Reforma da cidadania - Liderança Pastoral - Artigos - Instituto Jetro

carregando...
Home > Artigos > Liderança Pastoral > Reforma da cidadania

Reforma da cidadania


Publicado em 30.10.2017
Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei
(1 Pedro 2.13-17).

Os cristãos foram perseguidos primeiro pelos judeus, depois pelos romanos, até que o imperador Constantino passou a favorecê-los e, sob Teodósio (no ano 380), o cristianismo tornou-se religião oficial do império. A aliança do poder secular com o poder espiritual deu origem à cristandade medieval que persistiu até a Reforma Religiosa do Século XVI. Nesse período, há sinais evidentes da presença e ação de Deus por intermédio do remanescente fiel da igreja. No entanto, a progressiva opressão do povo pelos papas e pelos príncipes suscitou movimentos libertadores. Dentre eles, destacou-se a Reforma Protestante num momento histórico propício a mudanças religiosas, sociais e políticas. Com base nas Escrituras e fiéis à nossa tradição reformada, como devemos proceder como cidadãos no exercício dos nossos deveres e direitos civis?

Reconhecendo a legitimidade do poder civil. Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem (1 Pedro 2.13-14). Os reformadores ensinaram, com base nas Escrituras, que a autoridade civil é ordenada por Deus para restringir a ação dos maus e proteger os bons. O nosso dever é de submissão e de participação, principalmente num regime democrático, que é em grande parte resultado da reforma (1 Pedro 2.13; Romanos 13.1-7). Exceto, quando o magistrado civil extrapola os seus limites (Atos 4.19, 5.29; Mateus 22.21).

Exercendo a liberdade com responsabilidade. Como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. O cristão, ao crer em Cristo, recebe o Espírito Santo (Efésios 1.13-14, Romanos 5.5) que produz nele amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. CONTRA ESTAS COISAS NÃO HÁ LEI (Gálatas 5.22-23). Ele é, portanto, livre. Mas a liberdade cristã, de acordo com o modelo do Mestre, tem o propósito de servir. Lutero ensinava que o crente, por ser servo de Cristo, é servo de todos. Por isso ele paga impostos, respeita e honra as autoridades, cumpre todos os seus deveres cívicos por dever de consciência e não por medo das penalidades da lei (Romanos 13.5-7). Para os reformadores, de acordo com a doutrina bíblica da vocação, qualquer cristão, quando chamado, deve exercer as mais diferentes funções públicas.

Exercendo influência pela presença. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei (1 Pedro 2.15, 17). Todas as esferas da atuação humana estão sujeitas ao pecado, à corrupção, principalmente a esfera pública. O cristão é chamado para ser aí sal da terra e luz do mundo (Mateus 5.13-15). Para preservar da corrupção e dar o sabor, o sal não pode ficar no saleiro; a luz, para cumprir a sua função, deve estar em lugar alto. O desafio para o cristão é claro: Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus (Mateus 5.16).

Concluindo, lembramos que Calvino, por exemplo, reconhece as dificuldades que enfrentamos quando estamos sob a autoridade de pessoas ímpias que se servem do poder, ao invés de usar o poder para servir, ou quando os magistrados extrapolam os seus limites. Neste contexto, ele cita Paulo: Por preço fostes comprados; não vos torneis escravos de homens (1 Coríntios 7.23). Mas deixa claro que nada justifica a insubmissão e a rebelião; antes de reivindicarmos direitos devemos ser diligentes no cumprimento dos deveres e um desses deveres é orar pelas autoridades.

Publicado originalmente no site da www.ipilon.org.br  

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

 

URL: http://www.institutojetro.com/artigos/lideranca-pastoral/reforma-da-cidadania.html
Site: www.institutojetro.com
Título do artigo: Reforma da cidadania
Autor: Mathias Quintela de Souza

Mais Lidos

carregando...

Comentários