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Estratégia e Planejamento

Até onde amadurecer?


Este artigo é uma sequência do artigo Níveis de maturidade da Igreja escrito pelo mesmo autor. Para ler o anterior, clique no título ou no nome do autor.

Quando pensamos em níveis de maturidade para organizações e vemos que existem cinco níveis classificados pelo modelo chamado CMM (Capability Maturity Model), entendemos que nossas organizações religiosas muitas vezes se encontram no nível 1 de maturidade(quando as pessoas se mobilizam, executam, comemoram e se desmobilizam, sem deixar rastros, anotações ou lições aprendidas. As pessoas fazem "como sempre fizeram" ou "como o pastor mandou"). Mas até onde elas deverão amadurecer?

Para responder a essa questão precisamos primeiramente separar os alhos dos bugalhos. Uma organização religiosa não pode ser comparada em sua finalidade a qualquer outra organização, nosso objetivo é salvar vidas, resgatá-las do pecado e dos perigos deste mundo. Se nos perdermos em excessos ficaremos à mercê da organização e perderemos o foco na salvação. Não é isso que se deseja.

Por outro lado, a eficiência organizacional poderá ajudar muito no suprimento dos recursos, na capacitação objetiva e no desenvolvimento de estratégias e planos de ação, tanto para uma igreja local, quanto para uma associação ou denominação.

Ao estagnarmos no primeiro nível de maturidade perdemos tempo com comunicações, realizamos ações sem a devida capacitação e repetimos, por falta de registro, as mesmas ações, cometendo os mesmos erros indefinidamente.

Se avançarmos para o segundo nível de maturidade (Algumas práticas de gerenciamento de projetos podem ser adotadas para diminuir as tensões, mas não são as preferidas dos grupos), no entanto, começaremos a visualizar melhor nossos processos. Como isso ocorre?

O primeiro passo para avançar do nível 1 para o nível 2 é realizar um planejamento estratégico. Este deverá focar-se nas diretrizes estratégicas da organização. Sua razão de existir, suas áreas de atuação, seus valores e objetivos maiores.

Estabelecido um planejamento, é importante começar a documentar seus projetos e ações através de técnicas simples. Sugerimos o Marco Lógico como forma de documentação de projetos. Uma ferramenta muito simples que pode ser usada em conjunto com os modelos 5w2h, o plano de comunicações e uma tabela RACI, todas ferramentas fáceis de encontrar na vasta documentação disponibilizada na Internet.

Uma experiência de dois anos com o uso dessas ferramentas poderá estimular a igreja ou organização denominacional para o 3º nível de maturidade (fundamentado em métricas, metas, indicadores e objetivos. Os processos são bem caracterizados e fundamentam-se em padrões de gerenciamento bem aceitos. As ações gerenciais são proativas, ou seja, as medidas para o bom andamento dos processos ocorrem antes da execução).

O foco no nível Definido está na capacidade de criar projetos e processos passíveis de avaliação e repetição. A documentação de boas práticas será uma ferramenta muito útil para o controle e a aprendizagem.

Na busca por essa evolução a organização poderá identificar as necessidades de capacitação mais adequadas, controles dos resultados mais objetivos e definir responsáveis pelas ações, cobrando resultados.

Ao chegar nesse ponto certamente a organização ficará encantada com os resultados obtidos e nunca mais desejará voltar ao amadorismo do primeiro nível. Se isso acontecer a organização planejará mais um passo: o nível gerenciado (As medições são precisas. Os custos são controlados com maior nível de detalhamento. Os processos são melhorados continuamente).

Aqui seria o ponto ideal do amadurecimento, principalmente pelo estabelecimento de uma comunicação eficiente entre todos os interessados.

A comunicação organizacional, especialmente das rotinas de trabalho, seja em nível de igrejas locais, seja no nível denominacional, poderá alavancar o crescimento. Muito da responsabilidade pelo crescimento das denominações neo-pentecostais pode ser atribuído à integração vertical proporcionada por elas.

Os líderes neo-pentecostais, ao se tornarem profetas terminam por estabelecer uma comunicação inequívoca. Eles falam e todos replicam o conteúdo, fazendo com que o mais simples dos membros compreenda a mensagem. O que para muitos pode parecer carisma, nada mais é do que técnica absorvida e utilizada no dia-a-dia das igrejas. Para o bem ou para o mal essas técnicas existem.

No nosso caso, poderemos melhorar a eficiência da comunicação organizacional, criando mecanismos de mão dupla, onde as pessoas sejam ouvidas e ouçam também.

Usando a comunicação como carro-chefe da alavancagem da maturidade todos os processos virão em seguida, seja a informatização, seja o treinamento, seja a capacitação de lideranças ou o uso de indicadores e métricas.

Não se deve esquecer que os projetos e processos necessitam ser documentados e aperfeiçoados continuamente para que esse nível seja efetivo.

O nível otimizado de maturidade talvez seja necessário apenas para algumas áreas. (quando a melhoria contínua é o foco. A tecnologia da informação passa a compor a base das ferramentas gerenciais e da comunicação. A estatística é utilizada como meio de verificação dos resultados). A contabilidade, por exemplo, que deve ser feita com eficiência e transparência, para não se tornar fonte de escândalos.

Para a evangelização, o desenvolvimento de ações sociais, a capacitação interna e outras práticas comuns, nosso nível de maturidade será otimizado pelo agir de acordo com a Palavra de Deus.

Reprodução autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e a fonte como: http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

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