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Reflexão

Instruam e aconselhem-se uns aos outros


Que a palavra de Cristo habite ricamente em vocês. Instruam e aconselhem-se mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão no coração (Colossenses 3.16 - NAA).

Existe uma riqueza maravilhosa no Novo Testamento ao redor da expressão uns aos outros. Uma delas é a possibilidade de nos instruirmos e aconselharmos mutuamente. Instruir (gr. didasko) diz respeito a ensinar, educar, formar, adestrar, treinar, habilitar. Aconselhar (gr. noutheteo) diz respeito a admoestar, alertar, avisar, advertir, corrigir, recomendar, censurar, orientar, guiar, persuadir, prevenir.

Esses dois verbos trazem a ideia de algo progressivo: instruir na teoria e aconselhar na prática, instruir antes e aconselhar durante, instruir com palavras e aconselhar com modelo, instruir à distância e aconselhar bem pertinho. Quando aprendemos a dirigir, por exemplo, recebemos instrução teórica na sala de aula e, depois, recebemos conselhos presenciais durante nossa arriscada direção no trânsito. Segundo a provisão divina, o corpo de Cristo nos dá acesso a tudo aquilo de que necessitamos aprender na teoria e na prática. Esse pequeno versículo traz fundamentos do que é necessário para que isso aconteça de maneira eficaz.

Para instruir e aconselhar é necessário ter rico conteúdo na mente. Não qualquer conteúdo, mas aquele que provém da palavra de Cristo, razão pela qual Paulo disse: Que a palavra de Cristo habite ricamente em vocês. Quando recebemos Jesus como nosso Senhor e Salvador, recebemos a mente de Cristo (1 Co 2.16). Em outras palavras, passamos a ter acesso a uma lente que, quando usada, nos faz ver as coisas de modo distinto, do ponto de vista de Deus, e nos permitirá responder a tais percepções do jeito como ele faria se estivesse em nosso lugar. Interpretamos situações, agimos e reagimos segundo valores, crenças e opiniões de Cristo, à medida que o vocabulário bíblico passa a ser registrado em nosso coração.

Não somente conteúdo, mas, segundo Paulo, para instruir e aconselhar é necessário ter toda a sabedoria nos lábios. Não qualquer sabedoria, mas aquela proveniente do Pai, como Tiago ensinou: Se, porém, algum de vocês necessita de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá com generosidade e sem reprovações, e ela lhe será concedida (Tg 1.5 - NAA). É a sabedoria de Deus que nos faz trazer o conteúdo aplicado à vida, no exato momento e medida, com graça e leveza. Em certo sentido, sabedoria é aquilo que se vive, afinal, saber e não fazer é não saber. Sabedoria traz luz em meio à escuridão, libertação em meio às emboscadas que nos enlaçaram, saídas em meio aos labirintos nos quais estamos presos, rumo certeiro em meio ao mundo desorientado.

Além do conteúdo temperado na sabedoria, para instruir e orientar é necessário ter muita gratidão no coração. O coração pesado, amargurado e murmurento só traz maus conselhos. Já o coração que exala vida é cheio de louvor a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais. Isso só acontece quando estamos cheios do Espírito Santo, como Paulo disse: deixem-se encher do Espírito, falando entre vocês com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando com o coração ao Senhor, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo (Ef 5.18b-20 - NAA).

Quer seja no discipulado, na célula, na família, nas amizades, vamos nos instruir e aconselhar uns aos outros no conteúdo da palavra de Cristo, com toda a sabedoria do Pai, e cheios de gratidão no Espírito Santo. Essa é a vida que podemos e devemos ter como povo de Deus.

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