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Finanças e Contabilidade

Captação de recursos e a viabilização de parcerias


Captação de Recursos já não é um assunto novo. Podemos até dizer que se tornou moda no Brasil, nestes últimos anos, especialmente em organizações sem fins lucrativos dedicadas a atividades com fins sociais.

É comum recebermos ligações telefônicas de pessoas que trabalham em ONG’s e, mesmo sem nos conhecerem, pedem dinheiro para sua causa.

Apesar disso, captar recursos ainda é visto como o ato de pedir dinheiro para uma causa cujo propósito parece justificar a captação. Entretanto, como cristãos, temos de entender que captação de recursos não é uma forma sofisticada de pedir dinheiro, oferta ou ajuda financeira.  

De fato, qualquer pessoa pode tomar a iniciativa de contribuir com qualquer causa que lhe pareça digna desse investimento. Mas, fazer parceria no mover de Deus é só para alguns. Por esse motivo, captar recursos para o Reino de Deus é dar oportunidade para as pessoas se envolverem com a mais nobre das causas: aquela cujos resultados vão-se refletir na eternidade, com a salvação das pessoas resgatadas pelo amor de Deus.

O assunto é muito mais sério do que parece. Há muitos missionários, agências missionárias e igrejas que têm deixado de fazer missões por verem a captação de recursos como uma forma de pedir esmolas ou implorar ajuda financeira. Esquecem que, assim como todo projeto social, este também exige planejamento da captação dos recursos (inclusive financeiros) que viabilizarão a sua execução. Todo projeto missionário exige o mesmo planejamento e as mesmas providências que um projeto social exige.

Além do mais, captar recursos ajuda as pessoas a ampliarem a visão das necessidades que há no mundo. Mas, temos obstáculos a vencer:

1.      Nós mesmos: a preocupação com nossa própria imagem é muito maior do que com a benção de Deus na vida delas por investirem na obra. Ficamos intimidados pelo medo de que as pessoas nos rejeitem e pensem que estamos interessados somente no dinheiro delas.

2.      Tempo: sempre temos muitas coisas para fazer. O envolvimento com o projeto e o ministério toma muito tempo e isso pode nos impedir de levantar recursos. É importante lembrar que, sem dinheiro e pessoas participando do projeto, poucas coisas podem ser feitas.

3.      Falta de habilidade: todas as pessoas são dotadas de habilidades naturais, mas alguns têm de aprender a desenvolver a habilidade de captar recursos. Um treinamento específico é fundamental.

Além desses obstáculos de natureza pessoal, há também erros que prejudicam a eficiência da captação e precisam ser evitados.

1.      Não fazer um contato pessoal: as pessoas respondem de forma muito mais positiva quando o contato é pessoal, claro e objetivo. Elas sentem necessidade de fazer parte de algo maior e, por isso, estão muito mais prontas para dar do que qualquer pessoa que vá pedir.

2.      Não cultivar os relacionamentos: a captação de recursos abre oportunidades para fazermos amigos. Essas amizades precisam ser cultivadas, até para que orem de modo mais efetivo e mantenham-se encorajados a manter o compromisso.  

3.      Não saber com clareza quanto precisa levantar e para que fim específico: ninguém investe só porque gosta de você; investe, e se mantém como investidor, quando acredita no projeto que está sendo realizado.

4.      Pedir esmolas: é a atitude que transmite a idéia de que “Eu não mereço esse aperto; tenha pena de mim”. Deus chamou você para um projeto nobre. Viva de acordo com esse chamado.

5.      Exigir participação: é reagir como se toda pessoa que você contate tenha a obrigação de contribuir para seu projeto ministerial. Mas, Deus é quem possui todas as coisas e é Ele quem escolhe nossos parceiros.

6.      Fazer pressão: viver em permanente atitude de crise, como que dizendo: “É melhor você contribuir, ou não seremos capazes de ter nossas necessidades supridas”.

Erros assim facilmente nos levam a tentar manipular as pessoas para fazerem algo que realmente não querem. E nosso objetivo não é esse.  A visão correta é a das pessoas como nossas parceiras na missão de alcançarmos pessoas com a mensagem de Jesus. Um plano de contínuo cultivo do relacionamento com nossos sócios é absolutamente prioritário.

Neemias é nosso grande exemplo. Depois de ouvir as notícias sobre a situação em que se encontravam os muros de Jerusalém, a cidade e seus habitantes, após os 70 anos do cativeiro na Babilônia, ele se sentou e chorou. Passou dias lamentando-se, jejuando e orando ao Deus dos céus. Foi o tempo de refletir, planejar, calcular custos, estabelecer metas, definir o tempo necessário para trabalho a ser executado e, por fim, escolher a melhor estratégia. O resultado desse tempo de recolhimento e reflexão, vemos no capitulo 2 do livro de Neemias. Na conversa que teve com o rei, Neemias não hesitou em face das perguntas do rei sobre o que estava acontecendo. Neemias orou e respondeu as perguntas com firmeza, pois sabia o que queria e qual a maneira de realizá-lo.

Captar recursos para o ministério, ou para um projeto social, é muito mais do que pedir ajuda financeira. É ver Deus agindo e fazendo milagres.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

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