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As parteiras do Egito: em defesa da mulher e da criança


Publicado em 10.06.2014
As mulheres de Êxodo 2.15-22 são anônimas. Certamente não havia apenas duas parteiras para um país inteiro! O texto bíblico, na verdade, faz um elogio quando chama duas, dentre muitas, de Sifrá e Puá, que significam, respectivamente, beleza e esplendor. São títulos que enfatizam seu ato de coragem, muito mais do que nomes próprios.

O faraó, preocupado com a força potencial do povo hebreu, manda matar os meninos. "Mulheres são frágeis, não constituem ameaça. Podem viver". Assim pensava ele, temendo apenas o físico e o bélico. Mas as mulheres resistem, baseadas em astúcia e inteligência. Não com armas, mas com estratagemas. Com despistes, para que Faraó não veja a vida poupada de propósito. Essas mulheres nos desafiam à reflexão frente à natureza essencial do seu trabalho. Vivemos tempos em que parece impossível falar em essência, quando tudo parece tão maleável e mutável. Mas há uma série de valores intrínsecos ao trabalho delas e que, à luz de nossa reflexão sobre a denúncia da violência sofrida pelas mulheres, nos chamam à atenção e nos desafiam à ação.

Preservar e garantir a vida

Qual a função essencial de uma parteira? Trazer crianças ao mundo de forma segura e saudável, tanto para elas quanto para suas mães. A ordem do Faraó, portanto, vai contra o que lhes é mais elementar. Onde a vida nasce, ele pede que haja morte. Isso não pode ser feito sem que algo muito interior seja negado, sem afetar definitivamente o caráter da pessoa, aquilo com o que ela se compromete.

Essa ação das parteiras nos desafia na perspectiva da educação que temos recebido e transmitido. Muitos avanços importantes aconteceram, mas de vez em quando somos surpreendidas por retrocessos aparentemente românticos, mas que se mostram perigosos potencialmente.

O comércio que ensina nossas meninas a se comportarem como princesas, num mundo cor de rosa idealizado, distante das questões que nos atordoam no cotidiano. A mulher continua sendo objeto de mercadorização; meninas sofrem sob anorexias e bulimias tentando responder às exigências de uma sociedade egoísta. Crianças são vendidas à beira de estradas em nosso país, de dentro de barcos para ricos visitantes nas comunidades ribeirinhas. O sexo se banaliza como comércio em nome de uma pretensa autonomia de corpos, sem que se discutam posturas éticas coerentes.

Nos consultórios médicos e salas de parto, mulheres são agredidas em seu momento especial da concepção. Enquanto isso, outras sucumbem aos destratos do abordo clandestino. Faraó triunfa quando isso acontece; seu sistema perverso de exclusão social, econômica, política e até religiosa se sustenta do sangue dos inocentes, do silêncio dos que podem fazer alguma coisa e não agem.

Coragem para comprometer-se

As parteiras adotam uma estratégia para manter a vida. Com isso, assumem o risco de perder as suas próprias. Estão diante de uma ameaça mortal, porque o poder do Faraó é verdadeiro e fatal. Ao nosso redor também impera a lei da morte. O faraó está à solta, pois ele é, para nós, todo sistema antivida que possa existir. Jesus disse: "O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e vida em abundância" (João 10.10). Ele também disse: "assim como o Pai me enviou, eu também vos envio". Se o ministério de Jesus é dar vida, isso significa que o nosso também tem que ser.

Compromisso é essencial. Compromisso com a vida, com a atenção às coisas que podem fazer a diferença. Compromisso para denunciar, mobilizar, educar e transformar. Como as parteiras fizeram em seu tempo, com as estratégias que tinham à mão. As pessoas e comunidades cristãs podem fazer o mesmo, apoiando conselhos tutelares, casas de maria, ONGs diversas, palestrando, alertando, denunciando, educando para a vida.

A vida está na unidade. Foi o que as parteiras fizeram: elas não enfrentaram a luta com as mesmas estratégias de morte que o Faraó queria. Mantiveram a fidelidade ao seu chamado: preservaram a vida, apesar das consequências. Elas temeram a Deus mais do que temeram o Faraó. Por isso, de muitas formas, o derrotaram. O povo sobreviveu.

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Título do artigo: As parteiras do Egito: em defesa da mulher e da criança
Autor: Hideide Brito Torres

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