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O fator decisivo na aprovação de projetos


Publicado em 18.05.2006

Você teve uma idéia brilhante a respeito de um evento de colheita e passou dias considerando se deveria ou não compartilhar com o seu líder na igreja. As semanas se passaram e a idéia não foi embora, muito pelo contrário, ganhou força quando você compartilhou com outros irmãos e isto lhe deixou mais motivado ainda. Marcou um horário com seu líder (quem sabe até com o pastor titular) e depois de um bom tempo explicando a idéia você ouviu: “Coloque seu projeto no papel e justifique bem direitinho a sua proposta”. De imediato, sua resposta foi: “Como assim, colocar no papel? Eu tenho a idéia mas não estou pronto para apresentar um projeto escrito!” O fato é que muitas idéias começam a desmoronar quando esta resposta é ouvida. É como se recebêssemos um “balde de água fria” e a idéia perdesse força no momento em que deve ser transferida para o papel e se transformar em um projeto.

A temática é atual. Nunca se publicou tanta literatura sobre projetos como agora e, ainda assim, à primeira vista, parece que o termo “projetos” somente nos lembra burocracia, papel, documentação, formalização excessiva. Mas, projetos existem desde o início dos tempos. As grandes construções da Antiguidade são exemplos de projetos bem sucedidos que foram planejados e executados e que até hoje podem ser visitados e admirados. Ao falarmos de projetos, quem não se lembra do texto de Lucas a respeito da construção da torre? E, se deixarmos de olhar para a História e para a Bíblia e olharmos para o nosso dia-a-dia, veremos que planejamos e executamos muito mais projetos do que supomos. Alguns exemplos são as viagens de férias, as festas de aniversário, a compra de um imóvel, uma mudança de cidade, a reforma da casa, celebrações de final de ano, enfim, atividades que fazem parte do nosso dia-a-dia que são, na verdade, projetos. Esta afirmação pode lhe surpreender mas a verdade é que você tem atuado como um gerente de projetos em muitas ocasiões e pode ser bem experiente nisso!

Cada mudança que fazemos é um projeto, ou seja, um esforço temporário (com início, meio e fim) que tem por finalidade alcançar um objetivo específico. Geralmente cada projeto resulta em um produto ou serviço único já que tem características próprias que o diferenciam de outros semelhantes. Vejamos, no caso da nossa viagem de férias: ela é única, temporária e (geralmente, com a graça de Deus!) alcança o objetivo de descanso para qual ela foi planejada. O mesmo acontece com os outros exemplos acima. Em cada um deles o esforço é temporário e o resultado é único.

Trazendo este conceito para a realidade das nossas igrejas podemos identificar rapidamente várias frentes que se encaixam perfeitamente nesta definição: eventos evangelísticos, acampamentos, reuniões de trabalho com a liderança, viagens para participação em congressos, conferências missionárias, palestras, construção do novo templo, compra de veículo, reforma das instalações, abertura de uma escola para treinamento de líderes, cultos de batismo, celebrações especiais, enfim, os exemplos são muitos e conhecidos por aqueles que atuam como líderes em suas igrejas locais.

Partindo então do pressuposto comum de que projetos fazem parte do nosso dia-a-dia e de que temos até “uma certa experiência nisso”, o que nos impede, como líderes, de formalizarmos nossas idéias e sugestões em formato de projeto? Por que ficamos desanimados e desmotivados diante do desafio de propor algo por escrito quando a idéia queima dentro de nós? Seria a falta de tempo? Ou será que fazemos parte do time daqueles que não conjugam o verbo planejar e, sendo assim, eliminaram também do seu dicionário os substantivos plano, projeto, propósito, cronograma, orçamento?

Muitas vezes a nossa dificuldade não reside propriamente em como descrever nossa idéia mas sim como justificá-la, ou seja, o porquê nosso projeto deve ser executado e de que forma ele faz sentido para a igreja. Em meio a tantas idéias, o que diferencia a nossa? Neste texto não pretendo analisar o projeto olhando para dentro dele, mas sim, para fora, para o contexto, para o ambiente, para a organização, para a igreja. Há muitos modelos e metodologias que podemos utilizar para formalizar nosso projeto mas isto será assunto para uma outra oportunidade.

Olhando então para fora do projeto, o que justificaria a sua execução? Hoje, mais do que nunca, os recursos físicos, financeiros e de pessoal são escassos. Afaste-se por um momento da sua idéia-projeto e olhe para a igreja, olhe para fora. Quais fatores ou qual fator validaria este projeto em detrimento de outros propostos? São muitas as idéias e é normal que muitas idéias nunca venham a ser executadas. Que tipo de indicador nos daria o sinal verde para transformar uma idéia em um projeto? Haveria um fator maior que tivesse tamanha importância a ponto de uma idéia “saltar aos olhos” da liderança?

Sim, sim, sim! Projetos são elementos de execução da estratégia da organização e como tal devem estar necessariamente alinhados com a estratégia estabelecida pela liderança da igreja. Entende-se estratégia como um conjunto de orientações e diretrizes de como atingir os objetivos definidos pela liderança. A estratégia fornece o rumo, a direção para onde a igreja está coordenando todos os seus esforços. Olhando então para fora da idéia “candidata a projeto” vemos a estratégia como um grande guarda-chuva embaixo do qual todos os projetos devem se alinhar. Este alinhamento resulta em sinergia para a igreja na medida em que contribui para que a mesma alcance os objetivos traçados pela estratégia.

Olhando a estratégia mais de perto e buscando dentro dela a sua essência chega-se na declaração de missão e visão da igreja. Esta declaração é o fator mais importante na validação da sua idéia. É a partir da visão e missão que todas as estratégias são construídas. Se a sua idéia não está remando na mesma direção da visão e missão, você tem grandes chances de fracassar em seu projeto ou, ainda que ele tenha um certo êxito, resulte em pouca ou nenhuma sinergia para a missão/visão da igreja. Assim como os músicos de uma orquestra mantém um olho no instrumento musical e o outro no maestro durante a performance, assim devem ser iniciados, conduzidos e finalizados todos os projetos dentro da igreja. Sem um alinhamento estratégico do projeto com a visão/missão corremos muitos riscos que vão desde desperdício de recursos até a frustração com o pouco resultado do mesmo.

A reflexão e a análise fundamental a ser feita, antes de um projeto ser colocado no papel, é: a minha idéia está alinhada com a visão/missão da igreja? Os recursos a serem alocados no meu projeto vão gerar sinergia para que a igreja seja fortalecida na direção da visão/missão? Eu conheço e entendo a visão/missão da igreja? Minhas prioridades e objetivos são influenciados por esta missão/visão? Esta visão queima dentro de mim? Esta análise é essencial, tanto para o projeto em si quanto para o reforço da visão da igreja. Portanto, não perca a missão/visão de vista. Utilize-a como uma bússola, como um direcionador, como inspiração, como motivação, como limitador e como objetivo maior!

Concluo com uma citação de George Barna extraída do livro Líderes em Ação: “Visão é o ponto de partida de uma liderança eficaz. É também o ponto de chegada, porque todos os nossos esforços, em última análise, são avaliados em termos do progresso que fazemos no sentido de implementar a visão plena e fielmente.”

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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Título do artigo: O fator decisivo na aprovação de projetos
Autor: Adriana Pasello

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