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Gestão de Pessoas

A melhor estratégia começa pelas pessoas


Gestão em geral é considerada uma palavra bonita, bem-vinda sempre que a empregamos em consultorias empresariais. Gestão de Pessoas então é uma expressão que provoca ainda mais entusiasmo e admiração, na teoria; porque, na prática, infelizmente verificamos que a relação entre a maioria dos gestores brasileiros e a gestão da sua organização e das pessoas que colaboram com ela é de distanciamento.

A distância se amplia mais ainda quando a entidade nasce sem fins lucrativos, com um propósito social, beneficente ou de idéia similar, como é o caso da gestão das igrejas. Há uma justificativa para este distanciamento que se repete em consultorias a instituições sem fins lucrativos – trata-se de muitas pessoas em prol de objetivos sociais, alguns voluntários, num ambiente ausente de metas financeiras e que respeita a imperfeição humana. Nos diagnósticos concluímos com certa freqüência que falta liderança e gestão do empreendimento, a cultura é frágil ou impregnada de valores distantes do cerne da organização.

Ocorre que a gestão de um empreendimento vai muito além da geração de lucro, rentabilidade ou auto-sustentabilidade. A beleza da gestão está justamente na sua essência: fomentar o que chamamos de pensamento estratégico, o que inclui analisar imparcial e impessoalmente: quem somos, o que queremos, onde estamos, para onde vamos e de que forma podemos chegar lá.  É como sair de dentro da organização, atravessar a rua, sentar na calçada e olhar com olhos de realidade, fazendo um “raio-x” e identificando os potenciais e as fragilidades do que se vê à frente.

É aqui que entra a gestão das pessoas que estão neste barco chamado organização. Estas que irão remar juntas, metro a metro em direção ao rumo pretendido, devem estar sincronizadas, compreender os limites de força e capacidade de atuação de cada colega e conseqüente competência efetiva da equipe.

Devem estar dispostas a fazer parte deste barco, compreender que terão benefícios individuais em participar desta maratona e comemorar o uso destes benefícios como conseqüência da dedicação, da aplicação do seu potencial de trabalho, criatividade e energia em prol da organização. Estas pessoas precisam também compreender que o barco do qual resolveram participar está rodeado por águas em movimento, com corredeiras que agitam o seu interior, com pedras que ameaçam a estabilidade do mesmo, com ventos que podem testar repetidas vezes a capacidade real de sua estrutura interna.

Para que estas pessoas compreendam com clareza em que meio escolheram estar inseridas e queiram contribuir para conduzir o barco a um lugar seguro e agradável, o líder precisa sistematizar o “pensamento estratégico”. O gestor é o responsável por observar constantemente e perceber o movimento do qual sua organização está fazendo parte, resgatando sempre que necessário respostas a perguntas como:

- Para que nascemos? 
- Que propósitos temos? 
- O quanto todos os envolvidos têm vivenciado diariamente estes propósitos (inclusive eu mesmo)?

É preciso que a prática corresponda ao discurso. Somente com ação será possível transformar sonhos em realidade, já sabemos disso. Então, o que ocorre quando os líderes parecem se perder no meio da corredeira da rotina? É preciso parar à beira da margem com certa freqüência, olhar para os remadores e perguntar-lhes:

- Vocês se lembram para onde estamos remando? 
- Com que agilidade cada um aqui está trabalhando? 
- Vocês estão satisfeitos com seu próprio desempenho? 
- O que podemos fazer para melhorar nossa performance?

É preciso também ter uma escuta ativa, despojada de julgamentos e rotulagens, que vise responder de forma assertiva:

- Estou conseguindo, enquanto líder, fazer minha equipe refletir em suas atitudes os propósitos que temos? 
- A propósito, quais são os propósitos da nossa organização? 
- Para onde mesmo estamos remando esse barco?

Caro leitor, concluo este artigo afirmando que “fomentar o pensamento estratégico” inclui fazer muitas perguntas, buscar muitas respostas, refletir profundamente sobre questões já vistas, revistas e que precisam ser renovadas na medida em que se caminha.

Afinal, como diz um sábio provérbio, “quando penso que sei todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas”.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

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