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Todo líder precisa valorizar o silêncio


Analise se estas cenas lhe são familiares:

a) Você está coordenando uma reunião e fica muito inquieto com o silêncio dos participantes. Sente-se constrangido por não saber administrar as pausas que, para você, soam como imensos buracos cinzentos.

b) Você chega do trabalho e o seu primeiro movimento é ligar a T.V., o rádio, o aparelho de som, o computador e apertar o botão da secretária eletrônica para saber se tem recados. No meio dessa parafernália barulhenta você pega o telefone para falar com alguém e, quando o silêncio se instala, imediatamente trata de disparar a metralhadora verbal, mesmo sem ter mais nada para dizer, como se silenciar fosse um pecado.

Quem de nós já não se sentiu pressionado pelo peso do silêncio, como se ele representasse uma ameaça insuportável? Quem já não se questionou também sobre essa necessidade de viver "afogado" em um universo de frases, sons e movimentos?

Podemos levantar duas hipóteses sobre o porquê do silêncio nos atemorizar tanto:

a) Do ponto de vista pessoal, silenciar obriga-nos a repensar fragilidades e inseguranças, colocando-nos em contato direto com a verdadeira essência do "eu", estimulando um "check-up" mental, que pode provocar dor e traçando um retrato, em que o possível confronto com esse mundo interno assusta com a sua força.

b) No âmbito organizacional, o papel de líder exige a análise silenciosa e atenta daquilo que não é dito no ambiente de trabalho. A leitura desse material tão rico pode representar a necessidade de uma mudança estrutural das ações de liderança. Por medo, às vezes, é mais fácil ignorar o que não se quer ver do que assumir responsabilidades.

É claro que não se pretende aqui reforçar a magia do silêncio em detrimento da palavra. O poder da linguagem falada é indiscutível. Ela dá forma aos pensamentos e promove maior interação das pessoas, ajudando-as a compreender melhor o mundo.

Os líderes que utilizam bem a comunicação oral podem conseguir extrair da equipe de trabalho um resultado muito positivo. Mas a palavra não é tudo! A arte da liderança eficaz inclui, com certeza, o uso do silêncio inteligente. Há o tempo de falar e há o tempo de calar-se, sem medo da solidão do pensar, e entre esses dois tempos deve prevalecer o equilíbrio entre a razão e a sensibilidade.

Lapidar esse jogo instigador favorece o autoconhecimento e a maturidade psicológica, fatores imprescindíveis para se gerenciar pessoas. Além disso, a habilidade de traduzir bem o que fica nas "entrelinhas" ou sob a máscara das palavras, propicia um encontro mais harmonioso entre o sentir, analisar e agir e, consequentemente, uma melhor definição quanto à escolha de ações profissionais mais sensatas e produtivas.

A comunicação está presente na fala ou no silêncio

É preciso, pois, desmistificar a crença de que o ato de silenciar é sinônimo de caos ou solidão. O silêncio nem sempre significa ausência. No momento certo pode ser um grande companheiro para a reflexão, pois oferece pistas que nos conduzem ao verdadeiro significado de nossas emoções.

O silêncio funciona como um sensível toque de recolher, em que cada ser humano tem a chance de encontrar a chave de quem ele realmente é, mas, para ficar assim, à escuta de si mesmo e do "outro", é preciso a coragem de desarmar as couraças internas que impedem um crescimento mais profundo e autêntico.

É no silêncio que o homem dimensiona o seu valor e revela a sua verdadeira imagem.

Qual tal o desafio de aprender a dominar a linguagem do silêncio para administrar melhor a própria vida?

Experimente, não custa tentar! 

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