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Liderança Pastoral

Personalismo


Infelizmente este é um substantivo utilizado em muitas lideranças de nossas igrejas. Há muitos líderes que evocam a sua visibilidade. Personalismo "é a ação de atribuir tudo a si; vício que atribui tudo a si; individualismo". Na verdade, é uma deformação da personalidade. Elementos que brigam com a sua denominação e criam para eles, fundamentados em si mesmos, igrejas ou ajuntamentos que lhes apetecem, com a marca do seu individualismo. Eles são viciados em marketing pessoal. Embevecidos com a bajulação, com os elogios e honras vão ampliando o seu reino, seu poderio eclesiástico e sem prestação de contas aos liderados.

Os personalistas geralmente são ditadores, mandões e comprometidos com a identidade pessoal. Estão voltados para si mesmos, buscando os seus interesses pessoais como prioridade. Com o seu comportamento ditatorial, eles conseguem submeter as pessoas fracas, sem expressão, amorfas e descomprometidas com o genuíno evangelho da graça. Eles controlam os controláveis e encabrestam os que são facilmente aprisionados em função de interesses pessoais. Eles causam medo em seus liderados, nos membros de suas comunidades. Estes líderes geralmente não sabem dialogar. Agem unilateralmente. Subjugam os incautos. Colocam pesos nos liderados muitos difíceis de carregar como faziam os religiosos judeus na época de Jesus. Utilizam a Bíblia para gerar submissão e medo.

Os elementos comprometidos com o personalismo sofrem da síndrome de narciso. Este, personagem da mitologia grega, morreu afogado ao cair no lago depois de olhar para o espelho d'água, extremamente embevecido por sua própria imagem e controlado por ela. Os narcisistas têm verdadeira paixão por sua imagem. Fazem de tudo para promovê-la. Esta situação é difícil de solucionar, pois eles ficam viciados em si mesmos. São controlados por sua autonomia, sendo a sua própria lei em detrimento da lei do evangelho de Cristo.

Os personalistas têm uma identidade doentia, comprometida com toda a forma de egoísmo. Geralmente são ególatras. Nabucodonozor, imperador da Babilônia, foi acometido desta enfermidade terrível. Os imperadores romanos também. Os escribas e fariseus, especialmente seus líderes, eram especialistas em se autopromoverem. Os líderes descritos por Judas, em sua epístola, são considerados, nesta perspectiva, como "pastores que apascentam a si mesmos. São como nuvens sem água, levadas pelos ventos. São como árvores sem folhas nem fruto, duplamente mortas, cujas raízes foram arrancadas. São como as ondas bravias do mar, espumando suas próprias indecências, estrelas fora de curso, para as quais a escuridão das trevas tem sido reservada para sempre". (Judas 12,13). É impressionante esta comparação feita pelas Escrituras Sagradas.

Há cura para o personalismo?

Sem dúvida, há. Submeter-se ao senhorio de Cristo pelo arrependimento e pela fé. A natureza do personalismo é substituída pela natureza de Cristo, pela personalidade do Salvador. Paulo diz que nós temos a mente de Cristo (1 Co 2.16). Os personalistas deixam de ser o centro de si mesmos para que Cristo o seja. Deixam o seu pedestal do orgulho e são transferidos para o chão da humildade; de serem exaltados para exaltarem a Cristo e de projetarem a si mesmos para engrandecer a Cristo Jesus. Assumem, em Cristo Jesus, uma postura de servos e sempre prontos a servir com o Seu amor. A sua velha natureza é substituída pela natureza de Cristo. O seu comportamento destemperado é dominado pela mansidão de Cristo, o Cordeiro de Deus. Eles podem dizer: "Não mais eu, mas Cristo em mim" (Gl 2.20).

Pela fé passam dizer: "Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro" (Fil 1.21). Antes, não prestavam contas, mas agora abrem as contas para serem examinadas. Antes, as coisas eram veladas. Agora, são transparentes. Há uma mudança radical. Os personalistas são tomados da personalidade de Cristo Jesus. O seu prazer é o Senhor. Eles não mais se satisfazem em si mesmos, mas se satisfazem em Cristo Jesus, o seu Salvador e Senhor. Não é mais a sua autossuficiência, mas a suficiência de Cristo. Não mais a sua glória, mas a Glória do Pai, que enviou o Filho glorioso para os salvar plenamente.

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