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Administração Geral

Treinando equipes para mudanças


Recentemente fui ao cinema assistir a um filme muito bem recebido pela crítica e platéias de diversos países do mundo. Saudado como um hino de amor ao cinema, o filme "O Artista" (The Artist), uma produção franco-belga de 2011, ganhadora de diversos prêmios entre eles o Oscar de melhor ator, melhor diretor e melhor filme entre outros, retrata com muita originalidade o que foi para muitos artistas a mudança dos filmes mudos para os filmes falados, mudança essa que revolucionou a arte cinematográfica.

No filme, um artista popular do cinema mudo resiste ao cinema falado e vê uma jovem estrela se tornar um fenômeno da noite para o dia por causa da oportunidade que lhe foi dada nos filmes falados.

Ao sair do cinema fiquei pensando em como as mudanças podem afetar as pessoas e o que poderia ser feito para diminuir o impacto não só no ambiente em que elas ocorrem como também no efeito sobre as pessoas que precisam lidar com as mudanças. Eu creio que uma boa alternativa se resume em uma frase: as pessoas precisam ser treinadas para as mudanças.

No mundo globalizado em que vivemos, a velocidade das mudanças é tão grande que muita gente não percebe o que está acontecendo até que essas mesmas mudanças já as tenham ultrapassado. Isto acontece porque as pessoas, em sua maioria, não se dão conta de que algo está sendo mudado enquanto realizam algum tipo de atividade. O fato de algo funcionar e dar o resultado (ou lucro) momentaneamente desejado traz certo tipo de acomodação. O que pode colocar uma equipe, uma empresa, um executivo ou até mesmo uma Igreja na seguinte máxima: se algo está funcionando bem, já está obsoleto!

No caso dos filmes mudos, muitos produtores achavam que ninguém queria ouvir os atores falando. Essa falta de proatividade gerou uma crise sem precedentes em 1927 no mundo do cinema onde milhares de atores, produtores etc, não foram preparados para a mudança que já estava acontecendo, mas que ninguém percebia. Por outro lado, criou, também, inúmeros cursos e academias que visavam preparar atores para o cinema falado e treinar produtores e técnicos para manejo dos novos equipamentos com áudio.

Bom agora, não significa bom o bastante amanhã

Estou me referindo a situações do cinema por causa da introdução do meu artigo, mas isso se aplica a outros setores como o de máquinas fotográficas (a Kodak, por exemplo, pioneira no seu segmento de Câmeras, não conseguiu se manter atualizada, uma vez que não se preparou para as mudanças); aviação civil (VARIG) ou da área de tecnologia de informática (IBM). Em todos esses casos, se fizermos um estudo apurado vamos constatar que em seus segmentos foram empresas de absoluto sucesso e que se viram sem condições de se adaptar (porque não houve um preparo) às mudanças assustadoramente rápidas que estavam acontecendo.

Considerando os exemplos mencionados acima, sabemos que os líderes e grupos de líderesdessas empresas falharam na previsão de grandes mudanças, porque na verdade as pessoas não são preparadas para mudanças e isso acontece por dois motivos: (1) A forma como tendemos a ver o treinamento e (2) As barreiras que erguemos contra as mudanças.

O treinamento é crucial para as mudanças; é um processo contínuo e não um evento. Muitos líderes e executivos falham neste ponto, quando fazem do treinamento um evento. O treinamento deve adquirir caráter permanente porque se torna um trunfo para as mudanças. O profissional que está sempre em treinamento consegue se adaptar melhor às mudanças.  As duas razões  para que o treinamento contínuo seja qualificado como um investimento com potencial de retorno ilimitado são:

A primeira é que nossas habilidades e conhecimentos precisam estar sempre afiados porque assim como um machado sem uso enferruja e não tem mais serventia, assim as habilidades podem se tornar inúteis sem o uso adequado.

A segunda é que se não desenvolvermos as pessoas, não seremos capazes de ver as mudanças . Mas quando desenvolvemos as habilidades e conhecimentos das pessoas, existem ilimitadas maneiras desses recursos darem resultados positivos num ambiente de mudanças permanentes.

Preparar para as mudanças traz grandes resultados

O treinamento eficaz (aquele que prepara para as mudanças) cria o hábito da reciclagem automática e projeta às possibilidades futuras. O líder e a equipe que valorizam o treinamentoestarão sempre numa posição de vanguarda profissional, o que sem dúvida se constitui em um saldo positivo permanente para a organização.

Precisamos considerar, também, as barreiras mais comuns que surgem contra as mudanças: a) o hábito - aquelas coisas que nós desenvolvemos e que nos mantém na zona de conforto; b) o ambiente - o local e a mesmice que nos faz sentirmos seguros e c) as prioridades divergentes - que são diferentes do que se aprende no treinamento e que impedem a visão dos resultados positivos das mudanças.

Ao promovermos mudanças precisamos considerar a situação, problemas e necessidades de satisfação como também usarmos estratégias para desenvolver equipes com desempenho elevado. A chave para o sucesso das mudanças está em acreditar que a equipe vai se adaptar e ter coragem e disposição para mudar enquanto se treina.

Não gostaria de contar mais detalhes do filme "O Artista", porque sugiro que você assista. Mas o final feliz acaba combinando tudo (vídeo e áudio) numa arte maior e melhor, naturalmente. Treinar pessoas para mudanças traz grandes resultados para a organização e para o líder e sua equipe. Só o líder que está permanentemente em treinamento consegue estar à frente das mudanças cada vez mais velozes e  seletivas.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

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