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Evangélicas e a violência doméstica em lares cristãos


Publicado em 08.11.2016

É altamente expressivo o número de mulheres evangélicas que declaram ser agredidas: física, psicológica, sexual e patrimonialmente; e quem diz isso são as ONGs que prestam auxílio direto as irmãs agredidas, atuando na Defesa de Mulheres Vitimas de Violência Doméstica.

Numa pesquisa desenvolvida pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, realizada junto a mulheres religiosas agredidas, é compartilhado: "(...) Não esperávamos encontrar, no nosso campo de pesquisa, quase 40% das atendidas declarando-se evangélicas, (...)"..

E, prossegue: "(...) A violência do agressor é combatida pelo ‘poder' da oração. As ‘fraquezas' de seus maridos são entendidas como "investidas do demônio" então a denúncia de seus companheiros agressores as leva a sentir culpa por, no seu modo de entender, estarem traindo seu pastor, sua igreja e o próprio Deus. (...)".

Concluindo: "(...) Logo o que era um dever, o da denúncia para fazer uso de seu direito de não sofrer violência, passa a ser entendido como uma fraqueza, ou falta de fé na provisão e promessa divina de conversão-transformação de seu cônjuge. (...)".

Lei Maria da Penha 

A Lei Maria da Penha (11.340/06), apontada pela ONU como uma das três melhores legislações de proteção a Mulher no Mundo, ainda carece de ser efetivamente aplicada pelos órgãos públicos, à qual visa: "(...) coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher (...)", contendo penalizações, e, descrevendo os "ambientes" onde ocorre agressão: "(...) no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas (...)".

Destacando-se: "(...) No âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independente de coabitação. (...)", seja namorada, noiva, companheira, esposa etc; especialmente a mais combatida, que é: "(...) a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal. (...)".

Enumera, também, outras condutas criminosas, tais como: "(...) a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação. (...)".

E, ainda, "(...) a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação, ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos; (...)".

Como também, "(...) a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. (...)".

A ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu um programa denominado Rede de Homens Líderes que se comprometem a trabalhar mundialmente pela eliminação da violência contra mulheres e meninas, seja educando meninos não violentos, seja conscientizando outros homens para que não compactuem com a violência, seja denunciando homens violentos, seja instrumentalizando meninas e mulheres para que não se acomodem a violência doméstica; e no caso das evangélicas é vital que as Igrejas promovam campanhas, à luz de I Ped. 3:7.

É plano de Deus que mulheres cristãs testemunhem a prática do amor ao próximo mais próximo, que são os cônjuges no âmbito do lar evangélico, exercitando o desafio da edificação de famílias que sejam testemunho de vida em comunhão, numa contribuição para a construção de uma sociedade saudável, mercê da graça do Senhor.

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Título do artigo: Evangélicas e a violência doméstica em lares cristãos
Autor: Gilberto Garcia

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