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Os desafios de gerenciar uma igreja


Publicado em 12.12.2008

Não podia ser diferente. Assim como gerenciar uma empresa, gerenciar uma igreja é um caminho cheio de desafios e eles não são somente relacionados com os não-crentes. Com ou sem um gestor os problemas devem ser gerenciados e resolvidos. Para aqueles que não têm idéia do que é o dia-a-dia de um profissional que ocupa este cargo, segue um panorama dos tipos de situação que enfrentamos.

Quais os grandes desafios que vêm da membresia?

As maiores questões que vêm dos membros da igreja estão ligadas à parte operacional do funcionamento desta, como por exemplo, as atividades semanais e dominicais. Questões de segurança, mobiliário (como disponibilidade e qualidade das cadeiras), limpeza dos ambientes e banheiros, manutenção das instalações, organização de salas e salões para os encontros, espaço e local para estacionamento de veículos, aquisição e operação de equipamentos de som, multimídia, vídeo entre outros.

Recentemente executamos uma obra de construção civil e fomos questionados por um dos membros sobre a utilização de equipamentos de segurança e sobre os horários de trabalhos dos trabalhadores da empresa contratada.  Como a obra estava sendo coordenada pela gestão da igreja, foi muito simples esclarecer todas as dúvidas e questionamentos. Fazendo uma comparação simplista da igreja com uma empresa, é como se cada membro da igreja fosse um acionista com direito a voto na Assembléia Geral, isto significa que todas as questões levantadas pelos membros merecem a devida atenção e esclarecimento.

E em relação aos funcionários?

Uma igreja precisa garantir aos funcionários todos os direitos exigidos por lei, especialmente relacionados àqueles que trabalham em regime CLT. Pagamento em dia dos salários e conforme os valores de mercado, definição clara dos horários de trabalho e garantia de descanso semanal, pagamento de horas extras, férias remuneradas, pagamento de 13° salário, plano médico e vale transporte são exemplos de direitos e benefícios que devem ser garantidos aos funcionários.  Para isto, é necessária uma estrutura mínima de RH ou pelo menos um responsável que assegure o cumprimento destes direitos.

E quanto aos líderes?

Tenho observado uma preocupação da liderança com relação à subsistência da igreja a curto, médio e longo prazo, bem como em relação ao cumprimento das exigências legais junto aos órgãos municipais, estaduais e federais.

Questões como a expansão das instalações físicas para garantir o crescimento saudável e sustentável da igreja, renovação de alvarás, pagamentos de taxas e de tributos, aprovação de processos de imunidades e isenções tributárias e fiscais, controle de despesas e receitas e elaboração de orçamento anual com ênfase nas prioridades definidas no planejamento estratégico são questões que a liderança espera que sejam resolvidas pela gestão ou pelo gestor da igreja.

Outro desafio em relação à liderança é a prestação de contas freqüente junto ao Presbitério e Conselhos de Gestão e Administração que considero fundamental para garantia da transparência e do bom funcionamento administrativo da igreja.

E em relação aos pastores?

O desafio é equilibrar as despesas com as receitas e focar os gastos naquilo que foi definido como prioridade no planejamento global da igreja. O coração pastoral tende a atender as necessidades de todos, mas o desafio é atender as necessidades sem comprometer a saúde financeira da igreja como instituição e sem desviar o foco das prioridades.

Costumo dizer que se há uma reserva ou equilíbrio financeiro na situação da igreja, fala-se "O Senhor tem nos sustentado!" Por outro lado, se a igreja passa por uma situação de crise financeira, costuma-se dizer: "Gestor, você não previu que isto aconteceria?".

Além disso, planejar e definir o orçamento anual junto aos pastores, especialmente quanto será investido em cada ministério, é um trabalho desafiante que exige paciência, diálogo e muita oração.

E a questão espiritual?

O equilíbrio entre o espiritual e o racional é outro grande desafio. Até onde podemos ousar sem sermos imprudentes, até onde devemos racionalizar sem deixar de sermos espirituais ou insensíveis à voz de Deus? Como a igreja não é uma empresa, é necessário buscar sempre a direção de Deus e estar sensível ao Espírito Santo para a alteração de planos e investimentos.

E em relação aos de fora (fornecedores e prestadores de serviço) e aos que vêm de fora?

Em meio aos recentes escândalos financeiros no meio evangélico, a questão do dinheiro tem se tornado o calcanhar de Aquiles da igreja, especialmente para os não-crentes. Por este motivo, quando lidamos ou recebemos pessoas em nosso meio que não são evangélicas e explicamos o funcionamento da gestão administrativa e financeira da igreja, procuramos esclarecer a diferença entre o trabalho pastoral e o trabalho administrativo e de gestão. Temos tido feedbacks bastantes positivos devido à nossa busca constante pela transparência e integridade.

Princípios e práticas

Seguem alguns dos princípios e das práticas que norteiam o nosso modelo de gestão, especificamente com relação à questão financeira:

  • Não indicamos quanto as pessoas devem dar e nem constrangemos visitantes a contribuir.
  • Todos podem ofertar em envelopes identificados.
  • A contagem e conferência do dinheiro são sempre em equipe.
  • As ofertas são depositadas em banco. Não guardamos dinheiro na igreja.
  • Cada doador identificado recebe um extrato trimestral das suas contribuições.
  • Há um relatório dominical das entradas no boletim.
  • A contabilidade é profissional e terceirizada.
  • É executada auditoria externa anual das demonstrações contábeis da igreja e das instituições co-ligadas.
  • Existe prestação de contas ao presbitério e na Assembléia Ordinária.
  • Pastores não lidam com o dinheiro. Isto sempre é feito por no mínimo duas pessoas nomeadas pela diretoria da igreja - assinaturas, contagem, movimentação de contas.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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Título do artigo: Os desafios de gerenciar uma igreja
Autor: Marco Cruz

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