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Discípulos na sensibilidade


Publicado em 14.02.2017

"Certo dia, trouxeram crianças para que Jesus pusesse as mãos sobre elas, mas os discípulos repreendiam aqueles que as traziam. Ao ver isso, Jesus ficou indignado com os discípulos e disse: "Deixem que as crianças venham a mim. Não as impeçam, pois o reino de Deus pertence aos que são como elas. Eu lhes digo a verdade: quem não receber o reino de Deus como uma criança de modo algum entrará nele". Então tomou as crianças nos braços, pôs as mãos sobre a cabeça delas e as abençoou." Marcos 10.13-16 (NVT)

Temos aqui um singelo episódio que reflete a grande capacidade de Cristo em se envolver emocionalmente com aquelas pessoas que não eram contadas, consideradas, nem levadas a sério. Nosso Mestre ensina algo desafiador a seus discípulos: sensibilidade ao outro.

Brutos, indiferentes, grosseiros, ou até desumanos. Esses são alguns adjetivos que poderiam caracterizar aqueles discípulos que estavam enxotando as pequenas crianças que queriam se aproximar de Jesus, como se estivessem expulsando cachorros. A rejeição aos pequeninos era tão forte na cultura que, conscientemente, ou não, embarcaram nessa. Jesus ficou muito indignado e os repreendeu veementemente, como que dizendo: "vocês estão fazendo a coisa errada ao serem tão insensíveis. O certo a fazer é deixar que as crianças venham até mim". Ora, toda vez que desprezamos, ou ignoramos, corremos o risco de nos comportarmos de maneira detestável aos olhos de Cristo. A sensibilidade de Cristo nos conduz a fazer a coisa certa. Devemos deixar que nossa sensibilidade pelos outros aflore, especialmente pelos pequeninos. Daí nasce a pergunta: Como tratamos as pessoas que são "menores" que nós?

Além de repreender a atitude externa, Jesus exorta seus discípulos a terem um mundo interior semelhante às crianças. O reino de Deus é propriedade daqueles que são semelhantes aos pequeninos e não aos grandes e poderosos. Com isso, Cristo quer dizer que deveriam buscar pureza de coração, sinceridade de expressão, alegria sem fingimento, leveza no olhar, desprendimento no caminhar. Precisavam revisar, imediatamente, os motivos que guardavam escondidos em seus corações. A sensibilidade de Cristo nos mantém com a motivação certa. Não basta fazer a coisa certa, é necessário fazer com a motivação certa. Poucos entendem isso. Desenvolver a sensibilidade pelo outro, de maneira real e altruísta, corrige a motivação dentro de si. Daí nasce a pergunta: Com qual motivação desenvolvemos relacionamentos?

Finalmente, o Mestre revela seu coração vazando sensibilidade pelos poros, transpirando empatia, exalando carinho, demonstrando ternura. Toma aquelas crianças nos braços, toca seus corações, ministra palavras de vida eterna, compartilha sua alegria, contagia com seu amor. A vida daqueles pequeninos nunca mais seria a mesma. A vida daqueles discípulos também nunca mais seria a mesma. Aprenderam a viver mais um princípio de uma nova vida, que nada tinha a ver com a que conheciam. A sensibilidade de Cristo nos inspira a fazer da maneira certa. O jeito certo de ser e se relacionar nasce dessa sensibilidade que só Jesus tem. Daí nasce a pergunta: Qual a última experiência de termos tocado o coração de alguém, consolando, animando, fortalecendo?

Da mesma maneira que Jesus ensinou seus discípulos, quer nos ensinar nos dias de hoje. Afinal, somos, ou não, seus discípulos? Temos o grande desafio de desenvolvermos nossos relacionamentos com o outro, dispondo-nos a sermos sensíveis e nos importar com sua real necessidade, alegrando-nos com sua alegria e chorando com seu choro. Isso é totalmente possível, pois Cristo habita em nosso coração. Definitivamente, a sensibilidade de Cristo tem o poder de nos conduzir a fazermos a coisa certa, com a motivação certa e da maneira certa.

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Título do artigo: Discípulos na sensibilidade
Autor: Rodolfo Garcia Montosa

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