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Gerenciando um grupo ou liderando uma equipe?


Publicado em 11.07.2006

Como em outros setores do conhecimento, a área de administração também tem os seus modismos de tempos em tempos. Alguns destes termos da moda são apresentados incorretamente como soluções mágicas para os problemas organizacionais. Outros, vão se consolidando e sendo melhor compreendidos e utilizados com o passar do tempo. Assim, já vimos e ouvimos muito sobre reengenharia, benchmarking, informatização, responsabilidade social e uma lista infindável de siglas, termos e nomes de “teorias administrativas”.

Seguindo esta tendência vimos o surgimento das equipes como uma solução para a desmotivação, a falta de metas e a necessidade de adaptação contínua em um mundo que muda 365 dias por ano. Um grupo de funcionários (ops, colaboradores é a palavra “da moda”) deve ser chamado de equipe porque soa melhor, mais motivador, mais atualizado. Acontece que equipe não é um grupo de pessoas que trabalham juntas.

Atuar em um mesmo ambiente não transforma automaticamente um grupo de pessoas em uma equipe. Trabalhar em equipe significa interagir, comunicar, ouvir, responder, reconhecer limites, valorizar diferenças e intercambiar papéis. As equipes não nascem do acaso, elas não acontecem de repente. Equipes são desenvolvidas, evoluem por estágios, necessitam de comando específico e são influenciadas pelo ambiente, pelo próprio grupo e pelos indivíduos.

Talvez o fato da palavra equipe estar associada a esportes coletivos seja um dos motivos pelos quais nos sentimos tão atraídos por ela. Estas modalidades esportivas exigem, pela sua dinâmica, a coordenação das ações de duas ou mais pessoas para a ação esperada. Assim, o trabalho em equipe remete a metas, objetivos, disciplina, união e, claro, vitórias. Aliado a isso há o fato de que existe um anseio natural do homem em pertencer a um grupo. Fazer parte de uma equipe é pertencer a um grupo e isso parece ser algo muito motivador e reconfortante.

Tanto no esporte como nas organização um grupo de excelentes indivíduos juntos não necessariamente significa que uma equipe foi construída. O resultado da atuação da seleção brasileira na Copa da Alemanha é um exemplo da questão de “ser ou não ser uma equipe”. Segundo notícia no site da Folha de São Paulo,“após o fiasco, Parreira disse que montar seleção com estrelas é difícil”. Concordo com ele já que equipes são muito diferentes de grupos e a forma de comandá-las idem. Sabe-se que o “estrelismo”, a falta de clareza nos papéis e a competição interpessoal são fatais para a sobrevivência de uma equipe. Com isso, obviamente, os resultados ficam comprometidos.

Para entender o que é equipe parece ser importante entender primeiramente o que não é equipe. Uma equipe eficaz parece ser o último estágio de uma evolução que começa com uma reunião de pessoas. Primeiramente temos pessoas reunidas por um objetivo maior, uma convocação, uma imposição, enfim, por um motivo. Uma reunião de pessoas pode se transformar em um grupo de trabalho ou em uma equipe.

O foco de um grupo de trabalho é bem diferente de uma equipe. Enquanto no grupo o foco é sempre nas metas e responsabilidades individuais, na equipe temos pessoas comprometidas com um propósito comum e com um conjunto de metas pelas quais todos os componentes se sentem mutuamente responsáveis. O produto do trabalho ou o resultado do esforço é sempre individual no caso de grupos de trabalho. Já as equipes geram produtos de trabalho coletivo. Pausa para pensar novamente na Seleção Brasileira de Futebol. Os recordes de jogadores como Cafu e Ronaldo se encaixam perfeitamente no conceito de resultado individual.

Por tudo isso, o tipo de comando também é bem diferente um do outro. Os grupos necessitam de comando do tipo gerência já que para serem efetivos demandam uma chefia forte e claramente focada. Já as equipes combinam mais com um comando do tipo liderança, alguém que fará o papel de um facilitador do trabalho da equipe e coordenará a partilha dos papéis de liderança desempenhados pelos componentes. Gerenciar significa trabalhar com e através de outros, para alcançar metas que geralmente são as metas maiores da organização. Já liderança, neste contexto, significa influenciar o comportamento de um indivíduo ou de um grupo.

Enquanto os grupos e seus gerentes são mais focados em sistemas, estruturas, manutenção e controle, as equipes e seus líderes focam em inovação, progresso, pessoas e comprometimento. Mais um tempo para pensar na Copa e no estilo de alguns técnicos. Será que o que faltou para a Seleção Canarinho se tornar uma equipe, e de alta performance, foi o fato de não ter um comando do tipo liderança? Liderar tem mais a ver com atitude do que com habilidades e esta diferença é muito clara quando se comparam equipes com grupos de trabalho.

Veja bem que aqui não se pretende defender o conceito de equipe a todo custo e a todo tempo. Os grupos de trabalho são importantes, especialmente na manutenção dos processos organizacionais. Estes processos, que são fluxos de trabalho contínuos, dependem dos sistemas, estruturas, manutenção e controle já citados. O que se pretende neste artigo é despertar o leitor para o desafio de formar e liderar uma equipe que de fato atue como tal. Chamar um grupo de pessoas de equipe porque soa bem não gera resultados. Muito pelo contrário, pode até gerar frustração e descontentamento com esta forma de trabalho! Ainda que eu não entenda muito de futebol, concordo com o Parreira quando afirmou que “não conseguiu formar uma equipe”. Talvez, o que faltou foi absorver um pouco mais do estilo Filipão de liderar uma equipe chamada Portugal.

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Título do artigo: Gerenciando um grupo ou liderando uma equipe?
Autor: Adriana Pasello

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