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Reflexão

Crescimento e mudanças


Recentemente li uma matéria sobre o cérebro humano* que dizia que quando vivenciamos uma experiência pela primeira vez ele dedica todos os recursos necessários para captar e registrar as informações daquela nova experiência. Ao contrário de quando você simplesmente repete coisas já apreendidas anteriormente, e que muitas vezes tornam-se rotina, nestes casos o cérebro reage no modo ‘automático’, deletando experiências repetidas.

Podemos constatar este fato naquilo que fazemos no dia-a-dia como, por exemplo, dirigir um veículo. Quando estávamos aprendendo a dirigir, necessitávamos de toda a atenção e concentração, mas com o passar do tempo aquilo se tornou uma experiência comum sem que precisemos de nenhum esforço mental. O desafio desta matéria era, então, mudança.

Observando a criação, percebemos que ela vive em constante mudança, a vida em sua essência é dinâmica. A natureza, as estações, as fases da vida humana, tudo muda. Aquilo que possui vida está sempre em constante mudança.

Se pensarmos em nossa vida espiritual percebemos este mesmo princípio, estamos em processo de mudança do imperfeito para o perfeito – sendo Cristo o nosso modelo. A teologia da regeneração fala sobre mudança, e o apóstolo Paulo em seus escritos afirma esta verdade, “Essa natureza é a nova pessoa que Deus, o seu criador, está sempre renovando para que ela se torne parecida com ele...” Cl. 3:9 (NTLH), e ainda o conhecido texto de Rm. 12:2 “Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus...”.

No entanto, o ser humano parece preferir a condição do estático, do estável, da rotina, não sendo muito favorável às mudanças, afinal de contas elas nos conduzem ao desconhecido, ao novo e nos trazem a incerteza e insegurança. Esta frase de um autor desconhecido expressa bem esta realidade: “Crescer significa mudar e mudar envolve riscos, uma passagem do conhecido para o desconhecido.”.

Este princípio é verdadeiro para todos e em todas as áreas da vida, sem a clássica dicotomia ‘sagrado’ e ‘profano’. Devemos pensar que a mudança gera crescimento e que o crescimento naturalmente irá provocar mudanças, seja no âmbito pessoal, profissional ou ministerial. No entanto, queremos associar este princípio especificamente à liderança ministerial.

Como reles mortais, somos igualmente afetados pelo medo da mudança. A mudança nos faz sentir vulneráveis, desprotegidos, por isso muitas vezes optamos por simplesmente permanecer fazendo aquilo que sempre fizemos e da mesma maneira, sem nos lançarmos ao desafio que nos trará crescimento.

Como líderes cristãos, temos diante de nós o desafio, que é nosso chamado, de carregarmos o bastão da proclamação do evangelho em nossa geração, e ainda de sermos referenciais para a próxima geração.

Estamos sensíveis e abertos à completa mudança da mente, para conhecermos a vontade de Deus e assim sermos efetivos nesta tarefa?

Olhando para a bíblia vemos tantos exemplos não convencionais utilizados por Deus para realizar seus propósitos e manifestar seu poder. De um casal de velhos (Abraão e Sara) e do ventre de uma mulher estéril, Deus suscita uma nação. De um exército de 32.000 homens liderado por Gideão, escolhe somente 300 para guerrear contra os midianitas. De todos os filhos bem apessoados de Jessé, escolhe o menor, pastor de ovelhas para ser ungido rei sobre Israel. Através de uma inseminação artificial feita pelo Espírito Santo traz à luz o Salvador, o Messias. Da saliva misturada ao pó da terra dá a visão ao cego. Da morte maldita na cruz trouxe vida eterna a todos aqueles que crêem.

E aí você pode estar pensando que todos estes exemplos relacionavam-se à fé. E está correto, pois toda a mudança requer fé. Aquele que deseja ser um líder conforme o querer de Deus necessita aprender a se mover pela fé. Mudança provocada pela fé que traz crescimento. Quando vivenciamos estas experiências somos marcados em nossa história e marcados em nosso tempo. É aí que vivemos intensamente, não reproduzindo simplesmente as mesmas experiências do passado.

Com isto, quero deixar para você neste novo ano que se inicia um conselho: abra-se para as mudanças, busque-as, corra este risco, cresça!

*Jornal O Estado de São Paulo, ‘Cérebro Humano’, por Airton Luiz de Mendonça.

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