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Dia de choro


Publicado em 28.07.2016
Jesus chorou (João 11.35).

Na vida, tudo vai lentamente se desgastando: o corpo enfraquece, os anos deixam marcas, as doenças vão nos tirando vitalidade até que, finalmente, indesejadamente, por vezes subitamente - sem aviso prévio - chega a morte. Acontece que não fomos feitos para a morte, por isso ela é tão estranha, desconfortável, incômoda, repugnante, esquálida, sórdida. Ela é e sempre será intrusa, invasora, ladra. Diante da morte, parece que estamos tendo um pesadelo. A morte parece mentira, surreal, bizarra, absurda.

Foi exatamente diante da morte de seu amigo Lázaro quando Jesus chorou.

Seu choro surpreendeu, pois não era exatamente a reação esperada de alguém da estatura do Mestre: espiritualmente poderoso e emocionalmente forte. Surpreendeu a profundidade de seu vínculo, a importância de seu relacionamento, a genuinidade de seu amor. Surpreendeu, pois não ignorou a sua dor, não negou seu sofrimento, não repudiou o seu pesar. Surpreendeu ao reconhecer seus sentimentos, enfrentar sua perda e expressar publicamente sua aflição. Surpreendeu ao mostrar sua testa enrugada, sobrancelhas deformadas, olhos marejados, lábios contorcidos. Surpreendeu ao emitir gemidos, sons entranhados, lamento agoniado.

Porque surpreendeu, seu choro aproximou. Aproximou dos que choravam, pois viu a dor com seus próprios olhos, comoveu-se pela família e compadeceu-se pela comunidade que sofria a morte. Aproximou, pois era amigo. Aproximou, pois era irmão. Aproximou-se da perda. Aproximou-se do luto. Aproximou-se do que não mais tinha nem aparência nem cheiro agradáveis. Aproximou-se, pois não evitou sentir a nossa dor. Aproximou-se com seu choro, pois é natural chorar. Aproximou-se, pois jamais conseguiria estar à distância. Aproximou-se a ponto de todos os presentes perceberem a densidade do seu amor: vede quanto o amava, diziam.

Porque aproximou, seu choro consolou. Consolou, pois demonstrou que não tinha olhos secos, coração indiferente, atitude fria e distante. Consolou, pois, ao chorar, mostrou que há esperança para os que choram. Consolou, pois apontou que se importa com nossa dor e chora com os que choram. Consolou, pois ensinou a importância de reconhecer as perdas, enfrentar a dor, expressar com liberdade e intensidade o que se passa lá dentro. Consolou, pois mostrou que o reconhecimento da fraqueza é o ponto de partida para alcançar a força. Consolou, pois ensinou o choro que limpa, cura, renova, levanta, refaz, consola, anima, vivifica e fortalece.

O menor versículo da Bíblia nos revela o maior coração da história que alcança a nossa história. Continua surpreendendo, pois seu Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Continua aproximando, pois passou a habitar nossos corações. Continua consolando, pois seu próprio nome é Paracletos.

Mas a história não acabou por aí. Até ali, seus olhos estavam fixos à cena da morte. Mas, de repente, Jesus levantou seus olhos para o céu e viu muito além, o que ninguém via. Viu a morte da morte, a derrota do fim, o novo começo, a vida eterna. Seu coração é tomado de louvor e gratidão ao Pai. Lázaro ressuscitou como sinal do dia quando a morte seria derrotada definitivamente, completamente, irrevogavelmente. Por isso, declarou o que continua valendo: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?

Hoje pode ser um dia de choro, mas não um choro de desespero, pois temos esperança; não um choro de revolta, pois confiamos no amor do Pai; não um choro de adeus, mas de até logo. Esse choro de hoje tem seu tempo contado, seu decreto de término. Esse choro será cessado e toda lágrima enxugada. Assim como Jesus ressuscitou, um dia todo aquele que nele crê ressuscitará. E a partir daí, somente haverá alegria eternamente.

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Título do artigo: Dia de choro
Autor: Rodolfo Garcia Montosa

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