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Profissionalismo no contexto da igreja


Publicado em 09.11.2006

Muitos sonham em ouvir que são “um ótimo profissional”. Escutar de alguém que você executa suas tarefas “com muito profissionalismo” parece ser o desejo de muitos nas organizações de forma geral. E, de fato, ser reconhecido como alguém profissional é algo que pode fazer muita diferença na contratação e manutenção de uma função em uma organização.

Não há consenso a respeito do que se entende por profissionalismo, mas de início, pode-se dizer que o termo é muito mais abrangente do que parece. O Aurélio define profissionalismo como a maneira de ver ou de agir dos profissionais. Profissional como adjetivo diz respeito ao que exerce uma atividade por profissão ou por ofício. Já profissão seria a atividade ou ocupação especializada, e que supõe determinado preparo. Temos, ainda, profissionalizar, que seria dar o caráter de coisa profissional ou tornar-se um profissional.

Com base nestas definições já podemos começar a construir um conceito que indica para uma especialização, um preparo para ocupação de uma função. Este preparo ou especialização levaria alguém a ser reconhecido por seu profissionalismo através da sua maneira de agir.

A respeito do contexto em que estas palavras são usadas, tradicionalmente, o que se vê é a utilização exaustiva pelo segundo setor. Assim, as empresas voltadas para o mercado são aquelas das quais exigimos profissionalismo. Parece ser inconcebível nos dias de hoje que uma empresa não tenha uma ação profissional e nós, como clientes, fornecedores ou colaboradores temos sempre a expectativa de perceber isso na prática. Isto não é novidade! Pouca novidade também há no fato de que parece não haver uma expectativa positiva em relação ao profissionalismo nas organizações do primeiro setor, ou seja, no Estado.

Mas, e nas nossas igrejas, ministérios e entidades sociais? O profissionalismo tem sido uma prática, uma maneira de agir dos ocupantes de cargos ligados à gestão destas organizações? Ou será que este termo é uma palavra proibida no terceiro setor, incluindo aqui o que poderíamos chamar de “terceiro setor cristão”? ONGs, instituições religiosas, clubes de serviços, entidades beneficentes, centros sociais e organizações de voluntariado estão desobrigadas da prática do profissionalismo?

O Presidente da Manager, grande empresa de assessoria em recursos humanos, Ricardo de Almeida Prado Xavier, escreveu um artigo interessante a respeito do cenário de profissionalização do terceiro setor no Brasil. Ele afirma que alguns fatores estão impulsionando este processo:

- Os financiadores estão cada vez mais informados, conscientes e exigentes quanto ao retorno social de suas verbas;
- As verbas à disposição das organizações são cada vez mais vultosas, com a conseqüente necessidade de uso racional;
- Há desafios de sobrevivência e produtividade atrelados às expectativas de desempenho da sociedade como um todo;
- Há vigilância intensa da mídia e clamor por ética e lisura na condução de dinheiro público;
- Entraram, no terceiro setor, profissionais egressos da iniciativa privada ou do governo, com excelente nível de qualificação nas áreas de gestão, criando um novo paradigma profissional.

Assim, continua Xavier, “rapidamente o terceiro setor está deixando a era dos esforços baseados apenas na boa vontade para entrar na era da boa vontade com boa administração”.

Os fatores listados indicam um cenário onde cada vez mais as instituições do terceiro setor (igrejas, ministérios e entidades sociais inclusas) serão pressionadas para oferecerem uma gestão profissionalizada e competente. Por mais boa vontade que alguém possa ter em lidar com a contabilidade de uma igreja, a contabilidade é uma “atividade ou ocupação especializada, e que supõe determinado preparo”. Assim também ocorre com a área de gestão de pessoas, comunicação, informática, legislação e planejamento. Para cada uma se espera que os profissionais que as executam tenham determinados conhecimentos, habilidades e atitudes.

Conhecimento, habilidades e atitudes

Aqui reside um aspecto importante deste artigo. Não é nosso objetivo explorar a taxonomia de Benjamim Bloom – o CHA, mas, para enriquecer nossa reflexão sobre a temática, lembro que a percepção de profissionalismo se dá basicamente pelas atitudes. O CHA diz respeito ao C de conhecimento, que é o estudo, o saber. O H diz respeito à habilidade, que é a prática, ou o saber fazer. E o A diz respeito à atitude, o como fazer ou saber agir. Para ficar mais claro, pensemos em um profissional envolvido com as finanças de sua igreja. Para que ele possa fazer uma análise crítica das contas apresentadas (e assim ter uma atitude profissional) ele precisará manipular uma calculadora (habilidade), baseado no estudo de matemática financeira (conhecimento) que teve anteriormente.

Que conhecimentos e práticas fundamentam uma atitude profissional para nós, cristãos? De um brainstorming que conduzi ao ministrar o tema em uma turma do curso de teologia, surgiram mais de vinte fundamentos e conceitos diferentes. Fica claro que para o profissionalismo não há uma definição fechada ou algo restrito e sim um conceito ao redor da qual habitam vários outros, alguns interdependentes, outros que servem como fundamento e outros, ainda, que resultam de uma atitude profissional.

Não é nosso objetivo explorar cada um dos itens abaixo e sim compor a cena para que o profissionalismo seja um alvo a ser praticado em nossas organizações cristãs, seja ela uma igreja, um ministério ou uma entidade social. Desta forma, apenas relacionamos alguns elementos do universo do profissionalismo para sua reflexão:

- Excelência no atendimento e na execução das tarefas
- Foco no cliente
- Ações éticas
- Domínio das boas práticas de gestão da área
- Credibilidade
- Organograma e hierarquia pré-definidos
- Convergência entre a função e especialização do colaborador
- Programa de treinamento e desenvolvimento pré-estabelecido
- Uso de ferramentas apropriadas para a função (instrumentação)
- Padronização dos processos da área
- Cumprimento de prazos
- Aprendizagem permanente
- Prestação de contas constante

Se o profissionalismo é a maneira de ver ou de agir dos profissionais, isto aponta para a necessidade urgente de investirmos nas atitudes dos nossos colaboradores. E para isso, temos que fundamentar o conhecimento e a prática (lembre-se do CHA) transmitidos em valores que, de fato, vão gerar este tipo de atitude. Profissionalismo é para todo dia, em todos os detalhes, nas atitudes, nas ações e nas reações.

Deus com certeza se agrada deste tipo de posicionamento para o qual certamente haverá o devido reconhecimento. “Vês a um homem perito no seu trabalho? Entre reis será posto e não entre a plebe”. Provérbios 22.29

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Título do artigo: Profissionalismo no contexto da igreja
Autor: Adriana Pasello

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