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Correndo a Corrida


Publicado em 09.02.2010
“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus.”
Hb 12:1,2
Vivemos num mundo muito acelerado. É verdade que nem todos sabem pra onde estamos caminhando, mas o fato é que tudo é muito rápido. Muito embora a grande coletividade perceba a cada ano que tudo passa mais rapidamente, somente alguns estão verdadeiramente correndo uma corrida, outros a estão assistindo e outros, nem sabem o que está acontecendo.
Na vida espiritual e ministerial não é muito diferente. Alta velocidade, mas não se sabendo muito bem para onde. Os pensamentos parecem somente ver o grande final apocalíptico, mas estão obscurecidos para o que vem antes disso. Falo a respeito deste ano, dos próximos cinco ou de algumas décadas.
Muitos até estão conseguindo perceber que há uma corrida proposta em Cristo: a de participarmos de sua missão de redenção da humanidade no sentido amplo e integral. Contudo, ao correr a corrida, sentem-se incapazes de alcançar a linha de chegada. O que então nos atrapalha? O que nos impede?
IDENTIFICANDO O PESO
Segundo o texto de hebreus, devemos nos livrar de tudo o que nos atrapalha. Como, porém, nos livrar do que nem percebemos? Então o primeiro passo é identificar o que nos atrapalha. Nesse processo de discernimento, devemos considerar que:
  1. Peso não é pecado – o autor deste trecho precioso deixa claro que devemos nos livrar de todo o peso e do pecado. Ora, pecado é outro elemento, que não peso. Peso é outra categoria que não a mesma do pecado.
  2. Peso é sobrecarga – é o que devemos ter, mas não na quantidade que estamos tendo. Assim pensar em nossa agenda, por exemplo, podemos identificar pesos, ou excessos. Aquilo que passou de uma zona de equilíbrio. Pense no trabalho, no tempo de qualidade com a família, amigos, ministério etc. Sobrecarga significa que o que fazemos não está errado, mas está no dimensionamento errado. Se nos excedermos em uma ponta, faltará na outra. Pense a respeito das finanças: consumo X poupança; despesas X investimentos. Sobrecargas trazem desgastes nas estruturas que não foram desenhadas originalmente para suportar tal peso.
  3. Peso é o não-essencial – um pouco diferente do anterior, não se trata de excesso, mas de perda de foco. Como que um acessório tomando lugar de uma peça principal. Acessórios, em geral, são atrativos e podem gerar distração. Gosto de pensar sempre em atividades-fim e atividades-meio. Como que o meio colocando de lado o fim. Perder o senso do que é essencial certamente traz grande peso, lentidão, paralisação, andar em círculos, fatiga e abatimento. Os resultados cessam, pois o meio não traz em si os frutos quando desconectam o fim. Como um atleta que se interessa tanto pela tecnologia de suporte aos treinos, esquecendo-se de treinar.
RETIRANDO O PESO
Se isso gera em minha mente condições para discernir pesos, a pergunta seguinte é “como me livrar deles?” Diz o texto, tendo os olhos fitos em Jesus. Mas o que Jesus nos ensina sobre isso? O que Jesus falou aos que estão sobrecarregados? Em Mt 11.28-30 podemos aprender que:
  1. Jesus disse “venham a mim” – ele nos chama para a dimensão do relacionamento, da intimidade, do tempo gasto, do estar junto. Quando nos sobrecarregamos perdemos nosso tempo com Deus. Oração e palavra ficam escassas. Ir a Jesus é ter tempo com ele, ouvindo-o, adorando-o, falando com ele. Mas existe também a dimensão de relacionamento com o irmão, pois Cristo reflete sua glória através de seu corpo. Assim, o peso também é retirado no processo de nos relacionarmos saudavelmente com nossos irmãos na fé, que refletem a glória de Deus.
  2. Jesus disse “tomem o meu jugo” – neste ponto entendemos a dimensão de dividir a carga, o jugo, o peso. É certo que ele se oferece nisso, mas também aqui temos a dimensão de dividir a carga com outros que tem Cristo. Compartilhar, delegar, entregar, depender, conectar-se. Palavras que traduzem facetas do compartilhar. Para muitos isso é impossível. Tanto no sentido de distribuir, quanto no sentido de tomar. Quantos vemos exauridos ao nosso lado, e não nos oferecemos. Também a ociosidade é um peso.
  3. Jesus disse “aprendam de mim” –  aprender o que? Mansidão e humildade. O que isso tem a ver com retirar o peso? Mesmo sendo o Redentor da humanidade, colocou-se sempre dependente do Espírito Santo, intenso em sua vida de oração e busca do Pai Celestial, envolvendo-se em uma equipe claramente inferior às suas capacidades e talentos, estimulando outros a engajarem-se na Obra de Deus. Humildade, apesar de sua estatura. Mansidão no trato e relacionamento com outros.

CONCLUSÃO

Segundo o texto de Hebreus, duas coisas nos impedem de correr a carreira que nos está proposta: o pecado e o peso. Como o pecado é muito trabalhado no contexto da Igreja, mesmo que nem sempre com seus efeitos práticos, nesta reflexão pensamos em nos dedicar à questão do peso.

Muitos líderes vão acumulando cargas que os tem levado à exaustão emocional e relacional. Neste sentido, dois passos simples devem ser dados: (1) identificar o que está pesando e (2) livrar-se dessa sobrecarga.

É certo que esses dois passos são profundamente desafiadores e complexos, mas se não forem dados não conseguiremos cruzar a linha de chegada.

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Título do artigo: Correndo a Corrida
Autor: Rodolfo Garcia Montosa

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