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Deus, empresta-me os seus óculos?


Publicado em 17.04.2012
Fico pensando no que tem na cabeça dos caras que definem os nomes e categorias dos filmes veiculados no Brasil. Um dia desses, eu estava vendo novamente "Pleasantville: a vida em preto e branco", um drama intenso, dirigido por Gary Ross, mas classificado como comédia. Comédia? Alguém é capaz de rir num filme desses?

Outro. "Mister Cory", um clássico dirigido por Blake Edwards (o mesmo que dirigiu todos os antigos filmes da pantera cor-de-rosa), saiu com um título brasileiro absurdo: "Hienas do pano verde".

Tem gente que nada sabe do que está à sua volta, mas se acha entendida. Ouve samba crendo que está ouvindo Schubert, toca violão pensando ser piano, ouve bobagens ditas em nome de Deus e ainda grita "Aleluia!!!"

São os mesmos... São os de sempre.

Essa turma estava ao lado de Jesus e nada entendia. Traduzia Jesus de acordo com suas crenças, suas expectativas, de acordo com suas aspirações. O que queriam mesmo era pão, ainda que pra isso tivessem que ficar sentados na relva por um bom tempo ouvindo palavras sobre um tal reino dos céus.

Nada entende, mas se acha

Nicodemos era mestre em rito religioso vazio, mas ansiava por uma vida autêntica e abundante vinda do trono de Deus. Por isso, foi conversar com Jesus e dele ouve: "Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?" (João 3: 10). Nicodemos pensava que a vida de Deus se limitava às programações de sua sinagoga, limitava-se àquele ir e vir, semana após semana, reza após reza, hino após hino, sem que nada, absolutamente nada de extraordinário acontecesse em sua existência. Por isso, o vazio de sua vida o impulsiona a procurar Aquele que era uma aventura só, Aquele que por onde passava derramava graça, poder, cura, vida, novidade, alegria e certeza inequívoca da presença do Todo Poderoso.

Mas tem quem nada entende... mas se acha. Por isso, traduzem títulos de filmes da maneira mais ridícula possível. Por isso, pregam em nome de Deus o que Deus nunca disse. Por isso, obedecem a quem não deviam obedecer, vivem como não deviam viver, sofrem por aquilo que não devia causar sofrimento e deixam de experimentar a abundante vida proposta por Jesus, satisfazendo-se com migalhas legalistas (disfarçadas de vida piedosa), que entopem o dia-a-dia com "programações cristãs", que mais servem pra programar o sujeito a ter uma vida robótica, impensante, sem graça, do que levá-lo aos rios abundantes de vida em Jesus.

É a medíocre "vida-das-mil-e-uma-atividades", que cansa absurdamente quem dela participa, dando a falsa impressão de que estou fazendo "a coisa certa" para deixar Deus satisfeito com a minha exaustão em sua "obra". É a vida projetada dentro dos templos, pelos irmãos daqueles caras que traduzem títulos e classificam filmes para o mercado brasileiro. Essa vida me transforma numa máquina, faz-me semelhante a um operário do ramo religioso, com relógio de ponto na entrada da igreja, bem ao lado da cruz.

Vida antinatural 

O que se produz com isso, senão uma vida antinatural? O que se produz com isso não é outra coisa, senão uma falsa vida cristã, cheia de jovens com alma de velho, casais vivendo um teatro para que os outros pensem que estão bem (até que um dia tudo explode, porque ninguém consegue representar o tempo todo sem entrar num processo de esgotamento emocional e mental), idosos sem qualquer alegria, porque não podem mais se gastar até virarem pó na "obra do Senhor", e assim fazê-lo satisfeito por um pouco. Desconhecem o Deus da graça.

Deus me livre de ser um maria-vai-com-as-outras. Que Ele me dê o privilégio de enxergar a vida com os olhos Dele, de sentir a vida com o Seu coração e de ouvi-la com Seus ouvidos. Que Ele me faça enxergar a realidade como ela é de fato, e não como me parece.

Que Ele me dê o privilégio de experimentar Sua abundante vida, com santidade e verdade. Só assim verei, ouvirei e sentirei o que é certo. Só assim viverei como Ele sempre quis que eu vivesse.

Deus, empresta-me os seus óculos?

Texto cedido gentilmente pelo autor e publicado originalmente no seu blog.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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Título do artigo: Deus, empresta-me os seus óculos?
Autor: Samuel Costa

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