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Uma crítica aos críticos


Posso lhe fazer uma crítica? Certamente já fizemos ou recebemos este tipo de pergunta, e na verdade todos nós já criticamos alguém, alguma ideia ou qualquer outra coisa que não tenha sido aprovada pelo nosso paladar intelectual. Gostamos de criticar, mas, nem sempre ou quase sempre não estamos dispostos para aceitar que alguém teça alguns comentários sobre nós ou nossos projetos e ideias mesmo que essas críticas e comentários sejam para nossa melhoria e edificação.

Existem aquelas críticas feitas por pessoas que pensam estar acima da média, estão sempre com razão e sabem ou conhecem todos os assuntos. Críticas elaboradas pelo simples ato de criticar e que não passam de meras reclamações e azedumes sem fim. Nesse mundo de criticar e ser criticado corremos o risco de nos perdermos quando  achamos ou sentimos que somos os donos da verdade em algum assunto específico.

crítica que Jesus fez aos escribas e fariseus tinha uma única finalidade que era corrigir uma atitude interior de arrogância e cinismo. Estes conseguiram tirar a vida da lei ao passo que Cristo via o vazio da religiosidade deles refletidas num legalismo paralisante e cego, impedindo-os de ver e aceitar o vinho novo da revelação. Confesso que tudo que é novo pode causar estranheza e até certa rejeição e neste ponto penso que nossas críticas devem vir acompanhadas de boas intenções interiores, não devendo apenas criticar, mas quando o fizermos devemos sempre propor alguma alternativa melhor ou nossa fala se tornará uma mera reclamação.

É fácil criticar o chefe, gestor, gerente, pastor, amigos e o governo, difícil mesmo é se colocar no lugar deles e agir de forma diferente. Necessário se faz nestes dias que aprendamos a ouvir e refletir procurando o equilíbrio para entender aceitar e respeitar ideias e ou pessoas que pensem diferente de nós.

Nesse aspecto alguns filmes da Disney Pixar nos confrontam e ajudam com suas mensagens impactantes e sempre atuais. O filme Happy Feet conta uma estória de um pinguim diferente (e não aceito) pelo simples fato de não saber cantar, mas sabe dançar, e este pinguim diferente se torna o diferencial e com sua dança considerada "pagã" pelos donos do saber local, esse pinguim diferente vai salvar toda a comunidade dos pinguins da falta de peixes. Algumas falas do filme refletem uma linguagem e comportamentos parecidos com algumas igrejas e comunidades religiosas e até mesmos algumas organizações que se utilizam o que eles chamam de "verdade, doutrina, tradição ou filosofia" para oprimir e humilhar o diferente.

Mas deixemos este assunto para outro artigo, pois quero ressaltar um outro filme, conhecido o Ratatouille que conta uma estória de um rato cozinheiro e do filho de um cozinheiro famoso num requintado restaurante Frances  chamado Gusteau's. O filho desse cozinheiro (Linguini) numa série de acontecimentos acaba conhecendo o rato cozinheiro e este o faz preparar pratos deliciosos tornando-o famoso. O filme é fantástico e traz uma reflexão sobre a crítica.

Anton Egô o nome por si só já diz tudo, trata-se de um crítico de gastronomia da mais alta competência e respeito. Egô discordava da filosofia do falecido dono do restaurante Francês que dizia que "Qualquer um pode cozinhar", e aí se você assistiu ao filme sabe o que acontece, o crítico vê as suas convicções interiores sobre culinária e gastronomia desmoronarem diante de um delicioso prato feito por um ser considerado insignificante (diferente).

Este ocorrido faz com que Anton Egô perceba que suas críticas eram duras e por vezes injustas iguais as que muitas vezes fazemos ou ouvimos outros fazerem. Esta maravilhosa experiência é contada pelo próprio Anton Egô vamos ouvir o que ele nos diz:

"De certa forma o trabalho de um crítico é fácil, nos arriscamos pouco e temos prazer em avaliar com superioridade os que nos submetem seu trabalho e reputação. Ganhamos fama com críticas negativas que são divertidas de escrever e de ler, mas a dura realidade que nós críticos devemos encarar é que no quadro geral, a mais simples porcaria talvez seja mais significativa do que a nossa crítica.

Mas há vezes em que um crítico arrisca de fato alguma coisa, como quando descobre e defende uma novidade. O mundo costuma ser hostil aos novos talentos as novas criações, o novo precisa ser incentivado, ontem à noite eu experimentei algo novo, um prato extraordinário de uma fonte inesperadamente singular. Dizer que tanto o prato quanto quem o fez desafiam minha percepção sobre gastronomia é extremamente superficial, eles conseguiram abalar minha estrutura...

No passado eu não fazia segredo quanto ao meu desdém pelo famoso lema do chef Gusteau's "Qualquer um pode cozinhar" mas eu percebo que só agora compreendo realmente o que ele queria dizer. Nem todos podem se tornar grandes artistas, mas, um grande artista pode vir de qualquer lugar, é difícil imaginar origem mais humilde do que desse gênio que agora cozinha no Gusteau's que é na opinião desse crítico, nada menos do que o melhor Chef da França. Eu voltarei ao Gusteau's em breve com muita fome."

Fiz questão de transcrever o áudio do filme porque este mostra de forma clara e com a magia que alguns desenhos trazem e mais do que isso, é a importância da mensagem que estes desenhos nos querem passar e grande parte destas produções tem uma mensagem que deveríamos escutar.

Reforço que não é fácil lidar com críticas e opiniões alheias as nossas e a vida precisa ser vivida sabendo que seremos criticados de todas as formas por nossas ações, palavras e jeito de ser, e penso que isto faz parte da nossa existência como seres pensantes. Eu mesmo me considero bastante crítico e já disparei duras críticas, e analisando francamente em algumas delas percebo que fui intolerante. O presente desafio que se coloca diante de todos nós é buscarmos o equilíbrio e o bom senso em tudo o que formos analisar para que a nossa fala seja a mais convidativa e inclusiva possível.

crítica e a verdade podem parecer boas em algumas ocasiões, mas nem sempre são oportunas, nossas vidas e nossas relações no trabalho, família e amigos devem ser norteadas por uma disposição de saber ouvir sempre. Sempre vamos encontrar alguém que sabe mais do que nós e neste caso nossa alternativa não é outra se não ouvirmos não apenas com os aparelhos auditivos, mas principalmente com o coração e se por acaso encontrarmos dificuldades em agir dessa forma, sugiro que assista algum desenho.

E que tal assistir o Ratatouille!

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