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Reflexão

Chão de estrelas

Não há outro, ó amado, semelhante a Deus, que cavalga sobre os céus para a tua ajuda e com a sua alteza sobre as nuvens. (Dt 33.26).

O silêncio reina. A única iluminação que se vê é de algumas telas individuais nos assentos de passageiros que não conseguiram adormecer, passando filmes ou informações do vôo: lá fora está -50°C, aqui dentro, 22°C. A 890 quilômetros por hora e a mais de 11 mil metros de altitude penso em despertar minha esposa e filha que dormem ao meu lado para apreciarem pela janelinha o estupendo pôr do sol no firmamento emoldurado na parte superior por algumas estrelas, e embaixo, por uma espessa camada de nuvens de uma frente fria que estacionou sobre o sudeste.

Penso bem e prefiro não interromper seus soninhos. Só falta uma hora até a selva de pedra paulista, que durmam sossegadamente enquanto curto a paisagem.

É sempre assim: cada vez que estou sobre as nuvens Deus me revela um pouco mais de sua grandeza.

Segundo o Salmo 104.2b-3: "Tu estendes o céu como uma cortina, pões nas águas o vigamento da tua morada, tomas as nuvens por teu carro e voas nas asas do vento". E o profeta Naum afirma que as nuvens são o pó dos Seus pés. (Naum 1.3).

Como não louvá-Lo?

Mas subitamente lembrei do nome de um bairro lá da minha terra: "Chão de Estrelas". De onde vem esse nome? Um dia descubro. O interessante é que apenas UM é quem pode ter o Seu chão forrado de estrelas: Deus.

Jó já havia dito que Deus passeia pela abóbada do céu (Jó 22.14). O salmista que compôs o Salmo 147 afirma que Deus sabe o número de estrelas e chama cada uma pelo seu nome (Sl 147.4). Nada mais natural, pois foi Ele que as criou. Lembro-me dos versos de Davi no Salmo 8.3-4: "Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres e o filho do homem, que o visites?".

Pois é, nós, tão pequenos ante a um Deus tão magnífico e tremendo!

Como é agradável sentir que é justamente esse Deus quem cuida de mim. Mas como ter certeza disso?

Que tal continuar pelo Salmo 8? Lendo mais um pouco vemos que Deus confiou ao homem o domínio sobre as obras das mãos dEle, Ele nos fez um pouco menores que os anjos. É difícil entender a proporcionalidade se compararmos com o Seu chão de estrelas, mas é estupenda a nossa situação!

Lembro-me dos versos da música "Nas estrelas" cantados pelo João Alexandre/"Vencedores por Cristo".  Em certo momento ouve-se "... descobri então que Deus não vive longe lá no céu, sem se importar comigo".

Nas estrelas vejo, a Sua mão 
E no vento eu ouço a Sua voz 
Deus domina sobre terra e mar 
O que Ele é prá mim. 
Eu sei o sentido do Natal 
Pois na história tem o seu lugar, 
Cristo veio para nos salvar, 
Mas o que Ele é prá mim, 
Até que um dia o Seu amor senti 
A sua imensa graça eu recebi 
Descobri que Deus não vive 
Longe lá no céu, 
Sem se importar comigo, 
Mas agora ao meu lado está 
Cada dia eu sinto o seu cuidar, 
Ajudando-me a caminhar 
Tudo Ele é prá mim.

Quando imagino que estou em "maus lençóis", olho para o alto. Se for dia, vejo o pó dos Seus pés. Se for noite, procuro pelo Seu chão de estrelas. Não dá para imaginar o tamanho do Senhor! Estou ainda mais abaixo, mas isso apenas significa que é esse Deus tão grande quem me sustenta e está ao meu lado sempre, mesmo pequeno como sou.

Olhe pra cima!

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