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Reflexão

Na direção certa


"Está consumado". As últimas palavras de Jesus como homem sempre me intrigaram. Como Ele poderia dizer com convicção que sua missão estava cumprida? Não havia ainda muito por fazer na Terra? Max Lucado, em "Simplesmente como Jesus", me deu a resposta. A missão de Jesus era chegar à cruz do Calvário. Sua meta era essa. E isso, Ele cumpriu.

Desde criança, criei o hábito de não terminar o que começava. Quis me tornar nadadora, mas não passei de seis meses nas aulas de natação. Quis ser pianista, mas desisti das aulas após sete anos de investimento. Tentei bordar, costurar e pintar quadros, mas nunca conclui sequer um desses trabalhos. Comecei a faculdade de Arquitetura, mas resolvi estudar Jornalismo. E foi então durante meus anos de faculdade que Deus me mostrou que havia algo errado. Nossos anseios dirigem nossa caminhada, mas nem sempre eles estão afinados com nossos pontos fortes.

A vida pode nos tornar dispersos. É sempre bom assumir desafios, mas se a cada novidade nossos olhos brilharem e nosso coração bater mais forte como que chamando a mudar o rumo, corremos o risco de ser tendenciosos e levar uma vida sem estratégias, sem prioridades. Além disso, há coisas que queremos fazer mas realmente não temos dom e talento para aquilo. Antes de iniciar um projeto - seja ele qual for - é preciso conhecer nossas habilidades.

Jesus jamais se desviou de seus objetivos. Ele é o melhor exemplo de alguém que andou nos caminhos do Pai, ouviu sua voz, atendeu seu chamado e o cumpriu. Penso que talvez, alguns de nós, se vivêssemos naquela época, seriamos atrevidos o suficiente para achar que Jesus deveria ter feito mais antes de partir. E outros, se fossem o próprio Jesus, prorrogariam sua permanência entre nós - com a melhor das intenções, é claro.

Na vida ministerial, focar os olhos num objetivo é essencial. Mesmo que não estejamos fazendo tudo aquilo que queríamos ou imaginávamos, desviar-se do foco pode ser perigoso.

Alguém contou certa vez a história de um guarda marítimo que trabalhava num farol e sua missão era manter sempre a luz acesa usando como combustível o óleo que chegava até ele uma vez por mês. Um dia, um dos moradores da ilha precisou de óleo para suas lamparinas e o guarda prontamente cedeu um pouco do que tinha no estoque. No outro dia, uma mãe o procurou porque também precisava do combustível para manter sua casa aquecida e ele também a ajudou. Dias depois, casos parecidos surgiram, e como todos pareciam ser pedidos importantes, ele atendeu. O problema é que antes de chegar o novo óleo, seu combustível acabou. O farol ficou apagado e vários navios bateram em rochas.

Você e eu jamais seremos capazes de atender todas as necessidades do mundo. Nunca poderemos fazer tudo aquilo que sabemos ser necessário para melhorar a vida daqueles que estão próximos de nós. O melhor, então, é nos concentrarmos em seguir na direção certa e cumprir o papel que nos foi determinado por Deus. Se alcançarmos isso, já será uma vitória e tanto.

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