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Estratégia e Planejamento

Alivie o peso da mudança organizacional


Sejam as igrejas uma organização, um organismo, um organismo organizado ou uma organização orgânica, são todas formadas por pessoas. São, portanto, seres vivos. E como todos os seres vivos, mudam, para melhor ou para pior, mas mudam.

Em 25 anos de igreja vi muitas mães levarem seus nenês ao berçário, vi estes nenês se tornarem crianças do culto infantil, depois adolescentes, depois jovens. Vi jovens adultos casarem. Terem filhos. Vi muitos pais virarem avós e seus netos indo do berçário para o culto infantil, fazendo a roda da vida continuar girando.

Também ouvi hinos virarem corinhos virarem canções virarem raps. Vi terno sair do púlpito, depois o paletó, depois a gravata, vi entrar o jeans e a camiseta.

Os tempos mudam. As cidades crescem, os problemas crescem, surgem as drogas, a delinqüência, e os problemas familiares tornam-se casos de polícia.

No meio destas mudanças, pastores e líderes tentam achar formas de melhor cuidar de seu rebanho e causar o efeito mais positivo na comunidade.

Saem atrás de auxílio. Freqüentam conferências, palestras, cursos, workshops. Devoram os best sellers das igrejas de sucesso. Vasculham os melhores livros e as melhores práticas nas estantes de Administração & Negócios, tentando encontrar o que podem aproveitar para suas igrejas.

Finalmente, criam coragem e resolvem colocar uma estratégia de mudanças em prática. E, por melhor que sejam as intenções, como novatos nesta área acabam passando e fazendo suas igrejas passarem por maus bocados.

Sendo quem já viu algumas vezes este filme, dentro e fora de igrejas, sinto ser minha obrigação sugerir alguns cuidados simples. Atender para eles pode evitar muita dor de cabeça e aumentar em muito as chances de sucesso destas iniciativas.

Concentre sua atenção nas pessoas e nunca tire os olhos delas.

Todas as demais sugestões dependem totalmente desta. Por quê? Porque pouco importa quão importante, necessária ou essencial seja a mudança, serão sempre as pessoas que determinarão se ela será ou não implantada e como. São elas que perderão seu senso de direção; ficarão frustradas, desmotivadas, angustiadas e quem resistirá - naturalmente - às mudanças? Portanto, jamais esqueça: se a mudança não acontecer primeiro nas pessoas, ela não vai acontecer em lugar nenhum.

Planeje a mudança.

Experimente mudar um piano de cauda com alguém dizendo: "um pouco mais para lá... não-não... um pouco mais pra cá... não-não...! Pensando bem... que tal na outra sala?!". Se já é muito difícil as pessoas se engajarem no processo, é impossível que isso aconteça quando quem está propondo a mudança não sabe quais são as etapas, os desafios, nem a direção a ser seguida. Mudar por vezes é se aventurar por uma trilha desconhecida. Nesse caso, é impossível termos um mapa detalhado do futuro, mas podemos, pelo menos, preparar uma mochila com os apetrechos básicos, investir nas roupas mais adequadas, estimar o tempo e os sacrifícios esperados. No improviso, o risco aumenta demais.

Comunique. Comunique. Comunique.

Nada pode causar maior dano ao processo de mudanças do que a falta de comunicação. Exceto, o excesso de comunicação, a comunicação malfeita, a mal direcionada, a realizada no momento errado ou para o público errado. Assim, pensando bem, além de comunicar, você também terá que se preocupar com todos esses detalhes.

Saiba, por isso, comunicar com qualidade.

Identifique qual a mensagem certa para cada momento e cada público. Escolha cuidadosamente o meio para comunicá-la. Dê também especial atenção aos casos em que deverá contar com a ajuda de alguém que assuma a responsabilidade de usar sua credibilidade, em um determinado grupo, para apresentar uma mensagem desafiadora em momentos críticos.

Seja transparente.

Nem todo mundo precisa ou deve saber tudo sobre tudo. Há questões delicadas como, por exemplo, quem vai para onde, quando e em que condições. Defina o que cada pessoa ou grupo de pessoas deve e pode saber. Seja claro, seja direto e jamais falte com a verdade. Se não sabe algo, diga apenas não sei. Meias palavras levam à perda de confiança, com ela as chances de sucesso e, principalmente, como as pessoas vão se relacionar depois da mudança.

No pain, no gain.

As pessoas começam a perder a confiança na liderança quando só ouvem falar nos grandes benefícios que o projeto trará, como tudo será maravilhoso, e não ouvem ninguém falando do preço a ser pago. Esclareça logo de início: não há mudança sem sacrifícios. Prepare as pessoas para o investimento pessoal de suas forças mais íntimas para assimilarem a nova situação, aprenderem novos conceitos, se relacionarem de uma nova maneira e até com pessoas diferentes.

Entenda as razões da mudança antes de esperar que os outros as entendam.

Se você não é o dono do mundo, nem da bola, acho recomendável ter explicações mais razoáveis do que "tem de ser assim" ou "é por que eu quero e acabou". As pessoas não estão muito dispostas a seguir cegamente amos e senhores, e muito menos estratégias que não parecem ter pé nem cabeça. Elas estão cada vez mais sedentas de agirem baseadas naquilo que entendem e acreditam. Não é à toa que muito projeto, apesar de bem elaborado, falhou porque não houve o comprometimento de quem deveria executar suas atividades.

Entenda as razões dos outros antes de dizer que eles é que não entenderam a mudança.

Líderes tendem a gostar de mudanças. Elas fazem para com seus espíritos empreendedores e desafiadores e, afinal, vale a pena todo esforço para ver seu sonho realizado. Mas raramente é este o sentimento do restante da comunidade. Para eles, mudar é abrir mão do conforto, de seus paradigmas, hábitos, interesses e, para alguns, inclusive, perda de status e poder.

Coloque tempo no cronograma.

Colocamos muitas atividades nos nossos cronogramas, mas esquecemos que as pessoas precisam de tempo para assimilar o novo. Dê a elas, além de boa informação, tempo para assimilá-la. Mudanças instantâneas são muito mais arriscadas. Uma semana a mais no cronograma, para uma série de palestras ou grupos de discussão, pode permitir que as pessoas tirem as suas dúvidas e consigam então entender o novo modelo e, passem, até, a defendê-lo.

Não tente fazer tudo sozinho.

Finalmente, mas nem por isto menos importante, saiba pedir ajuda. Procure alguém que conheça o assunto. Como consultor, esta sugestão pode parecer parcial, mas o fato é que as mudanças exigem uma visão crítica para descobrir quem e o quê precisa mudar e como. Sendo parte da mudança, a sua visão tenderá ocasionalmente a não ser clara o bastante. Não é à toa que médicos evitam tratar de seus familiares. Da mesma forma que também se dispõem a consultar colegas quando têm problemas de saúde. A última dica, portanto é, muito cuidado com a auto-medicação.

Adaptação feita pelo autor de um artigo seu publicado originalmente na Revista MELHOR, Editora Segmento, Edição no. 178.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

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