Uma em cada sete brasileiras já fez aborto
Publicado em 01.06.2010
O estudo, financiado pelo ministério e realizado pelo instituto Ibope, ouviu 2.002 mulheres entre 18 e 39 anos, de todas as capitais brasileiras e mais os municípios acima de 5 mil habitantes. Não foram incluídas as que vivem na zona rural e as analfabetas.
De acordo com os números apresentados, 48% das mulheres que abortaram usaram algum medicamento. Esse procedimento levou 55% delas a ficarem internadas.
A maior frequência da prática foi registrada entre as mulheres com baixo nível de escolaridade, sendo 23% delas com até o quarto ano do ensino fundamental e 12% entre aqueles que concluíram o ensino médio.
De acordo com a antropóloga da Universidade de Brasília, Debora Diniz, a maioria das mulheres é casada, religiosa e já com filhos, quase todas com baixa escolaridade.
- Elas já têm experiência da maternidade e tanta convicção de que não podem ter outro filho no momento que, mesmo correndo o risco de serem presas, interrompem a gestação, diz a principal autora do estudo.
Para o assessor especial do ministro José Gomes Temporão, Adson França, os dados mais uma vez confirmam a opinião do Ministério da Saúde de que aborto é uma questão de saúde pública.
- Por isso devemos ampliar a oferta de métodos contraceptivos no Sistema Único de Saúde (SUS), que já atende 34,5 milhões de usuárias.
Número de abortos não é estimadoA pesquisa, no entanto, não estima o número de abortos em todo o país. Contudo, explica Débora, o número é com certeza maior do que o número de mulheres que abortam pelo fato de uma mesma mulher poder ter feito mais de um aborto
- O número também sobe se as áreas rurais e a população analfabeta forem computadas.
A técnica utilizada é parecida a de pesquisas eleitorais, com anonimato garantido e margem de erro de apenas 2%. As analfabetas foram excluídas porque não poderiam preencher o questionário.
Fonte: OGlobo, 01/06/2010
O conteúdo das notícias é de responsabilidade de seus respectivos autores e veículo de comunicação, não refletindo necessariamente a opinião do Instituto Jetro.