que consola. Assim como Jesus, foram chamadas e capacitadas para consolar todos os que choram e ungidas para ministrar a todos os que estavam em luto - colocando uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto e vestes de louvor em vez de espírito angustiado.

Rodolfo Montosa (retirado do livro: De repente, acordei)

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Seguia-o numerosa multidão de povo, e também mulheres que batiam no peito e o lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos! Porque dias virão em que se dirá: Bem-aventuradas as estéreis, que não geraram, nem amamentaram. Nesses dias, dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos! Porque, se em lenho verde fazem isto, que será no lenho seco? (Lucas 23.27-31).

As filhas de Jerusalém costumavam chorar e lamentar publicamente. Muitas daquelas mulheres eram profissionais contratadas para prantear nos enterros. Mais do que interessadas no dinheiro que poderiam ganhar, achavam culturalmente relevante viver o lamento e dramatizar a dor. Tornaram-se pranteadeiras por vocação, choradeiras por ocupação. Essas profissionais do pranto e do luto eram conhecidas pela alcunha de "carpideiras", no hebraico "lameqōnenōt" - literalmente, aquelas que são como fontes de lágrimas. Eram contratadas para lamuriar nos velórios. Esperava-se que por meio da simulação de angústia e dor manifestadas por essas mulheres, o participante lutuoso fosse contagiado pela tristeza e aflição, como afirma o profeta das lágrimas: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai e chamai carpideiras, para que venham; mandai procurar mulheres hábeis, para que venham. Apressem-se e levantem sobre nós o seu lamento, para que os nossos olhos se desfaçam em lágrimas, e as nossas pálpebras destilem água (Jeremias 9.17-18). As celebrações fúnebres costumavam durar cerca de sete dias (Gênesis 50.10).

Essas profissionais permaneciam durante todo o tempo em que durasse o luto. A habilidade das carpideiras não se circunscrevia apenas a chorar, mas eram também exímias endechadoras, especialistas em compor e cantar cânticos fúnebres. As habilidades das carpideiras iam além do pranto e das endechas (na literatura é composição poética fúnebre, muito melancólica, composta de estrofes de quatro versos de cinco sílabas). Essas profissionais se aperfeiçoaram tanto em sua arte que aliavam a técnica do choro e do cântico fúnebre às artes cênicas. Eram especialistas em representar, encenar situações que visavam entre outras coisas ludibriar a outrem. Tem-se o caso de uma mulher astuta contratada por Joabe para simular um luto perante o rei Davi, diz a Escritura: Finge que estás profundamente triste, põe vestidos de lutos, não te unjas com óleo e sê como mulher que há muitos dias está de luto por algum morto (2 Samuel 14.2). As lamuriantes vestiam-se de preto e não costumavam usar perfume.

Energicamente, Jesus percebe e se levanta contra aquilo que, em nome do conforto, torna-se inimigos do consolo: o perigoso jogo da vitimização (olhar egocêntrico), o nocivo jogo da autoculpabilização (olhar acusador de si) e do danoso jogo da acusação (olhar julgador para o outro). Jesus não entra nesse jogo de sentir pena de si mesmo e não deixa que ninguém entre. Em reforço a isso, Jesus não quer ser visto como tendo motivos para choro.

Por outro lado, olhar para Jesus é a verdadeira fonte de todo o consolo. Aliás, Jesus, o E.S. e o Pai são amigos do consolo. De Jesus está escrito: O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo SENHOR para a sua glória (Isaías 61.1-3). Do Espírito Santo está escrito: E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós (João 14.16-17). Do Pai está escrito: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! (2 Coríntios 1.3).

A cruz de Cristo conquistou definitivamente consolo para todo e qualquer luto, ou adversidade. No lugar do desespero, nasce a esperança. Toda lágrima é acolhida, recolhida e enxugada. Louvado seja o nosso grande Consolador.

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Título do artigo: História das filhas de Jerusalém
Autor: Rodolfo Garcia Montosa

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